O líder religioso Francisco Rinivaldo Barbosa Gomes, conhecido como “Pai Nivaldo de Oxóssi”, foi preso na última quinta-feira (15) em Fortaleza, no Ceará. Ele é suspeito de violação sexual mediante fraude, estupro e violência psicológica contra a Mulher. Ao menos sete mulheres o denunciam por abusos cometidos sob justificativa religiosa.
Uma das vítimas, que teve a identidade preservada, relatou que Nivaldo se aproveitava da posição de liderança na umbanda para ganhar a confiança das mulheres. Em seguida, ele criava situações com pretextos religiosos para cometer os crimes.
“Depois que ele via que a pessoa tinha uma confiança, ele começava com a questão dos abusos psicológicos. À medida que ele via que tinha brecha, ia tentando o abuso sexual”, afirmou a vítima. Ela descreveu que Nivaldo “inventava algum trabalho espiritual com as filhas [de santo] mais novas, ter alguns banhos de descarrego, banho de axé, no qual ele forçava, dizendo que estava com entidade, para que as filhas tomassem o banho despida”.
Os abusos ocorriam tanto no terreiro quanto em outros locais. Nivaldo convencia as mulheres a comparecerem para participar de atos que ele dizia fazer parte da umbanda. “Ele não tinha escrúpulos de local. Ele podia inventar em uma cachoeira, às vezes pegava uma praia mais deserta ou, caso ele tivesse mais acesso à casa da filha de santo, ele inventava esses ‘banhos’ para fazer na casa da filha de santo”, relatou a mulher.
Denúncias de abusos de líder religioso em Fortaleza
Ainda segundo a vítima, o pai de santo intimidava as mulheres durante as reuniões. “Ele utilizava muito da humilhação durante as reuniões, que as filhas de santo não podiam recusar ou deixar de atender a ligação dele, ou deixar de responder uma mensagem. Se elas não respondessem na hora que ele queria, na próxima reunião já era colocada na frente de todo mundo e era feita toda humilhação”, disse.
Outra denunciante afirmou que Nivaldo dificultava a presença de homens no terreiro. Ele preferia manter apenas mulheres. “Não aceitava filhos de santo homens. Se chegassem homens no terreiro, com pouco tempo ele inventava uma confusão com aquele filho de santo, que forçosamente saía. Só deixava mulheres e algumas não duravam, pois ele já tentava alguma coisa e elas já saíam”, declarou.
Além do assédio sexual, as denunciantes afirmam que eram obrigadas a fazer pagamentos ao pai de santo. “Ele prometia que a gente ia prosperar, só que nunca aconteceu essa prosperidade, porque sempre vinha valores grandiosos”, disse uma das vítimas. Ela acrescentou que Nivaldo “começou a pedir até para tirar da boca do meu filho, que só depende de mim. Ele falava que a gente tinha que dar tudo para a entidade, para ela devolver muito maior para a gente”.
Após se incomodarem com as investidas, as mulheres deixaram de frequentar o terreiro. Em conversa com outros membros, elas descobriram que não eram as únicas a passar por situações com Nivaldo. Com isso, as vítimas denunciaram o pai de santo à Polícia e buscaram ajuda jurídica.
Apoio às vítimas e posicionamento da defesa
A advogada Andressa Esteves, da Associação Marta, presta apoio às vítimas. Ela mencionou relatos de “estelionato religioso, de estupro de vulnerável, de extorsão”. Esteves classificou o caso como “muito complexo” e elogiou a força e coragem das mulheres. “A religião umbanda é uma religião que é por amor, por alegria, por axé e isso não deve fortalecer nenhum estímulo, mas sim no lembrar que em qualquer religião a gente pode vivenciar um ato como esse”, disse a advogada.
A captura de Nivaldo ocorreu em cumprimento a um mandado de prisão preventiva. A ordem foi expedida em dezembro do ano passado pela 10ª Vara Criminal da Comarca de Fortaleza.
O líder religioso atua na diretoria da União Espírita Cearense de Umbanda (UECUM). A entidade declarou que “recebeu com surpresa” a prisão do pai de santo. “Recebemos a informação com serenidade e reiteramos nossa total confiança na inocência do associado, cuja conduta sempre foi pautada pela retidão e pelo respeito, sendo reconhecido como um cidadão exemplar por toda a nossa comunidade”, afirmou a UECUM. A entidade acrescentou que “deposita sua plena confiança na Justiça, convicta de que todos os fatos serão devidamente esclarecidos e de que a verdade prevalecerá”.
A defesa do suspeito informou que o processo tramita em segredo de justiça. Os advogados aguardam que o Poder Judiciário conceda acesso aos autos para conhecer o teor das acusações. “Em breve conversa com nosso cliente, ele afirma categoricamente não ter cometido qualquer crime, declarando-se alvo de falsas acusações que seriam motivadas por um sentimento de vingança”, disse a defesa. Os representantes reiteraram “a confiança na Justiça e a certeza de que a inocência de nosso cliente será comprovada”.
Pai Nivaldo de Oxóssi, líder religioso de Umbanda, foi preso em Fortaleza acusado de abusar sexualmente de mulheres.

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