Os atendimentos oncológicos do Hospital São Marcos, em Teresina, voltam a ser assegurados após a Secretaria de Estado da Saúde do Piauí começar a entregar medicamentos e insumos à unidade na última terça-feira (28). A medida resulta de um acordo com o Ministério da Saúde que prevê o repasse de R$ 1,5 milhão em materiais para garantir a continuidade dos procedimentos.
O hospital havia suspendido o atendimento de novos pacientes em 3 de julho, apontando um déficit financeiro superior a R$ 4 milhões por mês. A crise expôs um problema antigo: o subfinanciamento crônico da unidade, que concentra parte significativa da assistência oncológica do estado.
Acordo tripartite define divisão de repasses para atendimento oncológico no Piauí
Desde o final de 2025, município, estado e União haviam acordado uma divisão de repasses: 60% pela Fundação Municipal de Saúde, 15% pela Secretaria de Estado da Saúde do Piauí e 25% pelo Ministério da Saúde. Técnicos do Ministério estiveram no Piauí na semana de 21 de julho para discutir o fortalecimento da rede de atenção oncológica.
O diretor técnico do Hospital São Marcos, Marcelo Martins, avaliou a movimentação recente como um avanço. “Houve um reconhecimento público de que o São Marcos realmente é subfinanciado. Isso é uma coisa que nós alegamos há anos, por ser verdade. O hospital vem fazendo esforços gigantescos para manter sua capacidade de atendimento e prestação de serviço. É um serviço absolutamente relevante para a população”, disse.
Em Parnaíba, uma força-tarefa coordenada pela Secretaria Municipal de Saúde reagenda pacientes que tiveram consultas comprometidas pela suspensão, permitindo que sejam atendidos no próprio município sem precisar se deslocar até Teresina.
A disputa pelo financiamento da unidade chegou ao Judiciário. O Ministério Público Estadual e o Ministério Público Federal ingressaram com ação civil pública cobrando uma solução definitiva para o custeio do hospital. Martins disse aguardar uma decisão favorável: “A ação civil pública impetrada pelo Ministério Público Estadual, juntamente com o Ministério Público Federal, está cobrando do poder público uma solução para o financiamento do hospital. A gente aguarda uma decisão judicial favorável, porque quem vai se beneficiar é a população carente que precisa daquele hospital.”

Com informações do Cidade Verde.