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11 de dezembro de 2017

Explosão em mina na Turquia deixa pelo menos 201 mortos


Hospital de Olhos

Uma explosão seguida de incêndio em uma mina de carvão nesta terça-feira na cidade de Soma, na Turquia, deixou pelo menos 201 mortos e 76 feridos, quatro em estado grave, segundo o ministro de Energia do país, Taner Yildiz. O acidente provocou um corte de energia que fez com o elevador parasse de funcionar. Os operários ficaram presos a dois quilômetros abaixo da superfície, a uma distância de quatro quilômetros da entrada da mina. Cerca de 400 continuam presos na mina.

— Pelo menos 76 trabalhadores estão feridos e hospitalizados. Estamos correndo contra o tempo — disse o ministro da Energia Taner Yildiz, que se dirigiu para o local após o acidente.

Yildiz enfatizou que as equipes de resgate foram destacadas para bombear ar fresco para as galerias subterrâneas que não foram afetadas.

— As vítimas morreram envenenadas por monóxido de carbono. O fogo cria um grande problema, mas o oxigênio está sendo bombeado através das minas que não foram afetadas.

De Ancara, o primeiro-ministro Recep Tayyip Erdogan disse que o país estava trabalhando “para resgatar nossos irmãos presos”. O presidente Abdullah Gül, por sua vez, convocou plena mobilização para os esforços de resgate.

— As operações foram lançadas assim que soubemos do acidente. Espero receber notícias mais claras e reconfortantes nas próximas horas — disse Erdogan, em um comunicado televisionado pouco após a explosão.

Segundo o Corpo de Bombeiros, uma fumaça espessa também dificulta o avanço das equipes. Os socorristas enviaram um helicóptero para o local e o Exército uma equipe de cerca de 20 pessoas. Atrás de informações, centenas de familiares e colegas de trabalho se reuniram em frente ao hospital da cidade.

— Espero notícias do meu filho desde o início da tarde — disse Sena Isbiler. — Não tenho notícia alguma. Ele ainda não saiu.

A Soma Coal Mining Company, empresa que opera a mina, confirmou em um comunicado que o acidente tinha causado vítimas e afirmou que a última inspeção realizada há apenas dois meses não encontrou nenhum risco no local. O texto, no entanto, não fornece detalhes sobre o número exato de trabalhadores que estavam na mina, a maior da região e que emprega 6.500 pessoas.

Oposição alertou para risco de acidentes

Desastres como o desta terça-feira não são raros na Turquia e os sindicatos locais criticam há muito tempo o governo por não supervisionar as atividades de mineração — especialmente no que diz respeito às empresas de subcontratação, acusadas de empregar trabalhadores com pouca formação. Muitas são acusadas de obter mais lucro às custas da segurança.

Há quinze dias, o Partido Republicano do Povo (CHP), o principal opositor, apresentou uma moção ao Parlamento turco para investigar acidentes de trabalho nas minas do distrito. A proposta foi rejeitada com votos do Partido da Justiça e Desenvolvimento (AKP), de Erdogan. Nesta terça-feira, o primeiro-ministro cancelou uma viagem para a Albânia para visitar o local. Líder do CHP, Kemal Kiliçdaroglu, também viajará a Soma.

— O acidente que vimos nesta unidade de mineração é um assassinato no local de trabalho de mais alto grau, o pior na história do país — disse o ex-chefe do sindicato dos mineiros Çetin Uygur.

Em maio de 2010, após a morte de 30 trabalhadores na província de Zonguldak, o então ministro do Trabalho e da Segurança Social, Ömer Dinçer, causou revolta na população ao afirmar que os trabalhadores haviam morrido “lindamente, sem sinais de queimaduras”. O próprio Erdogan disse posteriormente que a morte era o destino dos mineiros.

O pior acidente de mineração da Turquia aconteceu em 1992, quando uma explosão de gás matou 263 trabalhadores na mesma província, na região do Mar Negro.

FONTE:

 

Radar Financeira

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