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11 de dezembro de 2017

Amarante, um chão de Cultura


Hospital de Olhos

Encontros Culturais – Os Encontros Culturais de Amarante tem a sua origem na criação do Grupo Teatral Nasi Castro, em 1976. Tendo como o principal idealizador, o professor e jornalista Vírgílio Queiroz com o apoio de Luís Alberto Soares, Zulmira Bezerra, Socorro Leal Paixão, Antonio Alves (falecido), Ocirema Ribeiro, Chuegas Del Manelito (falecido), Pio Vilarinho, Raimundo Alves, entre tantos outros. Em 1980, praticamente sem o apoio do poder público, o Grupo Teatral Nasi Castro promoveu a 1ª FEIRA DO POVO DE AMARANTE. Foi algo extraordinário! Para a ealização do evento, os integrantes do referido grupo teatral saíram de casa em casa pedindo contribuição em alimentos para atender as exigências básicas para a alimentação dos grupos teatrais de todo o estado piauiense que se encontrava em nossa cidade. Esse momento pode ser considerado o marco inicial dos encontros culturais. Foi, nesta época que o Mimbó foi mostrado para o mundo, através de um artigo publicado pelo Jornal da Manhã, através do saudoso jornalista Paulo de Tarso Moraes, com a participação de Orlando Portela, Luiz Brandão e Virgílio Queiroz (todos, atualmente jornalistas). Devido o sucesso da 1ª FEIRA DO POVO DE AMARANTE, Virgílio Queiróz foi procurado pelo emérito professor Noé Mendes – grande amante da cultura popular piauiense que, ao lado de figuras brilhantes, como da professora Verônica Ribeiro, propôs um projeto ousado – a criação do 1º Encontro Cultural de Amarante. Tudo certo. A festa foi grandiosa! Um projeto gigantesco que envolveu a Universidade Federal do Piauí, a Fundação Cultural do Piauí, o Governo do Estado, o Ministério da Educação e, praticamente todas as cidades da região do Médio Parnaíba. Foi a maior festa cultural do Piauí, na época. Para se ter uma ideia: todas as hospedarias de Amarante ficaram lotadas, sem contar as pessoas que ficaram lotadas na União Artística Operária Amarantina, Ginásio Da Costa e Silva e Casas residenciais. Em 1981, a Prefeitura Municipal de Amarante, governo de Emília da Paixão Costa (Bizinha), promoveu a 1ª Semana Cultural de Amarante, realizada com sucesso na Praça Padre Virgílio. Em 2009, 2011 e 2013, a Prefeitura Municipal de Amarante (governo de Luiz Neto), através da Secretária de Cultura e Turismo, promoveu na Avenida Desembargador Amaral, o XV, XVI e XVII ENCONTROS CULTURAIS.
Destacável grupo. Amarante, considerada referência Cultural do Piauí, nestes últimos anos, vem desenvolvendo expressivas ações culturais, tendo como exemplo, o “Ponto de Cultura” (ESCOLA DE MÚSICA PARA A VIDA), amparado pelo MEC e FUNDAC, vinculada à Associação dos Moradores do Bairro Escalvado, também apoiada pelo Ministério da Cultura. A referida associação vem resgatando e motivando a Cultura para todas as classes sociais amarantinas, abrindo espaço também para realizações de oficinas artísticas e técnicas às crianças, jovens e adultos. Em março de 2012, o Ponto Cultural contribuiu com um documentário em vídeo, “Auta Rosa”, lançado pela “Associação Cultural dos Amigos de Amarante” com a participação de atores amadores e voluntários de Amarante, retratando a história da “Finada Auta”, considerada santa amarantina. O sucesso do Ponto de Cultura deve-se ao um grupo de gestores: Bertoldo Neto, Solimar Miranda, Selma Alves, Emília Ribeiro, Danilo Costa, Rosemary Ana, Valdemar Santos, João Barbosa, Maura Regina, Raimundo Rabelo e Francisca Araújo

