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Palavra depressão em camisa gera polêmica

Edição e postagem: Denison Duarte, em 08-01-2014 23:03 | Última modificação: 08-01-2014 23:16
Hospital de Olhos

A rede de roupas alternativas Urban Outfitters voltou a despertar paixões nos Estados Unidos ao vender uma camiseta estampada com a palavra “depressão” em vários tamanhos, em mais uma polêmica envolvendo a loja nos últimos anos.

A rede de lojas, a mais popular entre os jovens dos EUA, teve que retirar da venda a camiseta esta semana após uma onda de críticas nas redes sociais por “tentar transformar em moda uma doença mental”.

Depois de estar novamente no olho do furacão, a empresa anunciou no Twitter que iria deixar de vender a camiseta, mas não antes de explicar que sua intenção nunca foi a de “tornar atrativa uma doença mental”.

A peça da discórdia é uma camiseta de manga curta, que deixa a barriga aparecendo, com fundo branco e a palavra “depression” em preto e em tamanhos diferentes, porque Depression é o nome da marca que a desenhou.

Depression é uma pequena empresa de Cingapura que lançou esta peça para comemorar seu sétimo aniversário, segundo explicaram seus criadores, surpresos por estarem envolvidos nesta confusão.

Kenny Lim e Andrew Low se conheceram há 12 anos em uma grande empresa de publicidade e, cinco anos depois, por causa da “depressão” que modificou o estilo de vida do casal, decidiram largar tudo e começar do zero sua própria marca de roupa.

“Decidimos chamar a nossa pequena loja de Depression como uma lembrança que não devíamos nos deprimir. Se você não gosta da maneira como vive, tem o poder de mudar”, explicaram.

Os donos da Urban Outfitters argumentaram que só buscavam apoiar a pequena marca com a venda da camiseta e em nenhum momento tentaram dar um toque moderno a uma doença.

Esta loja, que é como o paraíso dos “hipsters”, já está acostumada a se desculpar. Em sua lista de ofendidos estão os irlandeses, as mulheres com problemas de peso, as associações que lutam contra o alcoolismo, os judeus, e até o próprio presidente dos EUA.

Em 2010, a rede fez soar todos os alarmes ao vender uma camiseta na qual estava escrito em letras bem grandes “Eat less”, ou seja, “coma menos”.

Aos irlandeses, as ofensas foram feitas através das camisetas, bonés e xícaras com mensagens sobre bebida: “Me beije, estou bêbado, sou irlandês, ou o que seja”.

Em 2012, a loja revoltou uma das comunidades mais poderosas dos EUA, a judaica. A raiva veio depois que uma camiseta estampada com uma estrela foi interpretada como similar à que os judeus foram marcados durante do Holocausto.

Em outras ocasiões, a loja despertou a ira não com uma camiseta, mas com uma coleção inteira. Como a dedicada ao estilo navajo, inspirada no artesanato indígena do sudoeste dos EUA.

Este caso atiçou os historiadores, que consideraram que vender “calçinhas navas” era ridicularizar os nativos americanos e lembraram a Urban Outfitters que a lei proíbe a comercialização de produtos que deem a entender que foram produzidos pelas tribos indígenas se estas não participaram de sua elaboração.

Como se esse histórico não fosse o suficiente para afetar o crédito da rede “hipster”, há também um erro de categoria presidencial: durante alguns dias em seu site uma das cores de uma camisa básica que o cliente podia encomendar era o “preto Obama”.

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