A desvalorização do dólar no final de julho abriu espaço para que as moedas latino-americanas consolidassem ganhos expressivos ao longo do mês. O peso colombiano liderou o ranking regional, com valorização de 9,84%, enquanto o real brasileiro figurou entre os destaques entre as moedas emergentes.
Por que o dólar recuou e o que isso significa para as moedas latino-americanas
A perda de força da moeda norte-americana coincidiu com a decisão do Federal Reserve de manter as taxas de juros inalteradas. Segundo análise do ING, “o mercado interpretou que o Fed poderia se apoiar mais no endurecimento das condições financeiras geradas pelos próprios mercados do que em novos aumentos das taxas, reduzindo o atrativo relativo da moeda norte-americana”. A BBVA FX Strategy avaliou que a “decisão pesou sobre o dólar”.
Para Matthew Ryan, analista da Ebury, a região está bem posicionada nesse cenário. “Consideramos que as moedas latino-americanas estão razoavelmente bem posicionadas nesse contexto, uma vez que vários países da região são beneficiários líquidos do novo aumento dos preços do petróleo e oferecem oportunidades atraentes de ‘carry trade’ devido aos seus elevados rendimentos reais”, disse Ryan, que se declarou “otimista em relação à América Latina”.
Real e peso colombiano se destacam entre emergentes
O especialista Davison Santana, da Bloomberg Intelligence, avaliou que “o real brasileiro e o peso colombiano continuam se destacando entre as moedas emergentes, pois combinam altos rendimentos com uma relação entre retorno e risco que continua sendo uma das mais atraentes do universo emergente, mesmo após os fortes ganhos acumulados”. Para ele, as duas moedas “continuam sendo as opções mais sólidas por uma ampla margem, tanto em termos de ‘carry quanto’ de ‘carry ajustado’ pela volatilidade”.
Santana também fez um alerta: “ambas as moedas permanecem expostas a um eventual aumento das taxas de rendimento de longo prazo nos Estados Unidos”.
O Goldman Sachs seguiu na mesma direção e avaliou que “o Brasil e a Colômbia continuam sendo as moedas emergentes mais atraentes para estratégias de ‘carry'” e que “ambas também são favorecidas pela evolução dos preços da energia, embora reconheça que continuam sensíveis a uma mudança nas expectativas em relação à política monetária dos Estados Unidos”.
Sobre o real especificamente, a Ebury apontou que “o real tem sido apoiado pelas altas taxas de juros e pelos preços do petróleo”, mas advertiu que “a incerteza política e fiscal continuará sendo um fator relevante para a evolução da moeda”.
Peso colombiano: euforia com ressalvas
Diego Barnuevo, analista da BBVA FX Strategy, atribuiu parte do desempenho colombiano à política interna. “A vitória de De la Espriella, sem dúvida, impulsionou a confiança dos investidores, e prevemos que as altas taxas de juros reais ofereçam suporte no curto prazo”, disse. Ainda assim, ele fez uma ressalva direta: “Acreditamos que a alta atual possa ser excessiva. No entanto, acreditamos que a consolidação fiscal pode não atender às expectativas do mercado, dados os importantes obstáculos políticos existentes, que poderiam pôr fim ao atual período de lua de mel”.
Guaraní, peso dominicano e mexicano também avançaram
O guaraní paraguaio também registrou valorização em julho. A analista Ingrid Herrera explicou que “a política de intervenção cambial do Banco Central do Paraguai reduziu a liquidez em moeda local ao longo do ano, obrigando as instituições financeiras a vender dólares para obter guaranis e, ao mesmo tempo, diminuindo a demanda por moedas estrangeiras — uma combinação que fortaleceu a taxa de câmbio”.
Já o economista Juan Mejía atribuiu o bom desempenho do peso dominicano em 2026 “ao dinamismo do turismo, às remessas, ao investimento estrangeiro direto, ao aumento do valor das exportações de ouro e a uma política monetária prudente que ajudou a manter a confiança do mercado”.
Para o peso mexicano, a Ebury previu que a moeda “continue se beneficiando da redução gradual da incerteza em torno da revisão do tratado comercial com os Estados Unidos e o Canadá, do processo de realocação de empresas e da relativa solidez da economia norte-americana”. O Goldman Sachs “mantém uma visão favorável em relação ao ‘carry trade do’ peso mexicano, embora alerte que ele continua sendo uma das moedas latino-americanas mais sensíveis a um eventual endurecimento da política monetária do Federal Reserve”.
Veja as moedas da América Latina com desempenho registrado em julho:
- Peso colombiano (USDCOP)
- Real brasileiro (USDBRL)
- Guaraní paraguaio (USDPYG)
- Peso dominicano (USDDOP)
- Peso mexicano (USDMXN)
- Colón da Costa Rica
- Sol peruano (USDPEN)
- Quetzal guatemalteco
- Peso chileno (USDCLP)
- Lempira hondurenho (USDHNL)
- Peso uruguaio (USDUYU)
- Peso argentino (USDARS)

Com informações da Bloomberg Linea.