Grupos teatrais sempre se destacaram na cultura amarantina. Arquivos de historiadores apontam que em 1919, foi organizado o Teatro São Gonçalo, em uma das casas da Rua Abdon Moura, dirigido por um grupo de senhoras da elite amarantina. As apresentações teatrais comoviam muito o povo. Este grupo marcou história. Surgiram outros importantes grupos, como exemplo, o Grupo Teatral Nasi Castro e Grupo Amarantus. Jovens estudantes amarantinos inspirados numa peça teatral apresentada em Amarante por um grupo de Teresina, formaram o Grupo Teatral Nasi Castro (GRUTENATRO), como forma de homenagear a saudosa historiadora Raimunda Nonata de Castro (Nasi) que se sentiu comovida no dia da estréia do grupo, 04 de agosto de 1975, no Amarantino Clube, onde houve relevantes homenagens à escritora amarantina e ao aniversário de Amarante. O Teatro Nasi Castro sempre foi sucesso. Participou de grandes festivais em Teresina e se exibe em outras cidades. O teatro também apresenta folclore de Amarante e outras manifestações culturais. O grupo foi regularizado com a formação de diretoria e registro em Cartório. Os pioneiros desse empreendimento foram: Luís Alberto dos Santos Soares, José Virgílio Madeira Martins Queiroz, José Neto de Sousa e Zulmira Bezerra. A primeira peça apresentada nessa nova fase foi “Os olhos que eu matei”, com atuações de: Virgílio Queiroz, Socorro Paixão, Ocirema. Luís Alberto, além de diretor, foi ator em uma peça – “A farsa do advogado”. O ponto alto do Grupo Teatral Nasi Castro se deu com a apresentação da peça “A volta do Filho Pródigo”, no Theatro 04 de Setembro, em 1977, sendo os componentes aplaudidos de pé. Na oportunidade o grupo recebeu o título de melhor figurino do festival. Atores e atrizes da peça: Virgílio Queiroz, Chuegas Del Manelito, Raimundo Alves, Oliveiros, Ely Sibita, Chico Noca, Anileide Veloso, Pio Vilarinho Júnior.
Anos depois da criação do GRUPO TEATRAL NASI CASTRO, um grupo de professores, estudantes, teatrólogos folcloristas, formaram o Grupo Teatral Amarantus, fundado no dia 25 de junho de 1991, com comovente apresentação teatral em Amarante. A criação do grupo deu-se através de uma oficina de teatro, ministrada pelo tea6trólogo Raimundo Dias (falecido) da FETAPI e da folclorista e atriz Zulmira Bezerra, a popular Sibita. O Grupo Teatral Amarantus fez várias apresentações em várias cidades, especialmente em Floriano e Teresina onde participou de festival de teatro amador e conseguiu importantes troféus. Um dos seus principais trabalhos é a peça “Amarante nossa de cada dia” (roteiro de Selma Bustamante e Josélia Soares). A peça retrata a história de Amarante do início do povoamento aos dias atuais. Foi apresentada várias vezes em Amarante e em outras cidades, na década de 90. Em 2010, foi encenada, com autorização do Grupo Amarantus, por alunos da Unidade Escolar Polivalente, da rede estadual de ensino. As adequações para essa apresentação foram feitas pela professora Selma Maria Alves de Jesus e pelo coreógrafo Valdemar Carvalho.

