Carlos Monforte, um dos primeiros âncoras da televisão brasileira, morreu na segunda-feira (31) aos 77 anos. Com 36 anos de TV Globo, ele foi editor-chefe e apresentador do Bom Dia Brasil, programa que ajudou a moldar o jornalismo político matinal do país.
A carreira de Monforte começou no impresso. Ele passou seis anos em O Estado de S.Paulo antes de migrar para a televisão, em 1978. A transição não foi simples. Jornalista que construiu sua trajetória no texto escrito, ele levou dois anos para dominar a linguagem da TV — algo que relatou em entrevista à Memória Globo: “Eu passei por duas mudanças básicas, eu fiz jornal e passei para televisão e depois de televisão para internet.”
Na Globo, passou pelo Jornal Nacional e pelo Fantástico antes de assumir o Bom Dia Brasil, em 1983, como editor-chefe e apresentador. O programa era novidade naquele horário, e Monforte descreveu o impacto que gerou: “Abriu uma nova fronteira para o debate político às 7h. Foi pioneiro nesse horário (…) ele pautava os jornais.”
Um dos momentos mais lembrados de sua trajetória foi o encerramento do Bom Dia Brasil em 1985, quando se emocionou ao anunciar a morte do presidente eleito Tancredo Neves. “Nossos repórteres continuam em plantão e vão acompanhar todas as homenagens que os brasileiros vão prestar ao presidente Tancredo Neves, lá em São Paulo, aqui em Brasil, e em São João del-Rei. O Bom Dia termina por aqui. Um bom dia e até amanhã”, disse, ao vivo. Sobre aquele momento, ele próprio reconheceu: “Foi quase um desabafo aquilo, né? É uma coisa que vinha presa e soltou.”
Depois do Bom Dia Brasil, Monforte ainda passou pela GloboNews, ampliando sua presença no jornalismo televisivo até o fim da carreira na emissora, em março de 2022.
Colegas de profissão lamentaram a morte. A jornalista Delis Ortiz o descreveu como “um modelo de apresentador, entrevistador, repórter. Um baita jornalista.” Julio Mosquera, também jornalista, destacou o papel de Monforte durante a Constituinte: “O trabalho do Monfa, principalmente no Bom Dia Brasil, antes e durante a Constituinte, fez dele uma referência do jornalismo político da televisão brasileira. E como colega de trabalho, no dia a dia, era uma pessoa querida, focada e divertida.”
O ex-presidente José Sarney, em nota de pesar, classificou Monforte como “pioneiro em realizar entrevistas pessoais memoráveis.” O ministro e presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, afirmou que “sua memória e contribuição permanecem como legado para as novas gerações.”

Com informações do g1