A autoridade de desastres de Madagascar informou nesta quarta-feira (11) que o ciclone Gezani matou 20 pessoas, deixou 15 desaparecidos e 33 feridos após atingir a ilha do Oceano Índico. O fenômeno derrubou casas e causou inundações significativas, especialmente na cidade de Toamasina.
O ciclone Gezani tocou o solo nesta terça-feira (10), atingindo Toamasina, a segunda maior cidade do país, com ventos de 250 quilômetros por hora. O Escritório Nacional de Gestão de Riscos e Desastres (BNRGC) registrou as mortes, muitas delas devido ao colapso de residências.
O líder do país, Coronel Michael Randrianirina, que viajou para Toamasina antes da chegada do ciclone, descreveu a situação. “O que aconteceu é um desastre: quase 75% da cidade de Toamasina foi destruída”, afirmou Randrianirina.
Ele também fez um apelo por apoio Internacional. “A situação atual excede as capacidades de Madagascar sozinho”, disse Randrianirina, que assumiu o poder em outubro, pedindo a “parceiros e doadores internacionais” que apoiem a ilha.
Impacto do ciclone Gezani em Toamasina
Imagens de drone divulgadas pelo BNRGC nas redes sociais mostraram grandes inundações na cidade costeira de 400 mil habitantes, localizada a cerca de 220 km a nordeste da capital Antananarivo. Moradores caminhavam pela água e telhados foram arrancados de edifícios.
Um morador de Toamasina descreveu a devastação à AFP como “monstruosa”. A cidade apresentava-se castigada, com ruas repletas de árvores arrancadas pela força do ciclone.
A tempestade também causou estragos na região de Atsinanana, que cerca a cidade, segundo a autoridade. As avaliações pós-desastre ainda estavam em andamento.
Rija Randrianarisoa, chefe de gestão de desastres do grupo humanitário Action Against Hunger, detalhou a situação. “É um caos total: 90% dos telhados das casas foram arrancados, total ou parcialmente”, disse ele à AFP. “As estradas estão completamente inacessíveis por causa de árvores no chão, chapas de metal.”
Ciclone Gezani e histórico de tempestades em Madagascar
O centro de previsão de ciclones CMRS, na ilha francesa de Reunião, confirmou nesta terça-feira (10) que Toamasina foi “diretamente atingida pela parte mais intensa” da tempestade. A chegada do ciclone ao solo provavelmente foi uma das mais intensas registradas na região durante a era dos satélites, rivalizando com o Geralda em fevereiro de 1994.
O ciclone Geralda deixou pelo menos 200 mortos e afetou meio milhão de pessoas. Outros ciclones particularmente mortais incluem Gretelle, que matou 152 pessoas em 1997, e Gafilo, que deixou 241 mortos.
Mais de 70% das casas em Madagascar são construídas com materiais precários, como argila, galhos ou folhagens, de acordo com o instituto nacional de estatística. A temporada de ciclones no sudoeste do Oceano Índico geralmente ocorre de novembro a abril, com cerca de uma dúzia de tempestades anualmente.
O ciclone Gezani enfraqueceu após tocar o solo, mas continuou a varrer a ilha, representando risco de inundações, apesar de ter sido rebaixado para tempestade tropical. A previsão é que retorne ao status de ciclone ao atingir o Canal de Moçambique e possa, a partir de sexta-feira (13) à noite, atingir o sul de Moçambique, que já enfrenta inundações devastadoras desde o início do ano.

Informações: Phys.
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