Amarante possuiu um riquíssimo folclore considerado pelo saudoso professor Noé Mendes, como um dos mais puros do Brasil. Amarante recebe quase que diariamente visitas de pessoas interessadas em pesquisar as manifestações populares que se apresentam espontaneamente nas danças: Cavalo Piancó, no Pagode, especialmente o do Mimbó, nas Doze Danças Portuguesas, Rodas de São Gonçalo e de São Benedito, Coco Peneruê, Danças do Balaio e das Peneiras, e muitas outras. Tem também as narrativas e lendas contadas que são nos terreiros das casas da zona rural do município.
Cavalo Piancó – Um dos destaques do folclore piauiense é uma forma de coco que surgiu às margens do Rio Canindé, local da tradição do plantio nas vazantes. Não se sabe ao certo a data do surgimento e nem o autor desta dança popular genuinamente amarantina. Atribui-se que o Cavalo Piancó é originário da comunidade Veredinha. Nos arquivos dos grandes historiadores de Amarante, encontra-se registrado que nas noites enluaradas, quando se vigiavam as plantações, rapazes e moças, para afugentar o sono, entretinham-se com a brincadeira. Dançado aos pares, cavaleiros e damas em círculo, imitando o trote de um cavalo manco. Os cavaleiros trocam de damas e seguem o enredo dançando e cantando. O Cavalo Piancó é conhecido em vários lugares do território nacional e exterior. Divulgado nas grandes emissoras de rádio e televisão, nas importantes revistas e jornais. Já se apresentou em outros Estados. Participou há mais de 30 anos atrás de um festival de folclore do Norte e Nordeste do Brasil na Capital Maceió. Em 1982, o Grupo de Teatro “Nasi Castro apresentou-se em São Luís, na 4ª Mostra de Danças do Norte e Nordeste, no Teatro “Artur Azevedo”, com várias manifestações, entre elas o “Cavalo Piancó”. A atriz Zulmira Bezerra, a popular Sibita, há longos anos, vem sustentando esta tão apreciada dança folclórica.
As Doze Danças Portuguesas, folclore originado de Portugal. Em Amarante, tornou-se tradição há muitas décadas, geralmente bem apresentadas nos momentos culturais de nossa cidade e nos encontros folclóricos de outros lugares. A folclorista e atriz Sibita diz por aí afora que As Danças Portuguesas, sempre foram bem representadas e muito aplaudidas, especialmente nas apresentações em Teresina. Sibita, uma das maiores colaboradoras da cultura de Amarante, ultimamente vem se preocupando com a preservação de nossa riqueza popular, ela fala que é necessário mais incentivo das autoridades governamentais.
Pagode de Amarante é uma cultura rotineira, exibida tanto na zona urbana como na rural. O pagode de Amarante é convidado a se apresentar em várias cidades da região, especialmente nos grandes encontros culturais de Teresina, ultimamente representado pelo Pagode do Mimbó. Esta cultura é originada do território africano, cantado e dançado por escravos que viviam em Amarante. Hoje, todos participam desta cultura milenar. Na realidade, o Pagode amarantino se destaca pela sua grandeza animadora e beleza coreográfica e de compasso encantador. como “Gonçalo Urubu”. Em 1959 e 1960, com participações de pessoas de Floriano, foi encenada a manifestação dos CONGOS, com grande aceitação. Em 1961, os irmãos Marcos e Gonçalo Pio, que haviam participado desta brincadeira, levaram-na à festa do Centenário da transferência da Sede da Freguesia e Vila de São Gonçalo, para Amarante, por solicitação do Padre Isaac José Vilarinho (hoje, Monsenhor), então vigário da cidade.

