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12 de dezembro de 2017

Estilo de vida e idade podem ter levado famosos ao infarto, dizem especialistas


Hospital de Olhos

O ator José Wilker, 67 anos, o narrador esportivo Luciano do Valle, 66 anos, o cantor Jair Rodrigues, 75 anos. Além de famosos, os três têm um fator em comum: morreram de infarto e todos nos últimos 33 dias. Pode até parecer coincidência eles serem homens e estarem acima dos 65 anos, mas não é. Idade, sexo e estilo de vida são fatores de risco importantes para o surgimento do infarto do miocárdio, de acordo com especialistas ouvidos pelo R7. Lembrando que, além deles, o ator Renato Aragão, 79 anos, enfartou e chegou a passar dias no hospital em março deste ano.

Os inúmeros compromissos dos famosos podem acarretar uma rotina menos saudável. A correria do dia a dia, a falta de tempo e os horários desregrados impedem a prática regular de exercício físico e adoção de uma dieta balanceada. Além de tudo isso, o cardiologista César Jardim, do HCor (Hospital do Coração), também cita o fator estresse.

— O estresse é um fator de risco e lógico que tem sua parcela de contribuição para o infarto, mas ele sozinho não é o único culpado. Vale lembrar que, quanto mais fatores de risco, mais chance de apresentar a doença.

De acordo com o cardiologista Carlos Magalhães, diretor de promoção da Saúde Cardiovascular da SBC (Sociedade Brasileira de Cardiologia), “quanto mais velho, maior é o risco de doença cardiovascular”.

— Por isso, pessoas acima dos 60 anos devem redobrar os cuidados com a saúde do coração. Além disso, os homens têm mais chances de enfartar que as mulheres.

Dor no peito, nos braços e enjoo podem ser sintomas de infarto

O médico explica que o risco de infarto iguala em ambos os sexos quando a mulher chega à menopausa, ou seja, “ela para de produzir os hormônios femininos que atuam como protetores do coração”.

— Mulheres acima dos 60 anos morrem de quatro a seis vezes mais do coração do que de câncer de mama e de colo de útero. No entanto, elas se preocupam mais com o câncer.

No caso de Jair Rodrigues, que foi encontrado morto na manhã desta quinta-feira (8) na sauna de sua casa, o calor do ambiente pode ter potencializado o surgimento da doença, explica o cardiologista da SBC.

— Pela idade, ele possivelmente já devia ter algum grau de obstrução da artéria e não sabia. Assim, o calor da sauna desencadeou uma vasodilatação periférica, queda da pressão arterial e aumento dos batimentos cardíacos, levando à morte súbita [infarto].

Se controle! Depressão e estresse aumentam o risco de infarto em mulheres

De acordo com dados da SBC, no Brasil morrem cerca de 340 mil pessoas por doenças cardiovasculares todos os anos. Essa é a principal causa de morte por doenças, superando inclusive os cânceres.

Além da idade e do sexo, Jardim, ressalta que a hereditariedade é outro fator de risco importante.

— Pessoas que têm parentes de primeiro grau que enfartaram cedo, ou seja, homens abaixo dos 55 anos e mulheres abaixo dos 65, devem intensificar o checkup, pois têm mais chances de enfartar.

Jardim cita outros fatores que contribuem para o aparecimento da doença.

— Excesso de peso, sedentarismo, alimentação rica em gordura saturada, cigarro, estresse e ingestão de bebida alcólica. Estes fatores podem ser modificados e contribuem para a prevenção.

Magalhães acrescenta que pacientes hipertensos, diabéticos e com colesterol e triglicérides alterados também correm mais risco de doença cardiovascular, “mas se mantiverem o tratamento em dia, conseguem minimizar o quadro”.

Dor no peito é o primeiro alerta

Segundo o cardiologista da SBC, o principal sintoma do infarto é a dor no meio do peito que irradia para o pescoço, mandíbula, ombros e braços, especialmente o lado esquerdo.

— Estes são os sintomas clássicos que sinalizam a evolução do infarto, mas há dores atípicas, como no caso do Luciano do Valle que apresentou dor nas costas. Como ele já tinha sobrepeso e histórico de AVC [acidente vascular cerebral], o diagnóstico de infarto poderia ter sido feito se ele tivesse procurado o serviço médico do aeroporto antes de embarcar.

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O cardiologista Miguel Antônio Moretti, da SBC, reforça que “quanto mais rápido a coronária for desobstruída, menores serão as consequências do infarto”.

— A desobstrução da artéria pode ser feita de duas formas, com medicação ou por meio de um procedimento chamado angioplastia.

Para Jardim, o ideal é que o paciente seja atendido na primeira hora, pois na literatura médica “tempo é músculo”. Assim, o cardiologista Diego Gaia, professor da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), aconselha que a pessoa corra para o hospital logo que apresentar os primeiros sintomas.

― Se não houver ninguém para levá-la ao pronto-socorro é necessário chamar uma ambulância imediatamente.

O humorista Renato Aragão, que sofreu um infarto durante a festa de aniversário de 15 anos de sua filha Lívian, passou pelo procedimento de desobstrução da artéria e implantou um stent para mantê-la aberta. Segundo Moretti, o procedimento exige alguns dias de internação.

— Todo indivíduo que enfarta precisa ficar internado por mais ou menos cinco dias, sendo as primeiras 48 horas na UTI [Unidade de Terapia Intensiva] ou em uma unidade de coronária, pois há mais risco de o paciente ter arritmia maligna ou complicação grave. Depois deste período, ele fica no quarto para o processo inflamatório no músculo cardíaco reduzir antes de receber alta médica.

As consequências do infarto dependem do grau de comprometimento do músculo, que vai apresentar dificuldade de bombeamento, avisa Moretti.

— Se a lesão for grande, o coração pode entrar num quadro de insuficiência cardíaca. Por isso, é importante que aos primeiros sintomas o paciente procure o serviço de emergência para minimizar estas complicações.

Fonte:

Radar Financeira

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