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“Não sou hipócrita. Olho beleza primeiro”, diz Daniel

Edição e postagem: Denison Duarte, em 26-11-2013 01:30 | Última modificação: 26-11-2013 01:33
“Não sou hipócrita. Olho beleza primeiro”, diz Daniel

Rodrigo Andrade interpreta o fisioterapeuta Daniel em 'Amor à Vida'

Hospital de Olhos

Rodrigo Andrade , intérprete do fisioterapeuta Daniel, de “ Amor à Vida ”, vive na novela os preconceitos de ser casado com uma mulher acima do peso, a Perséfone ( Fabiana Karla ). Assim como na ficção, o ator não vê problemas em se relacionar com uma mulher fora dos padrões estéticos. “Namoraria e casaria com uma mulher mais gordinha sem problema algum. Quando existe amor, não tem impedimento para nada, em nenhum sentido. Se eu amar, não vejo motivo de não ficar com a pessoa. Não sou preso a estética. Nem um pouco”, diz ele em entrevista exclusiva ao iG .

Apesar de admitir que beleza é o cartão de visitas da pessoa, o ator – que já ficou com mulheres acima do peso fora da ficção – garante que o visual não é o suficiente para manter um relacionamento. “Já fiquei com pessoas que não eram dentro dos padrões da sociedade. Claro que não vou ser hipócrita de dizer que não olho a beleza no primeiro momento. Todas as pessoas olham. Mas o que mais me prende quando conheço a pessoa é o papo cabeça. Uma mulher inteligente e que sabe o que quer, que tem argumentos, me cativa”, avalia. “Porque tem muita gente que faz culto ao corpo, pensa muito na estética e acaba esquecendo de malhar também o cérebro e isso não me atrai muito.”

Segundo Rodrigo, o drama retratado na novela é exatamente igual ao vivido por pessoas obesas. “É hipocrisia dizer que esse tipo de preconceito não existe. Ele existe, sim. Tudo o que é diferente da maioria chama a atenção e atrai o preconceito, que geralmente vem de pessoas que têm a cabeça vazia, que têm tempo sobrando para se preocupar mais com a vida dos outros do que com a própria. O preconceito é coisa de pessoas mal resolvidas, de cabeça fraca”, opina.

No entanto, a mesma beleza que abre portas também pode ser alvo. “Já sofri preconceito por ser bonito. Fiz um trabalho e a produtora de elenco falou que eu era muito bonito para o papel. Ela disse que precisava de uma pessoa mais comum. Perguntei: ‘mas como assim? Não sou comum? Sou um alienígena?’”, relembra o ator, que ainda acrescenta que a atriz Fabiana Karla é “muito bem resolvida com essa questão”, por isso ela não se abala com comentários maldosos.

Amizade com Caio Castro

Em “Amor à Vida” os personagens de Rodrigo Andrade e Caio Castro são melhores amigos. O mesmo se repete fora das telinhas. Tanto que os atores dividem um apartamento no Rio de Janeiro. “Eu e o Caio dividimos uma casa, isso é normal. Todo estudante, todo amigo solteiro que não mora mais com os pais faz isso hoje em dia. Estava morando sozinho já fazia um tempo em um flat e o Caio também. E flat é uma coisa pequena, que tem gente o tempo inteiro, é impessoal e a gente queria o nosso canto. Somos muito amigos desde o início da carreira e decidimos dividir”, conta.

Mas engana-se quem pensa que a casa dos dois é só comemoração. “Festa quase não rola lá. Gostaria que rolasse, mas não dá tempo. Existe uma lenda de que eu e o Caio somos os maiores festeiros e pegadores do Brasil, mas não é isso. Moramos juntos há alguns meses e até hoje não conseguimos fazer a ‘open house’”, comenta ele, que diz ainda que graças à amizade vai a festas com o Caio e também à academia.

“Estou vivendo uma fase boa na minha vida pessoal e na profissional”

Sem reafirmar a fama de pegador, recentemente Rodrigo assumiu o relacionamento com a empresária Joyce Alvares de Paulo, com que está há pouco mais de um mês. “Estou namorando faz pouco tempo, conhecendo melhor ela. Está muito no início. Estou feliz, vivendo uma fase boa na minha vida pessoal e na profissional. Venho para São Paulo toda semana para a gente se ver. Às vezes ela também vai para lá. Está tudo dando certo.”

Vontade de combater o preconceito por meio da arte

O personagem de Rodrigo Andrade ajuda a combater dois tipos de preconceito: contra obesos e também contra o autismo, já que interpreta o irmão de Linda ( Bruna Linzmeyer ). Para o ator, a função social de sua carreira é ajudar a combater injustiças por meio de sua arte. “Quero sempre fazer personagens diferentes. Preciso lutar para combater o preconceito. Pelo papel que tenho hoje, tenho voz para tentar melhorar o que é errado no mundo. Essa é uma das mensagens que tenho que passar, porque muitas crianças gostam de mim”, explica ele.

