Quase metade dos brasileiros considera encerrado o ciclo de Neymar na Seleção Brasileira. É o que indica um estudo da IMO Insights, divulgado na segunda-feira (20), que também revela um amplo desejo de renovação no elenco para a Copa do Mundo de 2030 e uma cobrança expressiva por mudanças na gestão da Confederação Brasileira de Futebol (CBF).
Segundo a pesquisa, intitulada “Eu Vi o Brasil – O país do futebol?”, 46% dos entrevistados entendem que o atacante já cumpriu seu papel na Seleção. Outros 36% acreditam que ele merece continuar, e 18% não têm opinião definida sobre o assunto.
O dado mais expressivo sobre o futuro da Seleção sem Neymar está em outro número: 67% dos pesquisados veem a eventual saída do jogador como uma abertura para a renovação do elenco, com foco na Copa de 2030. Apenas 14% pensam de forma diferente.
Imagem de Neymar entre os torcedores
A pesquisa também mediu a percepção dos torcedores sobre o jogador antes e depois da Copa deste ano. Os resultados mostram queda em todos os indicadores. Simona Karen Miranda, diretora de Operações da IMO Insights, detalhou os números à Agência Brasil: Neymar perdeu seis pontos percentuais como jogador preferido, ganhou três pontos na lista dos jogadores de quem os brasileiros menos gostam e caiu cinco pontos como o jogador que melhor representa o espírito da Seleção.
“Em relação ao levantamento antes do início da Copa, ele [Neymar] perdeu seis pontos percentuais como jogador preferido, aumentou três pontos como jogador de quem os brasileiros menos gostam, inclusive liderando esse indicador com folga, e caiu cinco pontos como jogador que melhor representa o espírito da seleção brasileira”, disse Miranda.
Para a diretora, os números vão além de uma simples queda de popularidade. “Os números sugerem que a discussão em torno de Neymar deixou de ser apenas técnica e passou a refletir um desejo de mudança de ciclo por parte de uma parcela significativa dos brasileiros. Não indica apenas uma perda de popularidade do jogador, mas também uma maior disposição do torcedor para enxergar o futuro da Seleção sem ele”, afirmou.
O contexto esportivo pesa nessa avaliação. Neymar, que terá 38 anos na próxima Copa, atuou apenas 55 minutos no Mundial deste ano — 15 minutos contra a Escócia e 40 contra a Noruega, partida que eliminou o Brasil. Ao longo do último ciclo, o jogador também enfrentou seguidas lesões. Após a eliminação, seu pai e empresário, Neymar da Silva Santos, divulgou uma carta aberta pedindo que o filho não encerrasse a carreira na Seleção. Na última sexta-feira (17), o atacante se reapresentou ao Santos.
CBF também está no alvo dos torcedores
A pesquisa não poupou a entidade que comanda o futebol brasileiro. Entre os entrevistados, 86% concordam que a CBF precisa de mudanças profundas, e 72% são favoráveis à ideia de que problemas de gestão da confederação contribuíram para o desempenho abaixo do esperado da Seleção.
Ainda assim, quando o assunto é a responsabilidade direta pela eliminação, os torcedores apontam mais para o campo do que para os bastidores. Trinta por cento responsabilizaram o desempenho dos jogadores, 20% as decisões do treinador Carlo Ancelotti, 19% a convocação e apenas 14% atribuíram a culpa à CBF. Seis por cento consideraram a Noruega simplesmente melhor.
Miranda também analisou a relação dos brasileiros com a própria história do futebol. “Nossa pesquisa mostra que grande parte da conexão do brasileiro com o futebol é construída sobre a nostalgia das grandes conquistas do passado, o que mantém viva a crença de que o Brasil continua sendo uma potência. Em vez disso, os brasileiros tendem a responsabilizar fatores circunstanciais”, disse a diretora.
Setenta por cento dos entrevistados reconhecem que o Brasil perdeu protagonismo no cenário mundial. Mesmo assim, a leitura predominante é de que o problema está nesta Seleção e nesta Copa — não numa perda definitiva da capacidade do país de revelar talentos. “Em outras palavras, embora 70% reconheçam que o Brasil perdeu protagonismo no cenário mundial, ainda prevalece a percepção de que o problema está na forma como esta Seleção jogou esta Copa e não em uma perda definitiva da capacidade do país de revelar talentos ou voltar a disputar títulos”, concluiu Miranda.

Com informações do Mais.