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Secretário de Assistência Social de Amarante pede exoneração e diz: ‘Eu tenho o meu caráter’

Edição e postagem: Denison Duarte, em 31-05-2016 21:54 | Última modificação: 01-06-2016 14:52
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O secretário de Assistência Social do município de Amarante, Josineide Amorim, entregou o pedido de exoneração do cargo na noite desta segunda-feira (30).

A decisão, que pode abalar os rumos da política em Amarante, segundo ele, foi tomada em razão de imposições do prefeito Luiz Neto(PSD) que contrariavam a sua formação ética e o seu caráter.

“Eu entreguei a minha exoneração nesta segunda-feira (30) ao chefe de gabinete da prefeitura, Augusto César. O prefeito e eu não temos mais como continuar trabalhando juntos. Ele fez as imposições dele e eu não aceitei porque tenho o meu caráter. Eu trabalho dentro do que eu acho que é certo, e a partir do momento que ele passou a fazer imposições eu decidi. Ele chegou a dizer que se eu não aceitasse iria atrapalhar o governo dele, por esta razão, decidi entregar o cargo.”

Questionado acerca das imposições que o levaram a pedir a exoneração do cargo, Josineide Amorim, que também é pastor evangélico, foi incisivo, e detalhou suas razões ao Somos Notícia.“A minha esposa Maria do Carmo é odontóloga e atendia mais de 150 pessoas por mês na Prefeitura. Ela foi demitida sem direito a retorno e foi substituída sem nenhuma explicação. Ela simplesmente disse que não ia acompanhar o candidato do prefeito, e que iria anular o seu voto. Chegando aos ouvidos do prefeito, ele disse que não aceitava que eu fosse secretário e minha esposa falasse que não ia acompanhar o seu candidato.”

Josineide foi além nas revelações ao dizer que foi orientado a calar a própria esposa porque dizia que não ia votar no candidato do governo.

“O prefeito disse que eu tinha que calar a minha esposa. Eu disse a ele que a minha esposa estava certa porque tinha sido injustiçada, até porque é uma excelente profissional e foi colocada para fora sem nenhuma explicação”, reforça.

Depois de atuar no município e deixar a assistência social de Amarante entre as 50 melhores do Brasil em 2015 e 2016, a decisão de Josineide Amorim, segundo ele, deixa insatisfações e rejeições na população e também a colegas de trabalho e integrantes de grupos sociais do município.

“As pessoas que me acompanharam ficaram tristes, e até fizeram homenagens para mim. Tenho recebido várias mensagens de colegas da secretaria e também de amigos. Eu tinha uma equipe que realmente trabalhava por prazer e pelo amor ao social. Nós fizemos com que o social de Amarante fosse reconhecido nacionalmente”, disse ele referindo-se às premiações do Ministério do Desenvolvimento Social (MDS) por estar entre os 50 melhores gestores do Brasil em dois anos consecutivos.

Josineide foi homenageado em 2015 pelo Ministério por estar entre os 50 melhores gestores em responsabilidade social no Brasil, e em 2016, novamente entre os 50, pelo sucesso em sustentabilidade social em todo o país.

Ele acrescenta ainda que dentre as conquistas mais recentes está o ingresso de 400 novas famílias no Bolsa Família em apenas um ano.

“A equipe está triste com a minha saída porque nós avançamos muito. Conseguimos levar o social à zona rural de Amarante. Levávamos os idosos para a ginástica, e também a dança portuguesa para outras cidades.”

O pré-candidato Clemilton Queiroz e a decisão de Josineide Amorim

Em relação a decisão de Josineide Amorim, o atual vice-prefeito e pré-candidato a prefeito de Amarante em 2016, Clemilton Queiroz (PT), não se manifestou.

O ex-secretário fez um desabafo sobre a atitude do pré-candidato. “O Clemilton Queiroz ficou calado e não tomou nenhuma posição. As pessoas me ligam o tempo todo e perguntam sobre o posicionamento dele. Eu tinha uma amizade muito grande com ele, mas até o momento ele não fez nada por mim. Estou com a consciência tranquila e com a cabeça erguida por ter feito um excelente trabalho.”

O ex-secretário assegura que tem o apoio de toda a família, que também não aceitou as imposições do prefeito. “Ele quis que eu deixasse a minha esposa amordaçada sem poder expressar a sua posição política, isso jamais!”

“No lado cristão, a gente aprendeu que a nossa palavra tem que ser o sim sim e o não não”, encerra.

Edição, postagem e foto: Denison Duarte

 

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