Com autorização da Justiça Federal para bloquear R$ 670 milhões em bens e valores, a Polícia Federal deflagrou nesta terça-feira (23) a Operação Miragem em São Paulo. O alvo é o Banco Digimais, instituição financeira de propriedade de Edir Macedo, fundador da Igreja Universal do Reino de Deus.
O que investiga a Operação Miragem da PF
A ação apura, em tese, crimes contra o Sistema Financeiro Nacional. Segundo a PF, os investigados teriam manipulado demonstrativos contábeis para ocultar a real situação financeira do banco e aparentar solvência perante órgãos de controle — o que, segundo as investigações, teria viabilizado operações irregulares.
Cinquenta policiais federais participaram da operação. Foram cumpridos nove mandados de busca e apreensão, expedidos pela Justiça Federal, que também autorizou o afastamento de sigilos bancário e fiscal dos investigados.
Auditoria apontou R$ 3 bilhões em fundos sem transparência
Um dos elementos centrais da investigação é um balanço do segundo semestre de 2025 elaborado pela auditora Clifton Larson Allen Brasil. O documento apontou que o Banco Digimais mantinha R$ 3 bilhões aplicados em fundos cujas demonstrações financeiras não puderam ser auditadas — montante equivalente a 73% do total investido pelo banco em fundos.
As datas mencionadas na documentação que originou as apurações apresentam inconsistências: a operação é descrita como ocorrida em 23 de junho, mas referências internas à fonte apontam também para maio e para o ano de 2026, sem que as contradições tenham sido esclarecidas.
A identidade dos demais investigados não foi divulgada pela Polícia Federal. O caso segue em investigação.
