O Bradesco encerrou 324 agências e eliminou 2.448 postos de trabalho em um ano — e fez isso enquanto o lucro crescia. O resultado líquido recorrente do banco somou R$ 13,861 bilhões no primeiro semestre de 2026, alta de 16,2% em relação ao mesmo período do ano anterior. O Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região contesta a estratégia.
Fechamento de agências e digitalização como justificativa
O banco atribui o enxugamento da rede física à mudança nos hábitos dos correntistas: 98% das operações bancárias já ocorrem por meios digitais. Antes de encerrar cada unidade, o Bradesco avalia o movimento da agência e busca aproveitar os profissionais em outras áreas da instituição.
Só no segundo trimestre de 2026, foram extintas 868 vagas. Ao fim do semestre, o banco contava com 79.699 funcionários. O Bradesco descartou a existência de um programa coletivo de demissões e, em nota, afirmou que “a prioridade é a alocação interna de talentos, a mobilidade profissional e o reposicionamento de profissionais sempre que possível”.
Lucro em alta, sindicato contesta
Os números financeiros do Bradesco vão na direção oposta ao corte de pessoal. O lucro subiu 3,5% de um trimestre para o outro. O retorno sobre patrimônio líquido chegou a 16%, avanço de 1,4 ponto percentual. A carteira de crédito expandida alcançou R$ 1,137 trilhão, crescimento de 11,6%. A base de clientes ganhou cerca de 300 mil novos correntistas, totalizando 110,4 milhões.
A receita com tarifas e serviços bancários somou R$ 15,8 bilhões nos últimos 12 meses — alta de 5% e valor equivalente a 117% do total gasto pelo banco com pessoal no período. É exatamente esse dado que o Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região usa para questionar as demissões: para a entidade, o desempenho financeiro não justifica a redução do quadro.
