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12 de dezembro de 2017

Preocupação fiscal faz dólar encostar em R$ 4, apesar de atuação do BC


Hospital de Olhos

Preocupações com a economia brasileira e o cenário político do país voltaram nesta segunda-feira (21) a impulsionar a cotação do dólar, que encostou em R$ 4, apesar de o Banco Central ter realizado leilões de empréstimos no valor total de US$ 3 bilhões para tentar conter a volatilidade da moeda americana.

O dólar à vista, referência no mercado financeiro, teve valorização de 1,88% sobre o real, cotado em R$ 3,991 na venda –seu maior valor histórico. A moeda atingiu a máxima de R$ 3,9995 durante a sessão.

Já o dólar comercial, utilizado em transações de comércio exterior, subiu 0,53%, para R$ 3,982. É o segundo maior valor de fechamento da história, atrás apenas dos R$ 3,990 registrados em 10 de outubro de 2002 (corrigida pela inflação, a cifra seria de cerca de R$ 6,76 hoje – entenda por que o valor real é diferente do valor nominal). A moeda atingiu a máxima de R$ 3,9990 no dia.

“O dólar amenizou a alta no final da tarde possivelmente com a sinalização por parte do [presidente da Câmara dos Deputados] Eduardo Cunha de que o Congresso pode não derrubar o veto da presidente Dilma Rousseff a pautas como o reajuste de servidores públicos, que aumentariam os gastos do governo”, disse João Pedro Brügger, analista da Leme Investimentos.

“Isso não significa, porém, que ele agora está à favor do governo, nem tampouco que o ajuste fiscal será facilmente aprovado na Casa”, completou. “A tensão política no Brasil e especulações de que o país poderá ter sua nota de crédito novamente cortada por agências de classificação de risco vão continuar pressionando os mercados.”

No início do mês, a agência Standard & Poor’s rebaixou a nota de crédito do país, retirando seu selo de bom pagador. O receio é que o Brasil também perca o chamado grau de investimento das agências Fitch Ratings e Moody’s. Com duas classificações como essa, grandes fundos estrangeiros têm que remover suas aplicações do país pelo risco maior de calote.

No caso da Fitch, a nota brasileira (“BBB”) está dois degraus acima do limite entre grau de investimento e especulativo, por isso mesmo que a agência resolva cortar a nota do país em um nível, o Brasil manteria o selo de bom pagador concedido pela agência.

O noticiário econômico desta sessão colaborou para o clima de cautela. A atividade econômica brasileira iniciou o terceiro trimestre de 2015 em queda, segundo o IBC-Br (Índice de Atividade Econômica do Banco Central), que recuou 0,02% em julho na comparação com junho. Em relação ao mesmo mês do ano passado, a queda foi de 4,25%.

O cenário de deterioração fez os agentes de mercado consultados pelo BCelevarem a projeção para a taxa de câmbio no fim de 2016 a R$ 4, segundo o relatório Focus divulgado nesta manhã. Economistas também ampliaram a expectativa de retração do PIB em 2015 para 2,70%. Há uma semana, previa-se queda de 2,44%.

ATUAÇÃO DO BC

Para tentar amenizar a escalada da moeda americana, o BC realizou nesta segunda-feira leilões de empréstimos no valor total de US$ 3 bilhões. A operação foi dividida em duas partes: o primeiro leilão ocorreu entre 10h20 e 10h25 (de Brasília), ofertando contratos com compromisso de recompra em 4 de abril de 2016; o segundo ocorreu entre 10h40 e 10h45, com data de recompra em 5 de julho de 2016.

O BC informou que a taxa de venda nos dois leilões seria de R$ 3,9767. O teto para a taxa de recompra ficou em R$ 4,213980 para abril de 2016 e em R$ 4,320002 para julho do próximo ano. O resultado da operação será conhecido somente na próxima semana.

Foi a quarta intervenção desse tipo desde 31 de agosto. A instituição já vem atuando diariamente no mercado por meio da renegociação de contratos de câmbio (swap cambial) para suprir parte da demanda por moeda estrangeira.

No leilão de 31 de agosto, o BC renovou um empréstimo de US$ 2,4 bilhões. Em 8 de setembro, foram ofertados US$ 3 bilhões, mas não houve negócios. Já na operação seguinte, no dia 10 deste mês, foram emprestados US$ 300 milhões do US$ 1,5 bilhão ofertado.

CURVA DE JUROS

A alta do dólar tende a pressionar a inflação, já que encarece os produtos importados. Isso tem feito com que os investidores apostem em juros mais elevados nos próximos anos, também pela expectativa de que o Brasil terá de pagar juros maiores para atrair investidores estrangeiros dispostos a bancar o risco de investir num país pouco confiável na avaliação das agências de risco.

Refletindo este quadro, as taxas de juros futuros de longo prazo negociadas na BM&FBovespa voltaram a subir nesta sessão. O contrato de DI para janeiro de 2021 apontou taxa de 15,810%, ante 15,730% na sessão anterior.

O aumento da percepção de risco também tem elevado a pontuação do “credit default swap” (CDS, uma espécie de seguro contra calote) do Brasil, que fechou esta segunda-feira em 428 pontos. Em 9 de setembro, dia do rebaixamento da nota do país pela S&P, o CDS brasileiro estava em 372 pontos. O nível atual é mais que o dobro do patamar em que estava no início do ano, por exemplo, de 202 pontos.

BOLSA EM BAIXA

O principal índice da Bolsa brasileira encerrou a segunda em queda. O Ibovespa chegou a operar no zero a zero nas primeiras horas de negociações, mas intensificou a perda após o exercício de opções sobre ações —quando vencem o prazo de contratos que apostam no valor futuro dos papéis—, o qual movimentou R$ 2,3 bilhões.

O avanço das Bolsas na Europa e nos EUA foi ofuscado pelo cenário de preocupação com a economia brasileira. Assim, o Ibovespa teve desvalorização de 1,43%, para 46.590 pontos. O volume financeiro foi de R$ 7,765 bilhões.

A baixa das ações do setor bancário pressionaram o desempenho do índice, com Itaú caindo 2,23%, enquanto o papel preferencial (sem direito a voto) do Bradesco perdeu 3,09%. As ações preferenciais de Petrobras e Vale também recuaram: 3,95% e 0,57%, respectivamente.

Em sentido oposto, as exportadoras tiveram altas, na esteira da valorização do dólar na sessão. Entre elas, a Fibria subiu 2,13%, enquanto a também produtora de papel e celulose Suzano ganhou 1,13%.

Fonte: Folha

Radar Financeira

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