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17 de dezembro de 2017

Manifestações contra a Copa do Mundo reúnem milhares pessoas


Hospital de Olhos

A maior manifestação ocorreu em São Paulo, na ocasião do aniversário da cidade, terminando com ações violentas dos Black Blocs. Atos de protestos também foram registrados em outras doze capitais brasileiras. Manifestações contra a Copa do Mundo de 2014 ocorreram no sábado em pelo menos 13 capitais do país. Em São Paulo, milhares de pessoas participaram do protesto, que contou com integrantes de grupos Black Bloc.

A manifestação começou às 17 horas e continuou pacífica até o início da noite, quando alguns mascarados passaram a depredar lojas e agências bancárias em ruas do centro de São Paulo. Foram detidos 146 manifestantes, liberados durante a madrugada.

Segundo o major da Polícia Militar do Estado de São Paulo, Larry Saraiva, a manifestação chegou a reunir 2.500 pessoas. Para líderes dos movimentos que organizaram o protesto, havia, no mínimo, 3 mil participantes. O major afirmou ainda que 2 mil policiais haviam sido mobilizados para monitorar o ato.

Em um desfecho que remeteu aos grandes protestos do ano passado, mais de cem pessoas foram detidas “para averiguação”, segundo a PM.

O governador de São Paulo Geraldo Alckmin (PSDB) condenou o ato, em uma declaração na rede social Twitter. “Como a imensa maioria dos brasileiros de São Paulo, condeno com energia os atos de violência e vandalismo registrados nesta noite. Digo com alegria que esses vândalos não mancharam um dia que foi inteiro de festa para esta cidade corajosa e orgulhosa de seus valores”. O governador fazia referência às comemorações do aniversário de 460 anos de São Paulo.

Protestos e depredações

O protesto foi convocado por Facebook e teve início às 17 horas em frente ao vão livre do Museu de Arte de São Paulo. Centenas de manifestantes se concentraram no local e fecharam uma das pistas da Avenida Paulista. O ato cresceu à medida que o grupo caminhava pela avenida, em direção ao centro da cidade. Cerca de 50 integrantes de grupos Black Bloc participaram do protesto.

Os Black Blocs, manifestantes mascarados e vestidos de preto que dizem ser adeptos da filosofia anarquista – defendem o uso da violência como forma de atuação política. Esses grupos apareceram com força no Brasil nos protestos de junho do ano passado.

Por volta das 20 horas, um carro foi queimado e um veículo da Guarda Civil Metropolitana foi depredado. Alguns mascarados se separaram dos manifestantes e quebraram vidros de agências bancárias e da fachada de uma concessionária. A polícia usou bombas de gás lacrimogêneo e de efeito moral, além de balas de borracha.

O manifesto dos organizadores do evento faz menção às manifestações do ano passado: “O levante de junho de 2013 mostrou claramente que brasileiros já perceberam: os gastos bilionários na construção de estádios não melhoram a vida da população, apenas retiram investimentos dos direitos sociais. Isso sem falar no risco de corrupção”.

Durante o ato, manifestantes gritavam palavras de ordem como “Pentacampeão em injustiça e corrupção” e “Amarildo, quem é que viu, tem que acabar com a polícia do Brasil”.

Para o manifestante Fabiano Carneiro, de 30 anos, o Brasil não tem estrutura para receber o evento. “Estão usando dinheiro do povo, dos contribuintes, para construir estádios, enquanto falta dinheiro para educação e saúde”, diz.

“Rolezinho” vira protesto em Brasilia

Em Brasília, o medo de que um “rolezinho” marcado para a tarde deste sábado saísse do controle fez com que a administração de um shopping center de luxo na zona norte da cidade resolvesse fechar as portas.

Em nota divulgada na página do centro comercial, o shopping diz que “respeita as manifestações democráticas e pacíficas”. Entretanto, “o espaço físico e a operação de um shopping não são planejados para receber qualquer tipo de manifestação”.

Frustrados pela decisão do shopping center, os cerca de 20 jovens que chegaram a ir até o local acabaram se juntando a um ato contra a Copa do Mundo, na área externa de outro shopping na zona central norte da cidade. No auge da manifestação, o número de participantes era em torno de 60.

Durante o ato, líderes usavam o megafone para criticar gastos com o Mundial e gritavam, em coro: “Não vai ter copa”. Os manifestantes protestaram contra as repressões durante os protestos de junho e cobraram mais investimentos em saúde e educação.

Faixas e cartazes faziam críticas ao governo e traziam estampadas a marca do Movimento Estudantil Popular Revolucionário (MEPR), grupo de esquerda com presença em vários estados.

Rio de Janeiro e Goiânia

O Rio de Janeiro também foi palco de um protesto contra a Copa do Mundo neste sábado. Por volta das 17 horas, cerca de 130 pessoas se reuniram em frente ao Copacabana Palace Hotel, na Zona Sul da cidade, e caminharam até Ipanema.

Em Goiânia (GO), cerca de 100 pessoas marcharam em protesto contra a Copa. Houve queima de pneus e pichações.

Também foram registrados protestos em Recife, Curitiba, Fortaleza, Natal, Belo Horizonte e Manaus.


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