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24 de setembro de 2018

Só perdoo se o assassino devolver meu filho vivo, diz mãe de piauiense morto no Rio


Hospital de Olhos

Após ter visto novamente o policial que teria matado seu filho na reconstituição promovida pela Polícia Civil na última sexta-feira, 17, a mãe de Eduardo Ferreira de Jesus, morto aos 10 anos, afirmou que só perdoaria o PM se ele trouxesse “seu filho de volta”. Ao Estado, Terezinha Maria de Jesus, de 40 anos, disse  que o policial que acusa de ter disparado contra Eduardo é um “monstro”.

“Eu quero fazer duas perguntas a ele: a primeira é se ele não tem filhos, se ele não é pai”, afirmou. “Aí eu vou fazer a segunda pergunta a ele: se perdoá-lo traria meu filho de volta. Se ele tiver condição de trazer meu filho de volta, eu perdoo. Ele é um monstro. O que fez não tem perdão”, desabafou Terezinha, que relatou ainda não foi informada pela Polícia Civil sobre uma possível data para o reconhecimento do soldado.

Ela contou ter reconhecido imediatamente um dos onze PMs que participaram de reprodução simulada, apesar de todos eles terem usado capuz preto. “Foi horrível. Eu cheguei a ver porque foi ele que disse que poderia me matar assim como matou meu filho”, contou. “Vi pela touca, ele é um negro, alto. Foi muito doloroso”, recordou a mãe de Eduardo.

Ao todo, dois PMs da Unidade de Polícia Pacificadora do Alemão admitiram ter disparado na ação ocorrida no dia 2 de abril, na localidade do Areal. Um deles, que prestou depoimento à Delegacia de Homicídios na última terça-feira, 14, é considerado o principal suspeito. Segundo a defesa dos PMs, ele efetuou um único disparo naquela ocasião, mas não admitiu que tenha atingido Eduardo. Para Terezinha, que tem usado calmantes para suportar a perda do filho, o retorno ao Complexo do Alemão e ao local da tragédia foi “doloroso”.
“Foi muito ruim, muito doloroso. Quando eu cheguei perto de casa,  desabei no choro, não aguentei”. Desde que voltou , na última quinta-feira, 16, do Piauí, onde o corpo de Eduardo foi enterrado, a família não está na favela.

Terezinha foi uma das testemunhas ouvidas pelos investigadores da Delegacia de Homicídios da capital fluminense durante a reconstituição.A irmã de Eduardo, de 14 anos, também participou da reprodução simulada. De acordo com o delegado titular da especializada, Rivaldo Barbosa, foram remontadas com os policiais as condições de luminosidade e temperatura verificadas no exato momento em que Eduardo foi baleado, às 17h30. Os peritos têm um prazo de 15 a 45 dias para oferecer aos investigadores um laudo sobre a reprodução simulada.

Fonte: Estadão

Denison Duarte – Amarante (PI)

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