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13 de dezembro de 2017

IRRIGAÇÃO NO NORDESTE – desenvolvimento e perspectivas


Hospital de Olhos

A agropecuária depende de dois fatores de produção e insubstituíveis, independentemente da tecnologia disponível, sem os quais não seria possível a realização da produção, são eles: água e terra. Na região Nordeste semi-árido e no norte de Minas de Gerais, o elemento característico não é a falta de terra, mas sim a forte restrição hídrica.

O Estado Brasileiro há décadas tem investido na instalação de pólos de produção agropecuária baseados em sistemas complexos e custosos de irrigação na região do Semi-árido nordestino. Entretanto, em função das restrições hídricas e de solo da região Nordeste do Brasil estima-se que menos de 2% da área total sejam passíveis da implantação de sistemas de irrigação.

A maior área com sistemas de irrigação encontrada na região Nordeste e norte de Minas Gerais está localizada na Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco, já que apresenta a maior disponibilidade de recursos hídricos na região. Dessa maneira, a sustentabilidade e a expansão da produção agrícola em regiões semi-áridas dependem da disponibilidade hídrica e do seu uso eficiente.

Neste contexto, é possível analisar a evolução recente e as perspectivas dos pólos de irrigação sob administração do DNOCS (Departamento Nacional de Obras Contra as Secas) e da CODESVAF (Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba) na região Nordeste e no norte de Minas Gerais. O estudo revelou que os pólos de irrigação ocupam 190,8 mil hectares, porém apenas 161,3 mil estão em uso pela agropecuária, gerando ocupação para mais 300 mil pessoas.

No entanto, a redução da disponibilidade hídrica acompanhada pela expansão das atividades antrópicas pode elevar o número de conflitos pelo uso da água na região. Desse modo, não se pode negar, em nenhum cenário, o aumento da pressão sobre a água que hoje irriga os Pólos e a degradação das bacias hidrográficas, e seria no mínimo temerário apoiar políticas de expansão dos pólos de irrigação nas bases atuais, ação que talvez apenas contribuísse para acirrar ainda mais estas pressões sobre os ecossistemas.

José Augusto S. de Oliveira (Cabeça)

Técnico Agrícola

Especialista em Irrigação e Drenagem

Filiado ABID

Membro INOVAGRI

Colaborador GREENPEACE BRASIL

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