Um estudo de pesquisadores da França associa o consumo frequente de cinco conservantes alimentares a um risco maior de câncer, conforme divulgado nesta quinta-feira (15). A pesquisa, que acompanhou mais de 105 mil adultos, reacende o debate sobre os impactos de longo prazo de alimentos ultraprocessados na Saúde.
Os resultados, conduzidos pela Université Sorbonne Paris Nord e pela Université Paris Cité, não apontam uma relação de causa direta. Eles sugerem que a exposição contínua a certos aditivos químicos merece atenção, especialmente quando esses produtos compõem grande parte da dieta.
Pesquisa liga conservantes alimentares a risco de câncer
A pesquisa acompanhou mais de 105 mil adultos, com idade média de 42 anos. Os cientistas avaliaram hábitos alimentares, estilo de vida e condições de saúde dos participantes ao longo de mais de sete anos.
Durante o período de observação, 4.226 participantes receberam diagnóstico de câncer. Os casos incluíram câncer de mama, próstata e cólon, segundo os dados do estudo.
Os cientistas analisaram 17 conservantes amplamente utilizados pela indústria alimentícia. O objetivo foi identificar possíveis associações entre o consumo dessas substâncias e a incidência da doença.
Cinco aditivos químicos associados a maior risco
Entre todos os aditivos analisados, cinco conservantes se destacaram por apresentarem associação com maior incidência de câncer. Eles estão presentes em alimentos consumidos rotineiramente por grande parte da população.
Conservantes identificados:
- Nitrato de sódio, comum em carnes processadas como bacon, salsicha e salame.
- Sorbato de potássio, usado em doces, coberturas, condimentos e carnes industrializadas.
- Sulfitos, encontrados em biscoitos, cereais, sucos engarrafados e embutidos.
- Acetatos, empregados em carnes processadas, produtos de panificação e refeições prontas.
- Ácido acético, utilizado como conservante e regulador de acidez em alimentos industrializados.
Essas substâncias foram associadas a aumentos modestos, porém consistentes, no risco Geral de câncer. O estudo também apontou relações específicas com câncer de mama e câncer de próstata.
Possíveis mecanismos biológicos
Os pesquisadores da Université Sorbonne Paris Nord e da Université Paris Cité destacam que os mecanismos exatos ainda não estão totalmente esclarecidos. Há hipóteses de que alguns conservantes possam interferir na resposta do sistema imunológico.
Outras possibilidades incluem o favorecimento de processos inflamatórios crônicos ou a influência em alterações celulares ao longo do tempo. O consumo elevado desses aditivos costuma estar associado a dietas pobres em fibras, antioxidantes e micronutrientes protetores, o que pode agravar riscos à saúde.
O papel dos ultraprocessados na dieta
O estudo reforça um problema mais amplo: a dependência crescente de alimentos ultraprocessados. Em alguns países europeus, esses produtos já representam mais da metade da ingestão calórica diária.
Diretrizes nutricionais recomendam que a maior parte da alimentação seja composta por alimentos in natura ou minimamente processados. Exemplos incluem frutas, verduras, legumes, grãos integrais, leguminosas, carnes frescas e laticínios simples.
Recomendações para a alimentação
Os resultados não sugerem pânico, mas apontam para a importância de moderação e escolhas conscientes. Reduzir o consumo de produtos ultraprocessados é uma medida.
Variar a alimentação e ler rótulos com atenção são outras ações simples. Elas podem contribuir para a saúde a longo prazo, conforme as recomendações dos especialistas.
Pesquisa francesa associa cinco conservantes alimentares, comuns em ultraprocessados, a um risco maior de câncer.
Com informações do R7
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