Em recuperação judicial e com caixa pressionado, a Oi assinou na última sexta-feira (10) o contrato de venda de sua unidade de serviços telefônicos para a Método Telecomunicações e Comércio por R$ 60,1 milhões. A negociação, que havia sido definida em leilão judicial em abril, só foi formalizada após determinação da 7ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro.
Venda de serviços telefônicos da Oi depende de aprovação regulatória
A conclusão da operação ainda não é imediata. Segundo comunicado da própria Oi, “a conclusão da operação está sujeita ao cumprimento de determinadas condições previstas em contrato, incluindo a aprovação da compra e venda das ações pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) e pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade)”.
O pagamento será parcelado. Segundo apurou a revista TELETIME, “o pagamento dos R$ 60,1 milhões será realizado em parcelas, com a primeira prevista para a próxima semana e o restante em até 90 dias, após a transição de documentações”.
A assinatura atendeu a uma determinação judicial. Conforme o comunicado da Oi, “a assinatura atende a uma determinação da 7ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro, que intimou as duas empresas a formalizar o acordo para ajudar a aliviar o caixa da operadora, hoje em recuperação judicial”.
Quem é a Método Telecomunicações
Fundada em 1991 em Belo Horizonte pelo empresário Anderson Pimenta, a Método tem 35 anos de atuação no setor e conta com cerca de 170 mil clientes de telefonia VoIP. A empresa venceu o leilão judicial após a juíza responsável aceitar sua oferta e rejeitar a proposta da concorrente Sercomtel por descumprimento das regras do edital.
A unidade adquirida, chamada de UPI Oi Serviços Telefônicos, carrega obrigações de continuidade em 7,4 mil localidades — das quais 7 mil são municípios onde a Oi é a única prestadora de serviços de telefonia fixa. A responsabilidade pela manutenção desses serviços se estende até dezembro de 2028.
Situação financeira da Oi em agosto de 2026
A urgência na formalização do contrato tem razão direta: a Oi enfrenta risco de paralisação de suas atividades em agosto de 2026 por falta de recursos. A venda dos serviços telefônicos é parte do processo mais amplo de desinvestimento da operadora, que busca liquidar ativos para honrar compromissos dentro do plano de recuperação judicial.
A Método, por sua vez, deve iniciar ainda esta semana as discussões com a Oi e a Anatel para assumir formalmente os ativos e garantir a transição dos serviços às localidades atendidas.
