A prisão de Nicolás Maduro na Venezuela, neste sábado (10), movimenta o cenário geopolítico e levanta questões sobre o mercado de petróleo e a Petrobras. O ocorrido, no início de 2026, adiciona riscos ao panorama econômico global.
Analistas do mercado financeiro avaliam as possíveis consequências da saída de Maduro para a indústria petrolífera venezuelana. A Venezuela, outrora fundadora da Opep, viu sua produção cair drasticamente nos últimos anos.
A produção atual do país é inferior a 1 milhão de barris por dia, enquanto o Brasil produz cerca de cinco vezes mais. A questão central é se a maior influência dos Estados Unidos pode reverter este quadro.
Um eventual retorno da Venezuela como potência no setor de óleo e gás poderia impactar a oferta global. Um acréscimo de 2 milhões de barris diários pressionaria os preços do petróleo para baixo.
Prisão de Nicolás Maduro e o futuro do petróleo venezuelano
Este cenário seria desfavorável para companhias não envolvidas na reconstrução da indústria venezuelana, como a Petrobras. Contudo, especialistas apontam diversos fatores atenuantes para essa projeção.
A recuperação da produção de petróleo em tal magnitude não ocorre rapidamente. Estima-se um período mínimo de cinco anos para o país atingir 2 milhões de barris por dia.
Para retornar ao patamar de 3 milhões de barris, seriam necessários até 15 anos. Este é um cenário otimista, que pressupõe investimentos de centenas de bilhões de dólares de petroleiras norte-americanas.
A concretização desses investimentos é considerada difícil. O petróleo opera nos menores patamares dos últimos cinco anos, o que já não inspira confiança para aportes de dezenas de bilhões de dólares.
Desafios para a recuperação da produção
Soma-se a isso a governança frágil da Venezuela, que representa um risco adicional. O retorno do investimento, na melhor das hipóteses, ocorreria apenas na próxima década.
A incerteza sobre a Política do próximo presidente dos Estados Unidos em relação à Venezuela também pesa. Não se trata de uma decisão trivial para grandes empresas.
Os acontecimentos recentes na Venezuela abrem a possibilidade de um aumento na oferta de petróleo. No entanto, este aumento, se ocorrer, será apenas no médio ou longo prazo.
A principal mudança, segundo analistas, reside no campo geopolítico. Os Estados Unidos colocam em risco parte do suprimento de petróleo da China, conforme abordado por Matheus Spiess em sua coluna.
Impacto geopolítico e cenário para a Petrobras
Diante dessas considerações, o novo cenário não altera significativamente a tese de investimento da Petrobras. Os riscos geopolíticos, contudo, aumentaram.
Em momentos de maior chance de conflito, o petróleo tende a servir como um bom hedge. A Petrobras negocia por 5x lucros, com um dividend yield superior a 10%.
A empresa ainda possui potencial de reprecificação, dependendo dos resultados das eleições presidenciais. Por esses motivos, a PETR4 mantém seu espaço em carteiras de dividendos diversificadas.
Com informações do site Seu Dinheiro
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