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18 de dezembro de 2017

Caso de espionagem abre debate sobre privacidade na web


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As surpreendentes denúncias publicadas pelo jornal britânico The Guardian e o americano The Washigton Post sobre o alcance da vigilância do governo dos EUA sobre redes de comunicações internacionais abriram um acalorado debate sobre a questão da privacidade na internet.
Segundo os jornais, como parte de um programa de espionagem chamado PRISM (sigla em inglês para Métodos Sustentáveis de Integração de Projetos), agentes da Agência Nacional de Segurança dos EUA (NSA na sigla em inglês) teriam acesso direto aos servidores de uma série de grandes empresas que manejam redes de comunicações privadas na web, incluindo Google, Microsoft, Facebook, Yahoo, Skype e Apple, além de acessarem informações da rede de telecomunicações Verizon.
O programa coletaria dados como conteúdo de e-mails, histórico de navegação, conversas de chats e transferências de arquivos.
Seu objetivo seria, principalmente, obter informações sobre suspeitos e redes de terrorismo, segundo autoridades americanas.
Todas as empresas negam ter conhecimento sobre este programa, insistindo que não oferecem acesso amplo a seus dados, mas apenas abrem informações quando recebem intimações judiciais relacionadas a indivíduos específicos.

Explicações
James Clapper, diretor a NSA, tentou tranquilizar o público americano dizendo que a operação teria como objetivo apenas monitorar cidadãos de outros países – o que evidentemente não ajudou muito a reduzir as preocupações de grupos e indivíduos fora dos EUA.
Neste sábado, por exemplo, foi anunciado que funcionários do centro de espionagem britânico Government Communications Headquarters (Quartel-general de Comunicações do Governo, ou GCHQ), terão de prestar depoimento em um comitê parlamentar sobre as denúncias de que teriam tido acesso a dados do PRISM.
Segundo o The Guardian, o GCHQ teria obtido informações sobre cidadãos britânicos por meio do programa. O centro, porém, diz ter operado "dentro de quadros legais" britânicos.
Hoje, boa parte da população global tem uma presença online e compartilha dados pessoais por meio de e-mails ou redes sociais.
A questão que o caso levanta, segundo o jornalista especializado em tecnologia da BBC Rory Cellan-Jones é como podemos confiar nossos dados e questões relativas a nossa privacidade a empresas americanas – que armazenam todo esse conteúdo em grandes centros de informações nos EUA.
"É possível que essas empresas sejam rigorosas no controle desses dados e de nosso direito à privacidade, mas também é possível que se sintam obrigadas a cooperar diante das exigências do governo", escreveu Cellan-Jones.


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