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11 de dezembro de 2017

Entenda o atrito entre 4G e TV digital no Brasil


Hospital de Olhos

A licitação da faixa dos 700 Megahertz para o 4G causa polêmica há algum tempo no Brasil. Por enquanto, o serviço de banda larga móvel de quarta geração só funciona na faixa dos 2,5 Gigahertz no país. Mas os 700 megahertz – espectro usado na maioria dos países com serviço de 4G estável – são bastante cobiçados; além de maior alcance, a baixa frequência apresenta menos ruídos e interferências. O governo promete licitar essa faixa para as operadoras de telefonia móvel em breve.

O que acontece é que a TV digital opera em uma frequência muito próxima aos 700 megahertz; mas a partir da licitação, vai ceder um espaço dentro dessa faixa para a alocação do 4G/LTE. O problema é que se isso não for muito bem feito, a interferência entre os serviços será inevitável. Para entender melhor, imagine um salão onde antes apenas a TV digital falava entre si; aí eles resolveram colocar o 4G lá dentro desse salão e separarar os dois apenas por uma parede muito fina; resultado, um pode escutar e atrapalhar a conversa do outro.

O que é necessário hoje é uma regulamentação muito clara, bem elaborada e baseada em resultados de testes de interferência entre os sistemas”, diz Julio Omi, responsável pelo Laboratório de TV Digital do Mackenzie.

Quem dita as regras desse jogo é a Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações). E para que o Brasil tenha um 4G de qualidade sem interferir no bom funcionamento da TV digital, cabe a ela definir claramente e com rigor as bandas de frequência que cada um desses serviços deverá funcionar.

Preocupados com a situação, a Sociedade Brasileira de Engenharia de Televisão contratou a Universidade Mackenzie para realizar testes sobre a interferência do 4G na TV digital. Os ensaios foram todos feitos numa gaiola blindada eletromagneticamente, onde nenhum sinal de rádio externo é capaz de penetrar.

“Os sinais são gerados através de equipamentos de testes específicos dentro da sala, de forma que só temos aqueles sinais que nós queremos”, explica Omi.

Os resultados foram notórios; preste atenção no sinal da TV quando se aumenta a potência do sinal 4G dentro da gaiola. Assim, é fácil concluir que se as regras de operação não forem bem definidas, haverá interferência. Nessa discussão, algumas pessoas mais radicais chegaram a falar em “apagão” da TV digital. Segundo o professor, isso já é exagero. Mas, dependendo da localização, uma residência pode sofrer muito para assistir TV com qualidade.

Segundo Olímpio José Franco, presidente da SET, se você está perto de uma estação-base, que são essas torres que estão em cima dos prédios com as antenas de celular, uma antena coletiva do seu prédio ou casa, isso pode causar saturação ou interferência.

Para a Sociedade Brasileira de Engenharia de Televisão, a resolução atual da Anatel não é suficiente. É preciso mais rigor. As operadoras de telefonia móvel não se pronunciaram sobre a situação, mas conversamos com um especialista para explicar que – se não forem definidos os espaços de cada um – a interferência será recíproca entre as faixas moduladas. Ou seja, TV digital também vai interferir na qualidade do sinal 4G/LTE.

“Você começa a ter erro de bits sendo transmitidos nessa modulação digital. Uma página de internet, um arquivo que você está baixando no seu celular começam a ter uma taxa de tansferência muito mais lenta porque aqueles bits que foram errados por conta da intermodulação (a interferência entre um e outro) precisam ser repetidos várias vezes”, diz Alessandro Cunha, diretor de tecnologia da Tech Training. Segundo ele, o usuário não consegue atingir a velocidade adequada porque a interferência “consome” a largura de banda só em erros de retransmissão.

Aí a gente se pergunta: toda essa discussão por aqui e nos Estados Unidos o 4G funciona perfeitamente na faixa dos 700 megahertz sem atrapalhar a transmissão da TV digital; por que, hein?!

Segundo nosso entrevistado, o que acontece por lá é que além de as faixas de frequência que cada tecnologia deve usar serem muito bem definidas, a determinação é respeitada pelas emissoras de TV e operadoras de telefonia móvel e também constantemente fiscalizado pela agência responsável. “E a regra feita pelos órgãos de outros países garante um espaçamento mínimo, um isolamento mínimo entre uma frequência e outra, de modo que não haja essa sobreposição”, esclarece Cunha. “O grande problema de 4G e TV digital é sobreposição e isso passa por regulamentação.”

Mais do que isso, ele afirma que a qualidade de instalação, os instrumentos de medição utilizados para testar essa qualidade e a definição dos parâmetros; é tudo perfeito e cuidado. Já aqui no Brasil, talvez a pressão do governo pelo funcionamento do 4G até o início da Copa do Mundo esteja atrapalhando um pouco as coisas.

Nós também tentamos falar com a Anatel e a agência se limitou a dizer, através de nota, que as propostas para licitação do uso da faixa dos 700 megahertz para a banda larga móvel de quarta geração e da TV digital na faixa de 698 a 806 megahertz serão colocadas em consulta pública durante o mês de maio. Ainda segundo a Anatel, há previsão de três audiências públicas em Brasília (ainda sem datas definidas). E será através dessas consultas e audiências que a Anatel pretende aperfeiçoar as duas propostas.

Independente do que for decidido, a conclusão é: se a gente quiser se comparar aos Estados Unidos, por exemplo, as empresas precisarão respeitar estritamente as definições da Anatel, com instalações bem feitas; e a Anatel, por sua vez, precisará fiscalizar o funcionamento de ambas as tecnologias se quiser TV digital e 4G convivam em harmonia sem qualquer interferência. NCada um fazendo seu papel.

Fonte: Olhar Digital

Radar Financeira

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