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15 de dezembro de 2017

Quatro anos após passar por Amarante, Maior Navegador Solitário do Mundo é picado por cobra


Hospital de Olhos

Foi apenas um susto. No inicio da noite desta quinta-feira (24), Aladir Murta, 77 anos, considerado o maior navegador solitário do mundo, foi picado por uma cobra, na ilha de Sucruiú (uma referência à cobra Sucuri), no rio Jequitinhonha, no município de Coronel Murta, onde vive há 3 meses.

Acostumado com aventuras na selva, ele navegou por cerca de 1 km rio acima, até chegar à casa de um amigo e pedir socorro.

Rapidamente, ele foi levado ao hospital São Vicente de Paulo, em Araçuaí, onde deu entrada por volta das 21hs. Ele foi medicado e passa bem, após permanecer internado. Na manhã desta sexta-feira, (25) Aladir Murta recebeu alta.

“A cobra estava dentro de uma rede onde costumo dormir. Usei um alicate para matá-la. Esta é a terceira vez que isso acontece em minha vida. Não será desta vez que serei abatido”, brincou o navegador que não identificou a espécie de cobra que o picou. “Acredito que foi uma jararaca, espécie comum na região”, disse ele.

Reconhecido pela equipe que o atendeu no hospital, Aladir Murta, acompanhado do seu primo Saulo Murta, foi cercado de carinho por enfermeiros e médicos. “Foi um atendimento de primeira. Agradeço a toda à equipe do médico Isaac Rodrigues, aos enfermeiros, Renato Miranda, Belson Cardoso e a todos que me atenderam com muito profissionalismo”, afirmou Murta, aproveitando para convidar a todos para conhecer a ilha onde vive, a 40 km de Araçuaí.

Velho lobo dos rios

Natural de Coronel Murta, Aladir Murta, há 14 anos, se desfez de imóveis e pertences para encontrar sua verdadeira vocação. Numa canoa de madeira, seguiu pelo Rio Araguaia, chegou à Ilha do Bananal e não parou mais.

Brasil afora alcançou o Solimões, Negro, Amazonas, São Francisco, Velhas e tantos outros até atingir 60 mil quilômetros percorridos, o equivalente a uma volta ao redor do mundo.

Ele completa 77 anos, sendo considerado o maior navegador solitário do mundo por revistas especializadas, até mesmo fora do país. Agora ele prepara os papéis para ser incluído no Guinness, o livro dos recordes.

Antes de ser navegador, Aladir foi cabo do Exército e lapidário de pedras preciosas, trabalhou também numa pequena indústria e cruzou o país numa moto.

Homem de fala lenta e palavras simples, Aladir parece até conversar num outro idioma quando começa a contar dos trajetos dos rios e nomes de tribos.

A remo, cruzou fronteiras com Peru, Colômbia e Paraguai, superou quedas d’água de 10 metros de altura, navegou o São Francisco e o Velhas três vezes cada um e, nessas viagens, passou por alguns apuros. Já naufragou, enfrentou tempestades, comeu peixe cru por uma semana, foi assaltado cinco vezes e, sem outra opção, teve que beber água do poluído Rio das Velhas.

Sua história está contada no livro “Além dos Rios- uma aventura sem fim”, do jornalista Antoninho Rossini, lançado em 2012 pela editora Tag & Line.

Aladir Murta esteve em Amarante em dezembro de 2010, onde deixou algumas amizades. Ele chegou navegando no rio Parnaíba utilizando apenas uma pequena embarcação.

INFORMAÇÕES DO SITE: aconteceunovale.com.br

VEJA O QUE DISSE O NAVEGADOR SOLITÁRIO SOBRE SEU AMOR PELA NATUREZA EM ENTREVISTA CONCEDIDA A DENISON DUARTE EM 2010 PARA O MEIONORTE.COM

“O homem é aquilo que seu pensamento transmite, ou seja, ele é aquilo que quer ser; já frequentei estádios de futebol, teatros, concertos com Luciano Pavarotti, shows com Agnaldo Rayol, visitei prédios arquitetados por Oscar Niemeyer, mas me encantei verdadeiramente pelo João de Barro, pelo canto do sabiá, do Chico Preto, do Curió e tudo isto é a maior orquestra que alguém pode ter gratuitamente; eu pensava que era inteligente e que era preparado, e hoje, o que sei é que nada sei; ser visto como o maior navegador do mundo chegou a mim de forma natural, mas isso não me dá o direito de ser melhor do que ninguém; se eu pudesse voltar no tempo, tentaria convencer a humanidade a fazer o que hoje faço para virem que a vida na natureza é muito mais saudável que na cidade; enfrentei muitos obstáculos nessas andanças: já fui assaltado 04 vezes, já naufraguei mais de 50 vezes e já superei 300 metros de cachoeira no rio Madeira em Guajará-Mirim (RO); desta forma, aprendi a enfrentar o perigo brincando, pois não vejo nenhuma diferença entre morrer num hospital de luxo e morrer na beira de um rio, que é a minha preferência. Denison, se eu morrer aqui na beira do rio Parnaíba, peço a você que não me leve para um cemitério, mas que encontre um lugar para mim aqui e me enterre à beira deste lindo rio; eu não fui buscar estes títulos e nem estes méritos atribuídos a mim; eu choro, eu sorrio, eu canto, eu tenho sentimentos, o que me faz igual a todos; aos 18 anos, fui campeão de tiros no exército, no entanto, tudo o que faço, o meu objetivo é me situar entre os primeiros colocados; já naveguei todos os rios do Brasil e uma coisa me deixou comovido: a falta de zelo dos governantes em relação à preservação da natureza; gostaria de lhe dizer que tive a sorte de encerrar a minha navegação no rio Parnaíba e, em Amarante, com este povo acolhedor”, conta Aladir Murta.

“O povo de Amarante é fantástico”, disse ele “principalmente a presidente da Colônia dos pescadores, Socorro Sousa, a quem muito devo pela acolhida e pelo carinho. Estou maravilhado com a simpatia deste povo de muita humildade e muita simplicidade e quero, através desta entrevista, deixar minha gratidão a estas pessoas, encerra Aladir.

Edição, fotos e postagem: Denison Duarte

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