L. F., apontado como chefe de uma organização criminosa especializada em golpes digitais e troca fraudulenta de linhas telefônicas, foi preso nesta quinta-feira (20) no Piauí. A prisão ocorreu durante a segunda fase da Operação Chip Falso, conduzida pela Polícia Civil do estado, que também deteve outras cinco pessoas e cumpriu 32 mandados judiciais.
Ao todo, as seis prisões atingem integrantes com papel direto na cúpula do esquema, segundo o delegado Humberto Mácola, do Departamento de Repressão aos Crimes Cibernéticos. O grupo é investigado por fraudes eletrônicas e invasão de sistemas, e operava a partir do Piauí com vítimas espalhadas por pelo menos oito estados brasileiros.
Como a fraude funcionava
O esquema envolvia o uso de dados pessoais, documentos falsificados e selfies biométricas manipuladas para acessar ilegalmente contas e serviços vinculados às vítimas. Uma das práticas centrais era a troca fraudulenta de titularidade de linhas telefônicas junto às operadoras — técnica conhecida no meio policial como SIM Swap —, que permitia ao grupo interceptar autenticações e assumir o controle de contas bancárias e outros serviços digitais.
L. F., em tese, era responsável por recrutar pessoas para viabilizar as fraudes. Segundo o delegado Mácola, ele foi baleado no início deste ano em uma ocorrência sem relação com a investigação atual.
A Polícia Civil identificou que o grupo chegou a mudar de endereço após a primeira fase da operação. “Seis pessoas presas estão envolvidas diretamente na liderança da organização. É um desdobramento da primeira fase, nós obtivemos outras informações. É uma fraude que era cometida numa casa da fraude na primeira fase, eles se mudaram para uma segunda casa da fraude, começaram a operar em uma segunda casa da fraude, expandindo, fazendo vítimas no Brasil inteiro”, disse Mácola.
Investigação avança para outros estados
Com a prisão do suspeito apontado como articulador central do esquema, a Polícia Civil planeja ampliar as apurações em âmbito nacional. O delegado explicou que a corporação já sabe como o grupo conseguia invadir sistemas, com participação de pessoas fora do Piauí.
“Ele fazia a captação das pessoas, foi baleado no começo do ano em uma outra situação que não envolve a investigação, então é importante a prisão dessa pessoa que arquitetava tudo, que organizava toda a fraude e a partir daí nós iremos agora escalar as investigações em âmbito nacional. Nós temos já as informações de como ele conseguia invadir esse sistema, com a participação de pessoas fora do estado do Piauí e agora é avançar com a investigação e continuar pelo bem da sociedade”, afirmou Mácola.
A operação contou com a participação da Superintendência de Operações Integradas, do Departamento de Operações Policiais e do Departamento de Repressão às Ações Criminosas Organizadas.
Estados com vítimas da fraude
Vítimas do esquema foram identificadas nos seguintes estados:
- São Paulo
- Maranhão
- Pernambuco
- Bahia
- Santa Catarina
- Rio de Janeiro
- Mato Grosso
- Minas Gerais

Com informações do Cidade Verde.