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15 de dezembro de 2017

Mãe e filha acusam loja na Zona Oeste do Rio de discriminação; veja o vídeo


Hospital de Olhos

A estudante Thainá Cristina da Rocha Azevedo, de 19 anos, acusa uma vendedora e a gerente da loja Aquamar, do Bangu Shopping, que fica na Zona Oeste do Rio, de difamação e discriminação racial, por causa de um incidente ocorrido no fim da tarde da última segunda-feira. Segundo a jovem, ela e a mãe foram acusadas pelas funcionárias de roubar mercadorias da loja e obrigadas — inclusive por seguranças do shopping — a abrir a bolsa e mostrar o que tinha dentro. O caso foi registrado em vídeo por pessoas que frequentavam o local no momento da confusão e publicaram as imagens nas redes sociais. Em pouco mais de cinco horas após a publicação, o vídeo já havia sido compartilhado no Facebook por mais de 900 pessoas. De acordo com a assessoria de comunicação da Polícia Civil, o caso foi registrado como injúria na 34ª DP (Bangu) e encaminhado para o Juizado Especial Criminal (Jecrim).

Segundo Thainá, ela estava com a mãe na loja que costuma frequentar, por morar perto do shopping, quando decidiu experimentar uma saia que tinha visto na vitrine, com uma etiqueta no valor de R$ 21. Depois de escolher outras peças e entrar no provador, que fica no segundo andar, ela diz que reparou que algumas vendedoras da loja observavam o que ela fazia. A estudante diz que percebeu que o tamanho não serviria e decidiu apenas experimentar um outro short, quando foi surpreendida por uma funcionária da loja.

— Depois de pedir a saia com o meu número, fui subir para experimentar e vi que as meninas da loja já estavam me olhando torto. Eu estava de chinelo e short, porque estava quente e costumo ir com frequência nesse shopping e, especificamente, nessa loja. Tenho até cadastro lá. Quando eu desisti de experimentar a saia, vi um short que me agradou. Pedi para experimentar e uma vendedora me disse que só poderia fazer isso no andar de baixo. Eu desci e vi vários vendedores e um segurança do shopping andando na minha direção. O alarme tocou e uma das vendedoras disse que minha mãe havia guardado uma mercadoria dentro da bolsa — explica Thainá.

Ao ser acusada pelas funcionárias, ainda segundo a jovem, a mãe dela abriu a bolsa e jogou tudo o que tinha dentro no chão. Apesar de nada ter sido encontrado, Thainá conta que uma vendedora insistiu na acusação de que as duas tinham furtado mercadorias.

— Veio uma vendedora e gritou na minha cara: ‘você pegou que eu vi!’. Foi um constrangimento horrível, porque muitas pessoas estavam ao redor e viram elas acusando a gente. Eu nunca passei por nada parecido. Depois que as pessoas que estavam dentro da loja vieram me defender, a vendedora e a gerente se esconderam. Uma outra que também se dizia gerente veio me pedir desculpas — explica Thainá, que diz que já fez até entrevista para trabalhar na loja — Tenho amigas lá dentro e chegaram até a me chamar para uma entrevista de emprego lá uma vez. Nunca imaginei que isso pudesse acontecer com uma cliente frequente — lamenta.

 

Thainá e a mãe foram até a delegacia para registrar o caso, acompanhadas das duas funcionárias da loja envolvidas. Em nota emitida por assessoria de comunicação, a administração do Bangu Shopping informa que “não houve revista das clientes por parte de sua equipe de segurança.” Também em nota, a gerente de marketing da Aquamar, Betania Waldrich, disse que “A Aquamar acredita na apuração dos fatos junto às autoridades e confirma que condena qualquer atitude racista”.

Entenda a diferença entre difamação, injúria e discriminação racial

O caso de Thainá, segundo a Polícia Civil, foi registrado na 34ª DP (Bangu) como injúria, apesar da jovem ter dito ao EXTRA que foi vítima de difamação e discriminação racial por conta das funcionárias da loja Aquamar. De acordo com a polícia, o caso foi registrado como injúria por se tratar de uma ofensa pessoal. Entenda a diferença entre os crimes de injúria, difamação e discriminação racial, de acordo com o Código Penal:

– Difamação: é um crime previsto no Artigo 139 do Código Penal que consiste em “difamar alguém, imputando-lhe fato ofensivo à sua reputação”, ou seja, quando uma pessoa acusa outra de algo que ter tido uma atitude que lhe fira a honra. Por exemplo: se alguém diz, de maneira equivocada, que outra pessoa roubou algo ou chegou embriagado ao trabalho, isso é difamação, pois é algo que lhe atinge a honra. A pena é de detenção de três meses a um ano, além de multa.

– Injúria: é um crime previsto no Artigo 140 do Código Penal que consiste em “injuriar alguém, ofendendo-lhe a dignidade ou o decoro”, ou seja, quando uma pessoa é ofendida. Por exemplo: se alguém chama outra pessoa de ladrão, isso é uma injúria. A pena é de detenção, de um a seis meses, ou multa. De acordo com o parágrafo terceiro desse mesmo artigo, “se a injúria consiste na utilização de elementos referentes a raça, cor, etnia, religião, origem ou a condição de pessoa idosa ou portadora de deficiência”, a pena é de reclusão de um a três anos e multa.

– Discriminação racial (ou Racismo): o crime de racismo é previsto no Artigo 20 da Lei nº 7.716, de 1989, e consiste em “praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional”. Esse crime é caracterizado quando as ofensas não sejam direcionadas a uma pessoa ou pessoas determinadas, e sim a determinada raça, cor, etnia, religião ou origem, agredindo um número indeterminado de pessoas. A pena é de detenção de um a três anos e multa e o crime é inafiançável.

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