Francisco José Borges da Silva, caminhoneiro, foi até o Instituto de DNA Forense da Polícia Civil do Piauí, em Teresina, na terça-feira (25), para entregar material genético que pode ajudar a localizar o irmão desaparecido há 26 anos. Eloia José dos Santos Neto sumiu no dia 31 de dezembro de 1999 e nunca mais foi encontrado.
A coleta de DNA faz parte da Semana de Mobilização de Coleta de DNA, campanha nacional coordenada pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública. Os dados genéticos coletados serão inseridos no banco piauiense e no Banco Nacional de DNA, onde serão comparados com perfis de pessoas não identificadas — vivas ou falecidas.
A busca por um desaparecido em Teresina: o que o DNA pode revelar
Eloia tinha 39 anos quando desapareceu. Hoje, caso esteja vivo, estaria com 65. Francisco contou que o irmão convivia com limitações cognitivas severas. “Hoje ele está com 65, se estiver vivo. Ele foi diagnosticado pelos médicos como tendo a mentalidade de uma criança de 6 anos. Além do problema mental, ele também tinha problemas com bebida”, disse.
A mãe dos dois, hoje com 83 anos, nunca obteve qualquer notícia sobre o paradeiro do filho. Francisco resume o que move a família depois de tanto tempo: “Queremos ter pelo menos uma notícia para aquietar o coração, coisa que minha mãe até hoje não tem”.
Ele soube da campanha pela imprensa e decidiu participar. Durante as viagens como caminhoneiro, Francisco disse que observa pessoas nas estradas na esperança de reconhecer o irmão.
O perito criminal Jesus Cardoso explicou que a doação de material genético por irmãos é válida para o processo de identificação. “Se a única família que você tem para doar são irmãos, quanto maior o número, melhor. Nós temos um software, um programa, que vai fazer um cálculo estatístico da probabilidade desse parente desaparecido ser irmão desses doadores”, afirmou.
Cardoso também destacou que objetos pessoais guardados pela família podem conter DNA utilizável. “Às vezes, dependendo de como o familiar guardou esses objetos, o DNA pode estar guardado lá. As células do cabelo, por exemplo, podem durar muito tempo”, disse.
Todos os 26 estados e o Distrito Federal integram a rede nacional de genética forense. O Piauí passou a fazer parte desse sistema em 2021. “Hoje os 26 estados, junto com o Distrito Federal, estão dentro dessa rede de genética. Então todos os materiais que são doados ou que são pegos restos mortais são colocados nesse Banco Nacional”, explicou o perito.
Para Cardoso, a campanha vai além da esperança de reencontro. “O projeto desaparecido, essa campanha, tem uma importância enorme para a sociedade. Quantas famílias não procuram seus parentes do IML, com aquela sensação de não saber onde ele está. Por mais que a família encontre o seu parente morto, mas aquela dúvida que corrói anos e anos, ela é resolvida. De uma forma não muito positiva, mas vai dar um descanso, um conforto ao familiar que vai poder sepultar e fazer todos os rituais que uma família pode fazer com seu alguém querido e resolver outras pendências jurídicas, como crianças que não têm pensão porque os pais não foram achados”, afirmou.
No primeiro semestre de 2026, o Piauí registrou 415 casos de desaparecimento, segundo o Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa.

Com informações da Portal O Dia.