Ainda de acordo com o ator, a vontade de ajudar a lutar contra o preconceito seria coroada com um personagem diferente de tudo o que ele já viveu. “Tenho vontade de fazer um gay de periferia, engraçado. Sou movido a desafio. Não tenho nenhum pudor, faria qualquer coisa em nome de um papel que me chamasse atenção. Espero poder interpretar um gay do subúrbio, cabeleireiro. Isso ajudaria a dar voz a esse público. Também tenho vontade de fazer um esquizofrênico, um autista. Quando vi que teria um autista na novela quase chorei. Até pedi, mas já estava reservado para a Bruna”, declara Rodrigo que ainda gostaria de reviver personagens cômicos na TV. “Os meus primeiros trabalhos na televisão foram programas humorísticos. Tenho um lado no humor muito forte que ainda não foi explorado nas novelas.”

“Saí de uma família simples sem nenhum contato na TV”

O sucesso na novela das nove começou a ser trilhado ainda na juventude. Rodrigo nasceu em Altinópolis, no interior de São Paulo, onde viveu até os quatro anos. Depois mudou-se para Franca, cidade também do interior em que ficou até os 18 anos, quando mudou-se sozinho para a capital para virar modelo. De acordo com o ator, a fama conquistada se deve ao público.

“Saí de uma família simples, sem nenhum contato na TV, sem ninguém nunca ter me indicado. Ralei muito. Sofri muito para chegar onde cheguei. Hoje em dia tenho uma vida boa, todos os meus trabalhos fizeram sucesso, graças a Deus. Mas o grande responsável pelo sucesso é o público, que me acompanha, me segue nas redes sociais, que compra meus CDs.”

A infância no interior deu asas à imaginação de Rodrigo. Tanto que o ator tinha três sonhos, sendo um deles para lá de inusitado. “Lembro que queria ser piloto de Fórmula 1 porque amava o Ayrton Senna ; queria ser cantor, porque sempre gostei de cantar e queria ser lixeiro, porque via os homens passando atrás do caminhão do lixo com aquelas luvas e andando em pé atrás do caminhão. Achava o máximo, queria muito andar em pé atrás do caminhão”, revela ele, que afirma ter começado nas artes apenas por prazer, sem nunca ter pensado em ganhar dinheiro com isso.

Assédio dos fãs

Assediado por mulheres acima do peso nas ruas e também por supostas virgens, o ator diz não ter problemas de relacionamento com fãs. Mesmo com aquelas que passam dos limites. “Como estou no ar com uma história que está acontecendo, chegaram mais mulheres gordinhas e até umas brincando que eram virgens e pedindo para eu tirar a virgindade. Mas aumentou o assédio feminino de forma geral”, conta ele.

“É muito bom quando o assédio vem. Esse é o resultado de que seu trabalho está dando certo. É como se você fizesse a prova e tirasse uma nota 10 no final. É claro que já aconteceu de algumas pessoas chegarem eufóricas e perderem um pouco da noção. Isso me deixa um pouco incomodado no momento, mas sempre contornei muito bem as situações.”

Processo de criação

Cada ator tem suas manias para entrar em cena e Rodrigo Andrade começa a funcionar a partir do momento em que se caracteriza. “Faço toda a vida do personagem na minha cabeça, é uma coisa meio louca. Quando coloco o figurino é como se eu estivesse saindo e dando espaço para uma entidade, um personagem que não sei denominar. É como se não fosse eu. Em muitas cenas intensas não lembro do que aconteceu depois que acabo de gravar. E sempre que vejo o resultado depois acaba sendo uma coisa muito positiva”, comenta o ator, que sempre assiste às cenas em casa para poder avaliar os pontos em que está errando e também nos quais está acertando.

Duas carreiras

Recentemente, Rodrigo lançou a música “30 Anos”, com autoria de Paula Matos . O ator e cantor sertanejo sente prazer em conciliar as duas carreiras. “Não privilegio uma das duas carreiras. Quando estou gravando uma novela é o momento que estou preparando o meu novo disco, meu novo trabalho, minha nova turnê. Isso também é uma coisa que demanda muito tempo. Mas quando acaba a novela, já caio na estrada e aí é um ritmo de shows mesmo. Pego a estrada de quarta a domingo sem parar”, diz ele, avaliando as duas profissões como complementares.

Pronto para sair em turnê assim que acabar a novela, com mais de 30 shows já agendados para 2014, incluindo performances em Portugal e na África do Sul, Rodrigo prepara a gravação do videoclipe do single “30 Anos” com a participação de sua colega de cena, Fabiana Karla.

“A escolha dela também serve para desmistificar, porque todo cantor seleciona uma modelo para fazer o clipe. Tem tudo a ver com a letra da música, está no momento certo, a Fabiana é minha amiga. Vai ficar lindo o clipe com ela. Fiquei muito feliz quando ela topou”, conclui Rodrigo.

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