Reis de Careta – Cultura popular secular de Amarante, especialmente na Zona Rural. Este folclore é apresentado anualmente, do Natal ao Dia de Reis, 06 de janeiro. Há vários grupos no município. Eles são formados com poucas personagens: um ou dois violeiros cantadores; um batedor de pandeiro; dois homens com máscaras no rosto (caretas), trajados de roupas velhas remendadas e até rasgadas, paletó preto, gravata e chibata comprida. Eles são cômicos e incluem termos satíricos; Burrinha – trata-se de um homem com um esqueleto de buriti enfeitado de papel de cor rosa e espelhos, conduzido entre suas pernas como se ele tivesse montado no animal. Às vezes, há outra figura dramática que faz a função de Maracanã ou Merequenen. Os Reis de Caretas cantam até por longas noitadas em várias casas, havendo antecipadamente uma combinação. Sempre acontece em suas exibições, participação de mulheres nas cantorias. No ato do evento, os folcloristas colocam lenços nos ombros dos donos das casas e recebem contribuições em dinheiro.
O Reisado e as Pastorinhas apresentavam-se em Amarante no fim de dezembro e começo de janeiro. O grupo era composto de cigana, rainha e pastora. Dançavam nas residências com bailados e belas canções, acompanhadas da orquestra. Era formado por moças de nossa cidade que participavam espontaneamente. Arrecadavam dinheiro para a Igreja Matriz de São Gonçalo ou fins filantrópicos. Era bonito, romântico e divertido. Ainda hoje essa tradição é mantida até com a participação de crianças.
Os Congos – Cultura popular que foi muita praticada em Amarante, durante anos através do folclorista conhecido como “Gonçalo Urubu”. Não conseguimos a sua letra. Em 1959 e 1960, com participações de pessoas de Floriano, foi encenada a manifestação dos CONGOS, com grande aceitação. Em 1961, os irmãos Marcos e Gonçalo Pio, que haviam participado desta brincadeira, levaram-na à festa do Centenário da transferência da Sede da Freguesia e Vila de São Gonçalo, para Amarante, por solicitação do Padre Isaac José Vilarinho (hoje, Monsenhor), então vigário da cidade.
Os Marujos foi um folclore trazido para nossa cidade por um senhor de São Pedro do Piauí que tinha parentes no Bairro Areias, segundo o saudoso Francisco Félix da Silva (Chico Félix), pai dos irmãos, Doquinha, Tetê, Verana, Reis e Manoel Felix. O popular Chico Felix disse ainda para várias pessoas que este folclore veio de Fortaleza – Ceará. Os Marujos de Amarante sempre foi representado pelo Bairro Areias por longos anos. Este folclore foi esquecido por um período, mas, hoje estão resgatando esta tradição.
Reisado das crianças e adolescentes – Recentemente resgatado por Maria das Dores Batista da Silva, a popular “Dora do Afonso da Churrascaria Ipanema”. Um show de dança e cântico. Esse encantador folclore vem se apresentando com sucesso em Amarante, graças à boa vontade desta incansável amarantina, uma amante da nossa cultura popular. São 22 crianças e adolescentes do sexo feminino que com competência revivem essa antiga cultura que se encontrava esquecida. O reisado é composto de personagens: Ciganas, Rainha, Estrela, Rosa, Cravo, Amor Perfeito (camponesa), Galegas (adoração do presépio), Borboletas e do carneirinho, companheiro das Galegas. Apresentação: 06 de dezembro a 20 de janeiro. As baixinhas dão um show mesmo.

