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13 de dezembro de 2017

Aquecimento global pode transformar áreas do nordeste em desertos improdutivos


Hospital de Olhos
Do ponto de vista climático as ações para conter os efeitos do aquecimento global precisam ser urgentes, é preciso que sejam criadas novas políticas governamentais que beneficiem o meio ambiente em todo o mundo. Para se chegar à meta de estabilizar as emissões em 500 ppm (parte por milhão) em 2050, é preciso que ocorram reduções nas emissões de C02 da ordem de 60% a 70% em relação à situação de hoje. Isso implica em que a diminuição dessas emissões por pessoa caia de 1,21 t C, registrado em 2005, para 0,28 t C a 0,35 t C em 2050 quando a população do planeta está estimada em 9 bilhões de pessoas. Não é uma tarefa simples, mas é possível.

A principal arma para se alcançar essas metas é a radical descarbonização dos sistemas de produção, como o emprego de práticas agrícolas que eliminem o uso intensivo de insumos químicos, como defensivos e fertilizantes. No Brasil, a região que se apresenta mais vulnerável ao clima, é o Nordeste, principalmente devido a potenciais impactos negativos nos recursos hídricos e agricultura de sequeiro. O estado de Alagoas é o que apresenta situação mais grave de todo o país.

Um exemplo do tipo de problema que poderá ser enfrentado é o caso do algodão. Em estudo realizado com a cultura no estado do Ceará pelo pesquisador Eduardo Delgado Assad, Chefe Geral da Embrapa Informática Agropecuária, concluiu que a elevação de 10C na temperatura reduziria a área plantada em 49.133 ha. Se chegar a 30C, a estimativa é de uma queda de 70% na área plantada. Entre os especialistas é preciso aumentar a capacidade adaptativa da sociedade e da economia regional às mudanças climáticas.

Outros estudos indicam a probabilidade da caatinga virar semi-deserto. Cerca de 2/3 dos modelos usados para estudar os cenários para o clima em âmbito global apontam para a “aridização” das áreas secas do Nordeste. O professor Fernando Santibanez Quezada, da Universidade do Chile, explica que o aumento de CO2 na atmosfera (de 190 ppm, nas eras glaciais, para 385 ppm nos dias de hoje, com incremento anual de aproximadamente 2 ppm) agrava o aquecimento global, e provoca desertificação. Um dado indicador desta realidade é o decréscimo da área de bosques da América Latina de 6.93 milhões de Km² para 3.66 milhões de Km² atualmente.

Os esforços para conter o aquecimento do planeta vão demandar ações de longo prazo o enfrentamento de duros embates. A reversão das tendências apontadas pelos especialistas, por sua vez, precisa estar baseada em um forte programa de ciência e tecnologia, que envolva o conjunto de especialistas e instituições do país e do exterior.

José Augusto S. de Oliveira (Cabeça)
Técnico Agrícola
Especialista em Irrigação e Drenagem

Membro INOVAGRI
Filiado ABID

Colaborador GREENPEACE BRASIL

 

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