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18 de dezembro de 2017

Falcão comemora 60 anos com mágoas do Inter e vontade de voltar a trabalhar


Hospital de Olhos

Titular absoluto da histórica seleção brasileira na Copa de 1982, ídolo incontestável do Internacional de Porto Alegre e chamado de “Rei de Roma” na capital italiana, Paulo Roberto Falcão completa 60 anos de idade nesta quarta-feira e não esconde o desejo de voltar a trabalhar em uma grande equipe brasileira.

Sem clube neste final de temporada, o treinador mostra disposição ao planejar sua carreira nos próximos anos, mas não esconde a decepção com a sua passagem pelo Colorado. Falcão revelou que ainda não compreende os motivos que culminaram em sua demissão do clube pelo qual foi tricampeão brasileiro como jogador.

“Não houve nenhuma consistência na argumentação para a minha demissão. Foi uma coisa maluca”. O ex-volante acredita que foi vítima de problemas políticos e escancara sua tristeza ao falar sobre o trabalho de poucos meses no Inter: o “Rei de Roma” ameaça não comparecer à reabertura do Estádio Beira-Rio, marcada para abril do próximo ano.

Ao relembrar sua carreira vitoriosa, Falcão, que teve sucesso no futebol europeu, não deixou de aconselhar os jovens jogadores que tentam brilhar no exterior: “fui com a cabeça e com o corpo”. Já em relação à Seleção Brasileira, o volante de 1982 acredita que o time de Luiz Felipe Scolari conseguiu recuperar o prestígio com o torcedor após o título da Copa das Confederações, o que deve qualificá-lo como um dos favoritos para a Copa do Mundo de 2014.

Em 15 temporadas como jogador, além dos trabalhos já feitos como treinador, qual foi o momento mais marcante de sua carreira no futebol?

É difícil dizer, mas o que me ocorre é quando eu fui convocado para a Seleção Brasileira de Amadores, quando eu tinha 18 anos, foi uma coisa maluca para mim. Era muito difícil na época, pois não tinha competição para se mostrar. O título do Roma, que não ganhava há 42 anos, também foi uma coisa fantástica, a cidade parou. Depois que eu voltei lá, o estádio inteiro ficou em pé para me aplaudir. Foi uma manifestação fantástica. Os três títulos pelo Inter também foram importantes, evidentemente. Agora, como treinador foi aqui. Em um ano e meio nós conseguimos ganhar três títulos, o segundo turno e o Campeonato Gaúcho pelo Inter, e com o Bahia lá.

A seleção de 1982 foi o melhor do time do qual você fez parte ao longo da carreira como treinador? Também foi a maior decepção?

Sim, foi o melhor. Teve a decepção, mas teve um reconhecimento fantástico hoje da mídia. O reconhecimento trinta anos depois é algo fantástico. Todo mundo fala dessa Seleção. Eu diria que foi uma Seleção que jogou e ficou na história, independente da colocação. Foi uma seleção brilhante.

Você chegou ao futebol europeu na década de 80, quando o intercâmbio ainda era menor. O que você classifica como fundamental para uma boa adaptação na Itália, onde você se tornou o Rei de Roma?

Quando eu fui para Europa só era permitido um estrangeiro por time, era muito difícil a adaptação, não tinha ninguém para conversar, você tinha que aprender a língua. Hoje é mais fácil, mas eu tive que aprender o idioma rapidinho, porque eu sempre joguei falando, nunca joguei quieto. Para mim foi difícil, mas, ao mesmo tempo foi muito gratificante.

Como um jogador que fez sucesso no futebol europeu, quais conselhos você poderia dar para os jovens brasileiros que tentam fazer a carreira no exterior?

É difícil dar conselho, mas o que posso dizer é que fui com a cabeça e com o corpo. Às vezes, eles vão apenas com o corpo. Eu fui sabendo que era difícil. O mercado italiano não abria há 12 anos, então eu sabia que precisava fazer um bom trabalho para abrir mercado a outros jogadores. Tanto que depois foram outros jogadores, como o Edinho, o Zico, o Júnior e o (Toninho) Cerezo. Eu pensava: ‘não posso voltar sem ter sucesso’.

Em relação à seleção brasileira, você acredita que o time de Luiz Felipe Scolari está pronto para conquistar uma Copa do Mundo em casa ou ainda vai precisar de alguns meses para estar do nível de outras seleções?

Essa seleção cresceu e recuperou o prestigio com o torcedor. Eu diria que o marco disso foi o jogo contra a Espanha. Embora a Espanha estivesse um pouco cansada, era o melhor time do mundo. E o Brasil fez um jogo brilhante. Mesmo que a Espanha estivesse bem, não ganharia aquele jogo. Isso deu uma expectativa muito grande de conquista para o torcedor. Eu acho que o Brasil chega forte à competição. Claro que teremos outros times fortes, como a Alemanha, a Itália, a Inglaterra, a própria Espanha, a Holanda, mas eu acho que o torcedor passou a acreditar mais na possibilidade de vitória.

Neste atual elenco do Felipão, tem algum jogador que se assemelha ao volante Falcão da década de 80?

É difícil de dizer isso. Eu gosto do Hernanes, gosto do Paulinho. Gosto do volante que chega na frente, tem condição de chegar no espaço vazio. Não gosto do jogador que fica plantado lá atrás. Eu gosto do jogador que sai para o ataque, desde que tenha organização para isso.

Quais são os favoritos para 2014?

É difícil apontar. Eu colocaria o Brasil, a Argentina, a Itália, a Alemanha, a Inglaterra, Holanda e ficaria de olho na Rússia


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