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20 de junho de 2018

Rio 2016: Tribunal de Contas da União teme ausência de legado


Hospital de Olhos

“É preciso ter inteligência na preparação dos Jogos Olímpicos. Inclusive é necessário trabalhar o legado, paralelamente à ação da Olimpíada, porque não dá para esperar 2016 para pensar o que será feito com as instalações. Em alguma medida, foi um erro do Pan. Diria que é preciso ter inteligência no trabalho destas instalações levando-se em conta a utilização social.”

A declaração acima foi dada por Orlando Silva Jr. à Folha de S. Paulo em outubro de 2009, quando era ministro do Esporte. Lula ainda era o presidente do Brasil. E o país acabara de ser escolhido para receber os Jogos Olímpicos de 2016. Cinco anos depois, um relatório do Tribunal de Contas da União mostra que as frases de efeito sobre a preocupação com o legado das Olimpíadas ainda não foram transformadas em ação.

Mais grave: segundo o ministro relator Aroldo Cedraz, pelo andar da carruagem existe um risco de o legado não ser planejado antes dos Jogos. Isso significa que o Brasil pode erguer diversas arenas sem ter um plano claro do que será feito com elas, sem compromisso nenhum firmado sobre a herança a ser deixada para os atletas e para a população.


O relator diz em seu texto que, a menos de dois anos para as competições, era esperado que a definição sobre o uso dos equipamentos já estivesse mais adiantada. E para tentar acelerar esse trabalho, o TCU estabeleceu que o ministério do Esporte tem 120 dias para apresentar relatórios sobre a utilização das ações tocadas com dinheiro do governo federal.

Cedraz cita como exemplo positivo de legado planejado o laboratório de controle de doping da Rio-2016. Já está definido que, após o evento, o local será mantido pela UFRJ e continuará a realizar exames antidoping, bem como pesquisas na área — em fase final de construção, o laboratório ainda precisa conseguir o credenciamento da Agência Mundial Antidoping para executar os testes olímpicos.

Um dos trunfos do plano de legado apresentado na candidatura do Brasil aos Jogos era a criação do Centro Olímpico de Treinamento, na Barra da Tijuca. Parte das arenas do Parque Olímpico seria usada para treinos de atletas brasileiros de diversas modalidades, criando um grande centro de excelência. Segundo o TCU, ainda nem foi definido se o centro existirá mesmo ou se será dado outro destino às arenas.

O relatório do tribunal usa como alerta o que aconteceu com as Olimpíadas de Atenas, em 2004, que deixou uma série de elefantes brancos pela cidade. Mas não é preciso ir tão longe. O Pan de 2007 já era citado por Orlando Silva, em 2009, como um exemplo da falta de sucesso no planejamento prévio do uso das instalações esportivas.

viaRio 2016: Tribunal de Contas da União teme ausência de legado.

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