O agronegócio brasileiro ficou com a maior fatia do Plano Brasil Soberano em 2025: R$ 7,7 bilhões, o equivalente a 40% do total de R$ 19,584 bilhões aprovados pelo programa federal. O resultado foi divulgado na quarta-feira (22) pelo governo federal, que no mesmo dia anunciou uma nova fase do programa com R$ 18,5 bilhões em linhas de crédito.
Como o Plano Brasil Soberano distribuiu os recursos
O setor de fabricação de produtos alimentícios recebeu o maior volume dentro do agronegócio: R$ 4,159 bilhões, ou 21% do total financiado. Na sequência, o comércio atacadista absorveu R$ 1,987 bilhão, a fabricação de produtos de madeira ficou com R$ 1,854 bilhão e a agricultura, pecuária e serviços relacionados receberam R$ 917 milhões.
As atividades contempladas pelo programa incluíam:
- Fabricação de produtos alimentícios
- Comércio atacadista
- Fabricação de produtos de madeira
- Agricultura, pecuária e serviços relacionados
- Cadeia de couro e calçados
Do total disponível, R$ 10,028 bilhões foram para operações de Giro Emergencial e R$ 9,023 bilhões financiaram o Giro Diversificação. Outros R$ 348 milhões foram para aquisição de bens de capital.
Micro, pequenas e médias empresas concentraram 982 operações, com R$ 6,275 bilhões aprovados. As grandes empresas, em 404 operações, receberam R$ 13,309 bilhões. Os contratos previam cláusulas de manutenção ou ampliação do nível de emprego nas beneficiadas.
Tarifas dos EUA motivaram a criação do programa
O Plano Brasil Soberano surgiu em agosto de 2025, após a edição da Medida Provisória nº 1.309, que autorizou o uso de recursos do Fundo de Garantia à Exportação para financiar empresas exportadoras. O pano de fundo era o impacto das tarifas impostas pelos Estados Unidos ao comércio brasileiro.
Um estudo do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) estimou redução de R$ 46 bilhões nas exportações brasileiras por conta do tarifaço americano. O impacto indireto na cadeia de fornecedores chegaria a R$ 47,4 bilhões, somando efeito econômico total de R$ 93,4 bilhões e colocando 340 mil empregos em risco.
Os setores apontados como mais afetados pelas barreiras comerciais eram:
- Madeira
- Móveis
- Couro
- Calçados
- Máquinas e equipamentos
Nova fase do programa chega com R$ 18,5 bilhões
Na quarta-feira (22), o governo federal anunciou o Plano Brasil Soberano III no Palácio do Planalto. A nova fase prevê R$ 18,5 bilhões em crédito: R$ 13,5 bilhões do Tesouro Nacional, realocados de linhas anteriores não utilizadas, e R$ 5 bilhões aportados pelo BNDES. No mesmo evento, o governo sancionou a lei que transforma em definitivas as medidas adotadas na fase anterior do programa.

Com informações do Noticias R7