Coluna – Reformulação do Google Stadia e a viabilidade da plataforma

WhatsApp
Twitter
Telegram
Facebook


Um projeto que prometia revolucionar a forma de jogar videogame, mas que não caiu nas graças do público e da imprensa. Assim podemos definir o Stadia, serviço de streaming de games do Google. Essa semana, a empresa revelou que não irá mais investir em conteúdo exclusivo e decidiu fechar os estúdios internos. O foco agora é oferecer toda a experiência e infraestrutura técnica a parceiros de negócios, o que abriria a possibilidade de outras empresas adotarem esta tecnologia em seus produtos, ainda que sob uma outra marca. A mudança motivou a saída de Jade Raymond, vice-presidente responsável pela área de games, que já havia atuado antes como produtora executiva na Ubisoft em jogos da série Assassin´s Creed, entre outros.ebc Coluna - Reformulação do Google Stadia e a viabilidade da plataformaebc Coluna - Reformulação do Google Stadia e a viabilidade da plataforma

A empresa também revelou que outros nomes da divisão Stadia devem sair e mudar posições. Para o usuário final, por enquanto, não haverá nenhuma mudança. O serviço continuará funcionando sob as mesmas regras, e o Google promete seguir promovendo a plataforma, lançando inclusive novos títulos de publicadoras parceiras. Mas a mudança, apenas 14 meses depois do início das operações, levantou dúvidas sobre a longevidade do projeto.

Afinal, o Google é famoso por deixar para trás vários projetos, que o diga o Google Graveyard, ou “Cemitério do Google”. O site lista e monitora todos os produtos cancelados pela empresa, desde os mais modestos até mesmos os mais ambiciosos ou, durante algum tempo, bem sucedidos, como Orkut e Google Reader. Algo comum para uma empresa gigantesca e com orçamento bilionário.

O Stadia surgiu em novembro de 2019. A ideia, embora não seja pioneira, é ousada: um serviço de streaming de games. Não importa o aparelho, mesmo se o seu celular ou computador for modesto e ultrapassado: bastava acessar o aplicativo do Stadia, uma conexão de internet potente e um controle bluetooth para ter acesso aos jogos em alta qualidade e definição. Os títulos rodam em computadores conectados a servidores distantes, que enviam as imagens pela internet e recebem o comando dos jogadores. Os usuários podem comprar os games individualmente ou assinar o Stadia Pro, que por um valor mensal dá acesso a dezenas deles.

Muitos ficaram com um pé atrás, preocupados com a latência. Afinal, apenas alguns centésimos de segundo entre o apertar do botão em um controle de videogame e a resposta na tela pode tornar a experiência de jogar inviável e ainda deixá-lo em desvantagem em partidas competitivas que exigem raciocínio rápido. Embora, em condições ideais, esse atraso seja praticamente imperceptível para a maior parte dos jogadores, ainda é inviável para alguns entusiastas, principalmente jogadores profissionais. Até para os jogadores mais casuais a experiência pode ser bem inconsistente, caso a conexão de internet seja instável, se o Wi-Fi não pegar direito e não houver possibilidade de uso de uso de um fio de rede. 

A oferta de jogos também segue baixa: pouco mais de 150, com mais da metade deles à disposição dos assinantes do Stadia Pro. Para efeito de comparação, esse número já é menor que o disponibilizado ou anunciado para o PlayStation 5, que chegou às lojas há pouco mais de 2 meses e que ainda é compatível com a biblioteca de mais de 3 mil jogos do PlayStation 4. Os exclusivos contam-se nos dedos: nenhum deles inesquecível ou essencial, e todos a caminho do Steam e outras plataformas. 

O Google não revela quantos usuários ativos a plataforma possui, mas especialistas estimam que o número esteja pouco acima do um milhão. Para efeito de comparação, o PlayStation 5 já beira os cinco milhões de unidades vendidas depois de dez semanas desde o lançamento, segundo o VGChartz, site que monitora a venda de videogames pelo mundo. Já o Xbox Series, lançado dois dias antes, está próximo dos três milhões. O baixo número de jogadores no Stadia é facilmente percebido em partidas competitivas online, nas quais é difícil encontrar oponentes, mesmo em jogos populares como PUBG.

Por enquanto, o serviço é limitado a pouco mais de 20 países, entre Estados Unidos, Canadá e outros na Europa. O Stadia ainda não funciona na América Latina, incluindo o Brasil, e até mesmo em países asiáticos como Japão e China, o que em parte explica o número limitado de jogadores.

Ainda não tive a oportunidade de testar o Google Stadia, mas ainda sou entusiasta da tecnologia. Apesar disso, eu mesmo relutaria a substituir os meus jogos de videogame e PC pelo Stadia ou qualquer outro produto semelhante, pelos motivos acima, ao menos nas condições atuais. Acredito que, por enquanto, o produto tenha mais valor a jogadores casuais que não sabem, não têm paciência ou condições financeiras para comprar um computador ou videogame potente. E depois, configurá-lo e atualizá-lo com frequência. 

Tornar o Google Stadia mais acessível em diversas plataformas, tais como os serviços de streaming de vídeo (Netflix e Globoplay), pode ajudar a popularizá-lo e impulsionar ainda mais crescimento do mercado de games como um todo.

Edição: Cláudia Soares Rodrigues

Receba nosso conteúdo

Related Posts

Welcome Back!

Login to your account below

Create New Account!

Fill the forms below to register

Retrieve your password

Please enter your username or email address to reset your password.

Add New Playlist