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24 de Janeiro de 2018

Menino assassinado por policiais no Complexo do Alemão no Rio de Janeiro será sepultado no Piauí


Hospital de Olhos

O corpo do estudante Eduardo de Jesus Ferreira, de 10 anos, assassinado na última quinta-feira no Complexo do Alemão, no Rio de janeiro, por policiais em tiroteio com traficantes, será transferido neste domingo para Corrente (900km de Teresina), para ser enterrado.

O voo sairá às 11h15 do Rio em direção a Teresina. De lá, Teresina Maria de Jesus, o pai de Eduardo e mais duas irmãs do menino irão até Corrente onde ficarão até o dia 15 de abril. A definição ocorreu após uma reunião neste sábado entre a família, a secretária de Assistência Social do Rio, Teresa Cossentino, e a secretária de Promoção dos Direitos da Criança e do Adolescente, Angélica Goulart.

Sua mãe, a diarista Teresinha Maria de Jesus, de 40 anos, que é piauiense, falou que o Governo do Rio de Janeiro já acertou os detalhes para levar o corpo do filho até Corrente, onde será sepultado, Terezinha é piauiense e disse que virá para o Piauí para enterrar o filho.

“Já está tudo certo, uma funerária foi contratada para levar meu filho até Corrente”, disse Terezinha Maria de Jesus.

Eduardo de Jesus Ferreira estava na porta da casa e as imagens de Terezinha Maria de Jesus correram o mundo quando ela aparece dizendo que os policiais tiram uma parte dela e tentando se jogar contra os carros em movimento na comunidade Areal no Complexo do Alemão. Duas filhas de Terezinha Maria , o genro e uma amiga saíram do Rio de Janeiro de ônibus até Brasília seguiram para Corrente.

O jornal “O Globo” , do Rio de Janeiro, informou que Terezinha Maria de Jesus tem quatro filhos adultos e Eduardo de Jesus era o mais novo e o mais próximo da mãe. Um dos acessos ao Complexo do Alemão, em ato de desespero, ela ameaçou a se jogar na frente dos carros que passavam pela Estrada do Itararé, mas foi impedida pelo marido.

Terezinha Maria disse que foi ameaçada por um policial militar quando se deparou com o filho morto na porta de casa. “Ele disse: já que matei o filho, posso matar a mãe também. Eu gritava que ele tinha acabado com a vida do meu filho e cheguei a agredi-lo. Eles atiraram menos de 10 metros e sabiam que era uma criança”, disse Terezinha chorando.

Ela afirmou ainda que reconhece o policial que atirou contra seu filho. A versão de que seu filho estaria armado com a pistola durante a ação foi negada por Terezinha. “Meu filho não é bandido. Ele não estava com arma. Ele tinha um celular na mão quando foi morto”. Os tiroteios sucessivos entre PMs e traficantes vêm assustando a comunidade nos últimos três meses. Quatro pessoas morreram em 24 horas. Natural de Corrente, Terezinha Maria que mora há 16 anos no Rio de Janeiro disse que deixará a cidade após a morte do filho. “Eu não quero deixar um pedaço de mim nesse lugar. Tenho cinco filhos e não quero perder mais nenhum”, desabafou a doméstica.

Os moradores da comunidade Areal vestiram branco e com vela nas mãos saíram em protesto contra a violência que matou o garoto que gostava de estudar e tinha o sonho de ser bombeiro. “Meu filho era estudioso, nunca pegou em arma. Nossa família é boa, de pessoas direitas. Ou você acha que meu filho fosse bandido, os moradores teriam vestido branco e botado uma vela na mão para protestar contra a morte dele? Claro que não”, falou Terezinha Maria.

Ela disse ainda que o governo do Rio de Janeiro só resolveu ajudar a família após ela ir para imprensa. “Eles queriam enterrar ele aqui. Se eu não tivesse botado a boca no mundo, ido em rádio, televisão era isso que ia acontecer.

O secretário ainda fez corpo mole dizendo que era difícil transportar o corpo por 900 quilômetros e eu disse que nem que custasse um milhão era obrigação deles, porque meu filho está morto é por causa da polícia mal treinada deles”, falou. Policiais do Batalhão de Polícia de Choque (BPChoque) e da CPP, que estavam na ocorrência, já estão respondendo a um Inquérito Policial Militar (IPM). Eles foram afastados do policiamento nas ruas e tiveram suas armas recolhidas para a realização de exame balístico.

Fonte: O Globo

Denison Duarte – Amarante (PI)

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