A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) prevê que a conta de luz dos brasileiros terá reajuste médio de 8,6% ao longo de 2026 — percentual que ultrapassa tanto a estimativa de inflação pelo IPCA, de 4,9%, quanto pelo IGP-M, de 5,8%. Para consumidores do Norte e Nordeste, porém, há uma perspectiva diferente: clientes atendidos por 22 distribuidoras devem ter desconto nas faturas.
Por que a conta de luz vai subir em 2026
O boletim divulgado pela Aneel nesta sexta-feira (12) aponta os encargos setoriais como um dos principais vetores da alta. Segundo a agência, esses encargos responderão por 20,6% da composição da tarifa residencial no próximo ano. São cobranças que financiam subsídios e políticas públicas do setor elétrico — e que, entre junho de 2025 e maio de 2026, acumularam R$ 55 bilhões.
Entre os fatores que pesam sobre a tarifa, a Aneel destaca a Conta de Desenvolvimento Energético (CDE) na modalidade Uso, que pressiona os valores para cima. Em sentido contrário, a CDE na modalidade Geração Distribuída reduz parcialmente esse efeito. Outro ponto: a estimativa de devolução de PIS/Cofins foi revisada de R$ 6,4 bilhões para R$ 5,3 bilhões, o que também limita qualquer alívio. Os componentes financeiros, somados, adicionam 4,3 pontos percentuais ao reajuste. Em dezembro de 2026, a tarifa residencial B1 deve chegar a R$ 851 por MWh.
Desconto para o Nordeste e bônus de Itaipu
Apesar do cenário nacional de alta, clientes de 22 distribuidoras nas regiões Norte e Nordeste contarão com desconto nas faturas. O abatimento será pago com recursos de Uso de Bem Público (UBP) e pode chegar a 5,8%. O percentual exato ainda depende de definição pela diretoria da Aneel.
Há ainda outra possibilidade de alívio prevista para agosto: o chamado Bônus de Itaipu. Consumidores residenciais e rurais com consumo mensal de até 350 kWh poderão receber um crédito diretamente na fatura. A proposta, contudo, ainda aguarda aprovação formal pelo colegiado da agência.
