Last updated on 20 de novembro de 2025
O professor Érico Gomes, geólogo do Instituto Federal do Piauí (IFPI) e coordenador do Arranjo Produtivo Local (APL) da opala, foi selecionado para integrar o seleto grupo internacional de especialistas responsáveis pela elaboração do Guia Internacional da Opala. Este guia é um documento fundamental que visa estabelecer critérios de classificação, tratamento e terminologia para todas as variedades da pedra preciosa, buscando padronizar a nomenclatura científica em âmbito mundial.
O convite foi feito por Charles Abouchar, diretor da Confederação Mundial de Joalheria (CIBJO), entidade de grande prestígio fundada em 1926 e sediada na Europa. Gomes será o único brasileiro entre os 15 maiores especialistas do mundo, que incluem representantes de nações como Austrália, México, Etiópia, Inglaterra, Japão, Tailândia e Estados Unidos.
Padronização científica e a valorização da opala única de Pedro II
Sua principal responsabilidade no grupo é apresentar a importância e as características da opala produzida especificamente no município de Pedro II, no Piauí, uma gema reconhecida pela beleza e singularidade. O professor, que estuda a opala de Pedro II há 37 anos, destacou que essa inserção é um passo importante para o devido reconhecimento da pedra no mercado mundial. A padronização facilitará as pesquisas científicas e o comércio, permitindo que o mercado internacional e os cientistas “falem a mesma língua”.
Reconhecimento da Opala Piauiense
A presença de Érico Gomes neste grupo coloca o Piauí em posição de destaque na definição de um dos principais referenciais técnicos internacionais do setor de gemas e joias. A elaboração do guia, que tem sido desenvolvida desde 2017, busca garantir maior credibilidade e consistência nos mercados globais.
A opala de Pedro II é notável por suas características únicas, que a diferenciam de outras encontradas no mundo. Segundo especialistas, o processo de formação da opala piauiense envolveu um fenômeno hidrotermal com ação vulcânica, a cerca de 300 metros de profundidade, que “cozinhou” a sílica, resultando em uma opala que é mais dura e resistente que, por exemplo, a australiana.
APL da Opala: investimentos de R$ 1,6 milhão da Fapepi no Piauí
O convite ao professor Érico Gomes reflete também o avanço significativo do Arranjo Produtivo Local (APL) da opala no Piauí, o qual ele coordena. O projeto congrega mineradores, artesãos, empreendedores e instituições de ensino e pesquisa, buscando agregar valor à produção e promover a sustentabilidade econômica e ambiental.
O APL da Opala foi retomado em 2022 com apoio do Governo do Piauí e de parceiros importantes, como o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e o Instituto Federal do Piauí (IFPI). A Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Piauí (Fapepi) é uma das principais financiadoras, tendo investido R$ 1,6 milhão no projeto.
Com este investimento, o APL garantiu o desenvolvimento de novas tecnologias e a reativação do Centro Tecnológico e Artefatos Minerais (CETAM) em Pedro II. Além disso, o projeto promoveu capacitações em lapidação, design de joias, empreendedorismo e gestão empresarial, e ofereceu apoio para a participação de artesãos piauienses em eventos internacionais, ampliando a visibilidade da opala no mercado global. Outras ações focam na recuperação de áreas degradadas nos garimpos e no mapeamento geológico para descobrir novas minas.
O novo Guia Internacional da Opala será um dos temas centrais do Congresso da CIBJO 2025, que acontecerá em Paris, entre 27 e 30 de outubro, marcando um novo patamar de reconhecimento internacional para a opala do Piauí.
Com informações do IFPI
Compartilhe este post


Be First to Comment