A adaptação cinematográfica de “O Morro dos Ventos Uivantes”, dirigida por Emerald Fennell, provoca intensa discussão e críticas desde julho de 2024, meses antes de sua estreia global em 12 de fevereiro de 2026. Escolhas de elenco e direção geram a maior parte da controvérsia.
Comentaristas expressam opiniões majoritariamente negativas sobre a versão do romance do século 19. Lara Brown, da The Spectator, descreveu o projeto como um “perturbador exercício de destruição sem sentido” cinco meses antes do lançamento.
Críticas atingem o elenco, figurinos, sotaques dos atores e até as aspas no título em inglês, “‘Wuthering Heights'”, que enfatizam a interpretação de Fennell. A hostilidade levanta questões sobre as razões por trás da reação.
As primeiras objeções surgiram em julho de 2024, quando a notícia da adaptação por uma diretora conhecida por sátiras provocativas veio à tona. Fennell, ex-atriz, dirigiu “Bela Vingança” e “Saltburn”, ambos com reações negativas.
Início da reação negativa à adaptação de Brontë
Acusações de priorizar estilo sobre qualidade marcaram os trabalhos anteriores de Fennell. O receio era que a adaptação de Brontë seguisse o mesmo padrão, tratando temas sérios com paletas de cores chamativas e reviravoltas.
O volume de críticas aumentou em setembro de 2024, com a confirmação de Margot Robbie e Jacob Elordi como Cathy e Heathcliff. Robbie, com 35 anos, e Elordi, com 28, interpretam personagens adolescentes na parte intensa do romance.
A manutenção do cabelo loiro e liso de Robbie, em contraste com os “cachos castanhos” descritos no romance, também gerou comentários. Heathcliff é descrito como “cigano de pele escura” no livro, levantando discussões sobre o embranquecimento do personagem com a escalação de Elordi.
Kharmel Cochrane, diretora de elenco, minimizou a negatividade em abril passado. Ela afirmou que “não é preciso ser preciso” e que “é apenas um livro”, “não é baseado na vida real”, sendo “tudo arte”.
Controvérsia sobre elenco e autenticidade
Laurence Olivier e Merle Oberon, com 32 e 28 anos, interpretaram os personagens no filme de 1939. As reclamações atuais refletem uma maior sensibilidade do público ao embranquecimento e à falta de autenticidade.
A versão de 2011, dirigida por Andrea Arnold, escalou o ator negro James Howson como Heathcliff e Kaya Scodelario, com 19 anos, como Cathy. Para alguns, o novo elenco representa um retrocesso.
Sessões-teste em agosto de 2025 indicaram que a história estava “sem nuances emocionais e cheia de desvios sensacionalistas”, segundo o site World of Reel. O trailer sensual divulgado no mês seguinte reforçou essas afirmações.
O trailer mostra Robbie fazendo pão de forma sugestiva e imagens de espartilhos e Elordi sem camisa. Um artigo do The Spinoff intitulado “Todo mundo odeia o novo trailer de O Morro dos Ventos Uivantes, e eis o porquê” criticou a redução da obra.
Reações ao trailer e anacronismos
Clare Mabey, do The Spinoff, escreveu que Fennell “está pegando uma obra de arte e reduzindo-a à sua forma mais insossa”. O trailer também foi considerado anacrônico, com Charli XCX na trilha sonora e um vestido de noiva que remete aos anos 1980.
Um trecho do filme divulgado no mês passado gerou ridicularização dos atores por parecerem anacrônicos. Comentários no YouTube questionaram a aparência dos dentes e a modernidade de Robbie.
A diretora Emerald Fennell, filha do designer de joias Theo Fennell, cresceu em círculos privilegiados. Críticas a “Saltburn” afirmaram que o filme era caridoso demais com personagens ricos, e que Fennell não criticava essas pessoas.
Muitos comentaristas já estavam predispostos a não gostar da adaptação de “O Morro dos Ventos Uivantes” devido aos sentimentos em relação à diretora. A antipatia tinha relação com a origem privilegiada de Fennell.
A devoção dos fãs e a visão da diretora
Fãs do romance de Brontë demonstram grande devoção à obra, lida geralmente na adolescência. Muitos encaram o livro como parte de sua identidade, tornando qualquer desvio do texto um ataque pessoal.
Fennell afirma ser “obcecada” por “O Morro dos Ventos Uivantes” desde os 14 anos. Ela declarou no Festival de Escrita Feminina Brontë, em setembro passado, que ficaria “furiosa” se outra pessoa fizesse o filme.
As reações nas redes sociais após uma exibição antecipada foram fortes, com um crítico descrevendo o filme como um “novo clássico de nível divino”. Olivia Petter, da Vogue, afirmou que não se importa mais com a precisão da adaptação.

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