Bumba-Meu-Boi ou simplesmente O BOI. Era uma das mais animadas festas da cidade. Numa tarde de final de semana se programava a morte do Boi. A multidão se aglomerava num curral improvisado. Cedo da noite, farta comida para os convidados e em seguida festa dançante com música ao vivo até o dia amanhecer. Registrado na memória do povo e nos arquivos históricos de nossa gente, os “BOIS” de Antônio Ribeiro (falecido), Paulo Pereira (falecido), popular Dinga (falecido), Pedro Gregório (falecido) e o da Veredinha. Nestes últimos anos, esta tradição amarantina está sendo apresentada, até fora de época, pelos populares Manoel Senhor e Afonso Ti-ti-ti (Velho do Rio).
Roda de São Gonçalo é uma tradição religiosa. Conforme os arquivos de NASI CASTRO, a letra desta cultura adquirida pelo Padre Isaac Vilarinho (hoje Monsenhor Isaac), então vigário da Paróquia de São Gonçalo, com Dona Maria das Dores da Anunciação – Dora do Geraldo Rezador – e foi cantada por um grupo de moças na festa comemorativa do 1º Centenário da transferência da sede municipal e paroquial ocorrida em julho de 1961.
Roda de São Benedito – novena, dança e cântico em homenagem ao Santo. Há décadas uma tradição religiosa em Amarante. Depois dos atos religiosos, muitos se organizam em roda para fazerem coreografia simples num ritmo bem marcado. São formadas duas fileiras de homens e mulheres, para dançar e cantar com acompanhamento de violas, em torno de um altar improvisado.
Dança do Balaio – Folclore, esquecido em Amarante. Foi muito exibida em apresentações culturais escolares e em outros movimentos da nossa cultura, nos anos 70. O Balaio – dança e música, abrange duas fases, a antiga que o nordeste, da Bahia ao Maranhão, conheceu durante um século. E a posterior ou moderna, a partir de 1946, que atingiu todo o Brasil e se projetou no exterior. Em Amarante, a dança foi apresentada pela primeira vez na Unidade Escolar Luís Mendes, Bairro Areias, em 1970, através da professora Iracema, diretora daquele colégio na época, com os ensaios da folclorista e atriz Ely Sibita, que era inspetora da unidade escolar. Houve uma pequena modificação na letra da música de O Balaio, executada somente por cânticos e coreografia dos participantes, sendo que os dançarinos iam ao centro de um em um, até que o grupo se reunisse.
Dança das Peneiras – Folclore adaptado em Amarante, baseado na Dança do Café. Não havia no Brasil, nem mesmo em São Paulo, estado cafeicultor por excelência, uma dança que se prendia ao círculo do café: plantio, carpa, poda, colheita. No entanto, sabe-se que agricultores paulistas apresentavam uma dança que reproduzia as várias fases do plantio do feijão, desde a aração de terra ao ensacamento (cereal). Depois, os cafeicultores a improvisaram para a comemoração da sua colheita. A dança tornou-se popular em Amarante, através das apresentações culturais em colégios da cidade. Diz a folclorista e atriz Ely Sibita que houve uma ajuda da saudosa Ione Silveira na música e letra do folclore, no momento, esquecido.

“Dança da Rasteira”. A folclorista e atriz Zulmira Bezerra (Sibita) conta que na década de 50, em Amarante, ocorria anualmente uma brincadeira muito engraçada no Bairro Cajueiro, pronunciada como “Dança da Rasteira” e “Tambor de Crioula”, comandada pela inesquecível amarantina Ovídia Maria Feitosa, popular Santa Vieira. Tratava-se de um bailado com característica do tradicional folclore Pagode de Amarante. Os dançarinos se movimentavam em pares (homens e mulheres) com muito gingado e sapateado circulando um pau grosso fincado no terreiro da casa da saudosa Santa Vieira, no qual havia um músico sentado nele, cantava e tocava num tambor. Qualquer distração dos dançarinos, as dançarinas aplicavam-lhes “rasteiras” desconcertantes e, por diversas vezes, eles caiam esparramados no chão. O público soltava longas gargalhadas e fazia chacota deles.

