Débora Silva, 27 anos, cresceu na zona rural do Piauí cercada pela cultura da carnaúba. Foi essa vivência que a levou a idealizar o Rastro e Voz, um aplicativo gratuito desenvolvido por jovens piauienses para registrar a produção de extrativistas e abrir novos mercados para a cadeia produtiva da palmeira. A ferramenta está em fase de testes com 24 artesãs ligadas à carnaúba no estado.
O projeto nasceu durante o Programa Juventude Rural Transformadora, promovido pela Secretaria de Agricultura Familiar (SAF) em parceria com o Instituto Federal do Piauí (IFPI) e o Ministério do Desenvolvimento Social (MDS). Na primeira turma, o programa capacitou 100 jovens em temas como agricultura familiar sustentável, agroecologia, cooperativismo e desenvolvimento territorial.
Aplicativo de carnaúba do Piauí funciona sem internet
Débora formou uma equipe com outros jovens — Luciane Ferreira, Jayne Carla, Marcílio Honnayb e a desenvolvedora Jainí Medeiros — para transformar a ideia em produto. O Rastro e Voz funciona no modelo offline, o que permite seu uso mesmo em localidades sem conexão à internet, característica relevante para comunidades extrativistas do Território dos Carnaubais, no norte do estado.
A meta é alcançar 100 usuários cadastrados. Pelo sistema, é possível registrar a produção individual de cada trabalhador, mapear os extrativistas e criar um histórico que facilite a negociação com novos compradores.
Para Débora, a ligação com o tema foi o ponto de partida. “Eu já tenho essa ligação com a questão da carnaúba. Sou da zona rural, então a gente sabe a lida do dia a dia do extrativista. Com o programa, eu tive muito conhecimento sobre o território e sobre os desafios das comunidades”, disse ela.
O foco, por ora, é consolidar o aplicativo dentro da cadeia da carnaúba antes de pensar em expansão. “O nosso foco é trabalhar com a cadeia da carnaúba até dar certo. Depois a gente pensa em seguir para outras cadeias produtivas”, afirmou a idealizadora.
Os testes do sistema de rastreabilidade envolvem artesãs da Associação das Mulheres Carnavieiras do Estado do Piauí (Amacep), com apoio da Startup Piauí. O projeto tem como base Campo Maior, cidade do norte piauiense que integra o Território dos Carnaubais.
“A transformação começa quando entendemos a realidade do nosso território e decidimos fazer parte da mudança. A juventude rural tem um enorme potencial para inovar sem perder suas raízes”, disse Débora.
A SAF prevê abrir 130 vagas na próxima edição do Programa Juventude Rural Transformadora.

Com informações do G1.