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II Encrespa Amarante reúne centenas de jovens e discute identidade negra na sociedade atual

Edição e postagem: Denison Duarte, em 29-07-2017 18:40 | Última modificação: 30-07-2017 11:39
Hospital de Olhos

II ENCRESPA AMARANTE – Centenas de jovens de Amarante e região marcaram presença no II Encrespa, que aconteceu na Cooperativa Educacional de Amarante-PI (Ceapi) na tarde desta sexta-feira (28).

A exemplo da primeira edição, realizada em julho do ano passado, o movimento possibilitou ampla discussão sobre representatividade e identidade negra na sociedade.

“Apesar de se chamar ‘Encrespa Amarante’, não é só sobre cabelo que se discute. É, a partir do cabelo, fazermos essa discussão de representatividade e identidade”, disse Sâmia Alves – da organização.

“Há muita gente que perde o emprego pelo fato de o cabelo ser encaracolado, principalmente na Saúde. Muitos acham que o cabelo encaracolado é questão de sujeira. Geralmente não trabalham em certos cargos por conta desse mito. Isso é o que queremos acabar”, acrescentou.

Uma roda de conversa trouxe ao público a representante do RUA Juventude Anticapitalista, Ester; as integrantes de políticas públicas, Haldaci Regina e Lara Danuta; e também a doutoranda no Programa de Pós-Graduação em Letras – Lívia Carvalho.

Pesquisadora sobre representações identitárias negras e crioulas na Literatura da Martinicana, Lívia Carvalho acredita na relevância do evento como elemento de empoderamento das pessoas no entendimento sobre o que é ser negro.

“O evento é positivo”, disse ela, “pois tem uma relevância muito grande para o reconhecimento e empoderamento das pessoas de Amarante, possibilitando que elas entendam o que é ser negro, o que é ter o cabelo cacheado. Essa é uma tentativa de ressignificar e quebrar esses paradigmas existentes de que o negro não tem espaço, não tem voz e que não pode ter sua identidade, muito menos contar a sua própria história. Esse é um trabalho de reconstrução e ressignificação de identidade”, completou Lívia Carvalho.

Manifestações culturais e apresentações temáticas fizeram parte da a programação, que teve início às 14h30. Participaram do evento integrantes da Associação Brasileira da Arte e Cultura da Capoeira (Abrac) de Amarante, São Francisco do Maranhão, Regeneração, São Pedro e Água Branca.

Dentre as apresentações, o público assistiu maculelê, puxada de rede, dança afro, capoeira e samba de roda. “Nós que viemos da capoeira, de uma luta de sofrimento, lutamos também contra o preconceito e contra a desigualdade. Colocamos o que é bom na cabeça dos jovens. Sempre abordamos que somos todos iguais, ninguém é pior que ninguém”, afirmou o instrutor Jailson Lacraia.

Deslocando-se do estado de São Paulo para participar do evento, em Amarante, pelo segundo ano consecutivo, mestre Mantega ratifica que o Encrespa é importante porque foca na valorização da cultura negra.

“Esse trabalho do qual participamos pelo segundo ano consecutivo mostra o valor da capoeira e o valor do negro. Para nós que amamos a cultura negra é um prazer enorme participarmos dessa programação. Dessa maneira, mostramos também o valor da arte sob forma de conscientização. Nesses eventos a gente mostra o valor da cultura negra”, considerou Mantega.

O II Encrespa Amarante trouxe como parte da programação as seguintes atrações:

– Apresentações culturais: Maculelê, Capoeira, Júlio Dance e Samba, Desfile do Empoderamento, Espaço Infantil e Cine Preto (exibição de filmes);
– Oficinas: Turbante, Maquiagem, Penteados e Hidratação Capilar;
– Roda de Conversa: “Representatividade Negra importa sim!”, com Haldaci Regina, Coordenadora Estadual de Políticas Públicas para Mulheres, e “Papo de Cabelo”.

 

II Encrespa Amarante | Fotos: Denison Duarte

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