imagesDança do Tiroli – Trata-se de um bailado muito animado onde o sapateado se faz presente ao som de várias músicas ao vivo através de sanfoneiro, cantores. Participação de jovens dançarinos de vários os sexos. Uma espécie de quadrilha junina, parecida com as “Danças Portuguesas”. Vale esclarecer que a acalorada dança foi vista no município de Angical do Piauí pelo professor e folclorista amarantino, Raimundo Dias da Costa. Ele adaptou outros ritmos e cânticos na Dança do Tiroli para um grupo folclórico do povoado Conceição, Zona Rural de Amarante. Constantemente, um grupo folclorista daquela comunidade se apresenta em manifestações culturais da região. Segundo o saudoso professor Noé Mendes, a expressão cultural Dança do Tiroli, é de origem indígena.
Coco Peneruê – Outra cultura popular de Amarante, esquecida. Dança muito exibida na cidade na década de 70. Conhecida em outros lugares do nordeste como Coco do Sertão. Folclore com característica dos Cocos antigos, como sejam: formação em roda, sapateado, umbigada, colocação dos pares vis-à-vis, aspectos estes comuns aos Cocos alagoanos. A dança tem movimentos circulares ora apresentados pelos dançadores girando em torno de si, ora descrevendo pequenos círculos entrelaçados, ora progredindo e girando ao mesmo tempo, dando a impressão de roda viva, a movimentar-se incessantemente, rodopiando e girando. Nesta versão de roda apresentada em Amarante, os dançadores cantam o refrão e não há solistas.
Há vários grupos folclóricos no município de Amarante, na Zona Urbana e Rural. Por exemplo: Grupos de Teatros: Nasi Castro e Amarantus, que também apresentam danças folclóricas. No bairro Cajueiro há um grupo que proporciona o “Cavalo Piancó Mirim”; Pagode Mirim e Grupo de Pagodeiros do povoado Periperi; Grupo Folclórico das irmãs (professoras), populares Mariquinha e Mundinha; Tiroli, Reisado de Careta, danças apresentadas por grupos dos povoados Conceição. Na comunidade Mimbó tem vários grupos de danças: Dança de Rua, Reggae, Pagode e Dança Afro.
Carnaval antigo – Os registros dos historiadores apontam que o carnaval antigo de Amarante era uma brincadeira grosseira. Por volta de 1923, essa festa popular foi melhorando nas atitudes dos foliões. Nesse período, no jardim da praça da matriz, hoje Praça Padre Virgílio Madeira, houve uma batalha de confete, serpentina e lança perfume, foi um sucesso. “No domingo antecedente ao carnaval, à noite, apresentava o Zé Pereira. Senhores, rapazes, senhoras e moças da sociedade, usando roupas antigas, saiam em grupo, montados em jumentos, de costas para a cabeça dos animais, portando lanternas feitas de buriti, forradas de papel de seda com velas acesas dentro. Participavam do grupo com uma orquestra percorrendo as principais ruas da cidade, tocavam e cantavam”.

Carnaval atual – Nestas ultimas três décadas o carnaval de Amarante tomou outra direção. Em julho de 1997, o Bloco carnavalesco Prabadalar, ligado ao Jockey Clube, promoveu na Avenida Desembargador – Centro, o primeiro carnaval fora de época denominado de MICARANTE. Foram duas noitadas de grande público e muita animação. No mesmo mês e local, a Prefeitura Municipal de Amarante, governo de Dr. Adoniais Prestes, promoveu a AMAFOLIA. Particulares estão mantendo anualmente, no mesmo período e lugar, o carnaval fora de época. Em 2010, esta festa popular, aconteceu na Avenida Dirceu Mendes Arcoverde – Centro. No 2º governo de Dr. Miranda (2002 a 2005), com o incentivo do professor Virgílio Queiroz, na época, Secretário Municipal de Cultura, a prefeitura deu início ao patrocínio anual do carnaval de período tradicional na Avenida Desembargador Amaral para todas as classes sociais: 04 bailes noturnos e dois vesperais (baile das crianças). A partir da prática desse evento popular em vias públicas, o habitual carnaval dos clubes, foi extinto.

images2Lendas, crendice de milhares de amarantinos

O Capa Verde – Dizem que no fim dos tempos, o suposto “Capa Verde” sairá pelo mundo distribuindo dinheiro. Com a nova lei que dá direito aos trabalhadores rurais, o saudoso Senhor Zeca Moura procurou o inesquecível Senhor José Sabino de Sousa e deu-lhe instruções para entrar no Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Amarante, que depois ele se aposentaria. Não houve quem o fizesse, porque acreditava que este dinheiro é do “Capa Verde”.
Caipora – Lenda sempre contada em Amarante por velhos caçadores, que o diga o ex-caçador, popular Genésio Moriço, um dos maiores conhecedores das matas da região e de plantas medicinais. Segundo ele, o Caipora é um protetor das caças e que dificilmente aparece para o caçador, mas gosta de marcar presença invisivelmente quando ele sente coisa que não é do seu agrado, especialmente quando se procura caça de quinta para sexta-feira. Genésio afirma que já se deparou com o Caipora por diversas vezes. Ele é um homem preto do tamanho de um anão e gosta de fumo de corda. Genésio Moriço diz ainda, que trinta anos atrás, um de seus cachorros levou uma grande surra do Caipora porque ele estava caçando no dia da noite que o suposto Caipora mais evita a caçada. O cão passou sete dias sem comer e nunca mais quis acuar caça.
Lobisomem – Outra lenda que faz parte da cultura popular de Amarante. É uma metamorfose de lobo e homem, que agride as pessoas em lugares escuros. Uns dizem que o lobisomem é uma espécie de ser humano coberto por uma grande capa, outros falam que o bicho é todo cabeludo. O cabo Caetano, o popular Tita, diz ter deparado com um grande lobisomem, trinta anos atrás, na ponte do rio Canindé e, com um facão, travou uma briga com o suposto animal, botando o bicho para correr. O radialista Carlos Alberto disse há poucos anos atrás, numa madrugada, surgiram uivados estranhos nos arredores do bairro Alto Alegre. Ele atribuiu isso a uma suposta aparição de um lobisomem.

