O ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, planeja deixar o cargo até esta sexta-feira (09), conforme apurou o SBT News. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva tenta adiar a saída, mas fontes do Palácio do Planalto indicam a iminência da demissão.
Lewandowski busca uma reunião com Lula nesta semana. O encontro deve ocorrer após o retorno do presidente do recesso na Restinga da Marambaia, previsto para esta terça-feira (06). Nos bastidores do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), a avaliação é de que a decisão está consolidada.
Servidores da pasta afirmam que, nos corredores, já corre a informação de que as gavetas do gabinete do ministro teriam sido esvaziadas. Diferentemente de outros ministros que deixarão a Esplanada neste começo de ano para disputar eleições, Lewandowski não concorrerá a nenhum cargo público.
A decisão de sair do governo é pessoal e por cansaço, após uma série de desgastes internos. Parte dos secretários da pasta pode seguir o mesmo caminho. Interlocutores do ministro dizem que ficou evidente um possível esvaziamento da pasta depois de Lula ter dito, em dezembro, que pode recriar o Ministério da Segurança Pública.
Motivos para a saída de Lewandowski do Ministério da Justiça
Hoje, a área de segurança pública fica sob o guarda-chuva da Justiça. A saída de Lewandowski, se concretizada, ocorrerá antes de ele ver aprovada no Congresso a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública, sua maior bandeira no governo.
Após impasses nas últimas semanas de 2025, a votação da proposta na Câmara foi adiada para este ano. Ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Lewandowski assumiu o Ministério da Justiça no início de 2024.
Ele substituiu Flávio Dino, que antes comandava a pasta e foi indicado por Lula para uma vaga na Corte. Ao longo de sua permanência no governo, o ministro da Justiça travou embates com a Casa Civil pelo aval para apresentar a PEC da Segurança Pública.
Após ficar meses parada, a proposta foi enviada ao Congresso no ano passado. Depois da megaoperação no Rio de Janeiro contra o Comando Vermelho, que deixou 122 mortos, aliados de Lula disseram que Lewandowski não tinha perfil de “xerife”.
Impactos políticos da saída do ministro
O questionamento era para encampar uma resposta à ofensiva do governador Cláudio Castro (RJ). Ao falar em recriar o Ministério da Segurança Pública, com o consequente esvaziamento da pasta da Justiça, Lula mirou a eleição.
Está claro para o governo e para o Partido dos Trabalhadores (PT) que o tema da segurança, encampado há muito tempo pela direita, será central para a tentativa de reeleição do petista.

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