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Com limitações de vagas, Hospital de Urgência de Teresina faz seleção de pacientes para UTI; veja

Edição e postagem: Leomar Duarte, em 27-03-2014 14:33 | Última modificação: 27-03-2014 18:13
Hospital de Olhos

Por falta de Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) no estado do Piauí muitos pacientes estão sofrendo dificuldades e até morrendo. Segundo o diretor do Hospital de Urgência de Teresina (HUT), Gilberto Albuquerque, o médico plantonista escolhe os que têm menos idade e maiores chance de sobrevivência para as vagas de UTI no hospital.

“Como temos uma demanda por UTI maior que a oferta, o plantonista seleciona entre os pedidos aquele que tem mais perspectiva de sobrevida, então há de certa forma uma seleção de quem vai para UTI e de quem não vai, por falta de vagas”, disse o diretor do HUT, Gilberto Albuquerque.

Imagens feitas por uma câmera escondida e gravadas por um cinegrafista amador dentro do HUT mostram salas lotadas. Em um ambiente com capacidade para quatro pacientes estavam 12, outras 24 pessoas aguardavam por uma vaga de UTI no Hospital de Urgência de Teresina.

Sem se identificar, uma acompanhante questiona o que é dito pelo diretor e funcionários do hospital. “É inadmissível um médico, uma pessoa, dizer para gente: oh, minha filha, quem tem vez aqui é quem tem 17, 18, 19, 20 anos. Então eu pergunto: quem tem 50,60, 70 anos tem que morrer?”, diz a mulher que acompanhava a mãe, que sofreu um acidente vascular cerebral e estava internada no hospital.

No Piauí, existem 318 leitos de UTI e apenas 130 são da rede pública de saúde. A Justiça do estado determinou que os hospitais municipais não devem deixar ninguém sem UTI, ainda que tenham que recorrer à rede privada. Mesmo assim, quase todos os dias, parentes buscam na Justiça o direito por uma vaga.

Segundo Kelson Veras, presidente da Sociedade de Terapia Intensiva do Piauí alguns pacientes acabam morrendo durante a espera. “Dois morreram esperando por vaga na UTI, sem que fosse obedecido o mandado que determinava que eles fossem internados em UTI pública ou particulares”, afirmou.

O gestor de saúde do SUS no Piauí, Noé Fortes, apontou a grande demanda e a pouca quantidade de leitos disponíveis, como fatores do problema. “Nós temos uma população muito grande advinda de vários lugares, do estado do Piauí, Maranhão e da cidade de Teresina. Já a quantidade de leitos é pequena, não só na questão dos hospitais públicos quanto também dos hospitais privados, que são conveniados com o SUS”, informou o gestor do SUS em Teresina, Noé Fortes.

Para a vereadora Tereza Brito, presidente da Comissão de Saúde da Câmara, a situação é gravíssima. “Eu mesma presenciei uma pessoa ir a óbito por falta de UTI. Ele tinha 23 anos e morreu no domingo de carnaval aqui no HUT”, disse.

A vereadora também denuncia que a rede privada não está cumprindo com seu papel.

“Alguns hospitais particulares são conveniados, mas só recebem os pacientes de acordo com seus interesses, sendo que 70% dos recursos do SUS no Piauí estão indo para rede privada. Esta situação é gravíssima e nós da Câmara vamos cobrar da Prefeitura e do Ministério Público para que se faça uma intervenção”, reclamou a vereadora.
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Fonte: G1 Piauí

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