Cabeça de Cuia – Segundo historiadores, esta lenda partiu de ribeirinhos do Rio Poti. Em Amarante ela é dançada e cantada. Dizem que o “Cabeça de Cuia” costuma aparecer nas enchentes dos rios Parnaíba, Poti, Canindé e Mulato. O empresário de transportes fluviais, popular Miguelinho (pai do professor Demir), que se encontra com saúde debilitada, disse em várias ocasiões para historiadores e pessoas comuns de Amarante, que já ouviu muitas pessoas ribeirinhas dizer que já viram o “Cabeça de Cuia” nas águas de nossos rios. É uma história de um pescador (Crispim) que agride a sua mãe com uma ossada devido não ter a alimentação por ele desejada na mesa e, por isso, recebe um castigo de se transformar em um monstro que viverá eternamente no rio até que consiga devorar sete moças virgens.
O Carneirinho de Ouro da Serra de São Francisco do Maranhão. Esta lenda é contada com detalhes nos arquivos da saudosa NASI CASTRO. “Os antigos contavam que existia uma corrente de ouro que ligava o morro de Amarante à serra de São Francisco do Maranhão, passando por baixo do rio Parnaíba. Na serra de São Francisco havia um carneiro de ouro, encantado, que tinha uma estrela na testa e às vezes corria de um lado para o outro da serra esperando que alguém encontrasse a corrente para desencantá-lo. Diziam que ouviam um berro do carneiro”.

“Mãe D’agua” – Lenda muito comentada em Amarante. Dizem que foi uma moça que se encantou. O físico é de uma mulher de altura normal, bem alva, cabelos compridos e pretos, o seu pente é de ouro; gosta de sentar-se em pedra grande no rio, ou em poço, e quando o rio é pequeno, ela gosta de subir pelo meio do rio. Salva qualquer criança, mesmo já grande, o custo é achar de jeito e ser pagã”. A folclorista Sibita diz conhecer muita gente que afirma ter visto a Mãe D´agua nos rios Parnaíba, Canindé e Mulato. Ela diz ainda que há longos anos atrás numa grande enchente dos rios Parnaíba e Canindé, surgiu em Amarante um grande surubim de escama que chegou assustar banhistas e pescadores. Afirma que chegou à nossa cidade um mergulhador profissional de muito longe para constatar a existência do inédito peixe. Ele descobriu uma loca profunda partindo do antigo “Porto do Quartel” até debaixo da Igreja Matriz de São Gonçalo.
Gambirra – Há mais de 30 anos atrás, comentava-se muito em Amarante do aparecimento de uma figura estranha e monstruosa nos arredores de nossa cidade, apelidada de Gambirra. O saudoso Pedro Antônio Gramoza contava com detalhe a suposta aparição do monstro que deixava muitos apavorados. Diziam que o Gambirra tinha o formato de um esqueleto humano e uma altura de aproximadamente, seis metros. Diziam ainda, que ele atravessava a BR 343 numa só passada e provocava acidentes nos carros que trafegavam na velha estrada.
A folclorista e atriz Zulmira Bezerra, a popular Sibita, é também contadora de histórias tenebrosas. Diz que em Amarante, às margens do rio Parnaíba, existe uma lontra que costuma botar o povo para correr. Segundo ela, trata-se de um animal encantado e já foi vítima da fúria dele. Diz ainda que a suposta lontra fica furiosa com as pessoas somente no período de lua cheia ou se o pescador tiver pescando muito peixe.

Besta-Fera tornou-se uma lenda de Amarante. “A Besta-Fera é voraz, porém está presa e quando se solta vai devorar gente. Ela come, mas não se farta, devora o que encontra, tem preferência pelos amancebados, principalmente se são compadres, por isso nos dias grandes da Semana Santa, os que vivem dessa vida de pecados separam-se com medo da Besta-Fera. Na casa em que a Besta-Fera chegar e tiver o Coração de Jesus na parede, ela volta da porta. Ela também não anda em casa que tiver desenho de uma cruz nas portas e janelas e nem em casas cujas portas sejam de esteiras, porque as palhas são cruzadas”. A saudosa beata “Paixão do Vilô” dizia que a assombração também matava no susto. Conforme ela, era costumeiro compadre ou comadre amanhecer morto por causa da aparição do monstro.
Mulhar Misteriosa é uma suposta alma penada que anda pedindo carona de carro e motocicleta na BR 343, nas proximidades da cidade de Amarante. Segundo Vitoriano, trata-se de uma jovem muito bonita que morreu de acidente rodoviário na popular ladeira do “Felinto Moreira” – entre Amarante e Regeneração, em consequência da colisão de um automóvel e um ônibus há 17 anos atrás. Vários motoristas e motoqueiros de Amarante e de outros lugares comentam terem dado carona para a mulher misteriosa. Vitoriano, Zé do Estevão, Marcos Venícios, Zé Piulino e o professor Adriano da Guia, acolheram a suposta alma penada nos seus transportes. O radialista e ator, Josemar Coelho, o popular “Chibio”, contava uma interessante história. Ele dizia que uma linda jovem lhe pediu carona na saída de Amarante quando ele se dirigia para Teresina. Tratava-se de uma mulher muito bonita, possuidora de um perfume embriagador, como nunca ele havia sentido. Ao chegar à cidade de Água Branca, ele avisou à jovem que iria a um bar na esquina e voltaria em poucos minutos. Ao voltar, para sua surpresa, a mulher havia sumido. Perguntou às pessoas que estavam nas proximidades e ninguém sabia. Um moço que estava sentado em um banco, disse: “que mulher? Você chegou aqui sozinho! Eu até disse, esse homem deve estar é doido, falando sozinho!”. Josemar nunca mais quis viajar só e nem dá carona para mulher em beira de estrada.
Mulher dos dentes de ouro. Esta suposta criatura continua aparecendo na BR 343. Populares dizem que a suposta aparição ocorre com frequência nas proximidades da Parada do Cego deste município. Poucos anos atrás, o radialista Josemar Coelho, vulgo Chibio, que sempre noticiava na Rádio Cidade Azul, depoimentos de pessoas afirmando terem visto a “Mulher dos Dentes de Ouro”, passou uma noitada na região para verificar o que realmente estava acontecendo por lá. Surpreendentemente, Chibio quando se encontrava de frente à casa de um velho conhecido, se assustou com uma espécie de jumento se espojando no chão e gemendo com fala estranha. Não era a mulher dos dentes de ouro e sim a “Mula Cinzenta” que, conforme moradores da região, tratava-se de um homem que vivia maritalmente com uma filha deficiente mental.
Animal estranho – Surge em Amarante comentário da aparição de um grande animal estranho. Dizem que é um bicho cabeludo e assustador, aproximadamente do tamanho de um jumento médio, com característica de uma porca. O simpático “Riba do Cícero Casadinho” já ouviu rumores de coisas estranhas próximo ao seu terreno (Bairro Limoeiro). Ele reafirma o que os outros dizem: o animal solta esturros e fede muito. Por onde ele passa, fica o cheiro insuportável que demora por muitos dias.

Textos do livro: AMARANTE, PERSONALIDADES E FATOS MARCANTES
Autor: Luís Alberto Soares (Bebeto)

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