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12 de dezembro de 2017

Tetra, Alemanha encontrou a mistura perfeita entre Espanha e Brasil


Hospital de Olhos

Pep Guardiola nunca escondeu que uma de suas principais inspirações para o estilo de jogo que tenta impôr a seus times foi o futebol brasileiro, principalmente na época de Pelé. Parece óbvio se inspirar em algo que contava com o melhor jogador da história, mas não é simples assim, como o futebol mostra há décadas. E se o Brasil foi a inspiração, nos últimos anos o esporte ficou marcado pelo “tiki-taka” da Espanha, que neste domingo viveu seus últimos momentos de campeã do mundo. Há quem diga que a Alemanha tetracampeã mostrou estilo completamente diferente ao espanhol para substituí-los no topo do mundo. Mas não foi bem isso que aconteceu.

A Alemanha mais brasileira que o Brasil dentro e fora de campo soube como misturar o estilo do país que sediou a Copa com o que detinha o trono do futebol mundial há quatro anos. Não à toa, sete jogadores campeões do mundo neste domingo são treinados por Guardiola no Bayern de Munique. Joachim Löw soube valorizar isso, e pegou o que precisava para juntar ao trabalho feito desde 2006. O resultado foi Philipp Lahm levantando a taça.

A seleção campeã da Copa-2014 tocava a bola tanto quanto a Espanha de 2010, mas com uma diferença: foi mais incisiva. A busca incessante por um espaço entre os zagueiros adversários jamais impediu que cruzamentos e chutes de fora da área fizessem parte do repertório. Pegar o melhor daquela Espanha não era errado, apesar da eliminação precoce dos então campeões do mundo na primeira fase.

A Alemanha foi o time que mais trocou passes na Copa: 5084. A Argentina, segunda colocada, teve mais de 600 a menos: 4318. Foram 4157 acertos alemães, representando 82%, também melhor marca entre quem avançou da fase de grupos –a Itália, em apenas três jogos, acertou 85%.

Quando a Espanha perdia para o Chile por 2 a 0 e era eliminada após apenas dois jogos, apelou para os cruzamentos, mas mostrou que não fazia ideia do que tentava. A Alemanha, porém, não esqueceu deles enquanto trocava passes: foram 148 durante a Copa,  top 3 no quesito.

A troca de passes alemã fez com que o lado brasileiro de seu jogo surgisse: a ofensividade. A Alemanha teve o melhor ataque da competição, com 18 gols.  O Brasil foi quem mais chutou, com 111 finalizações; Argentina a segunda, com 105; e logo atrás de novo eles, os alemães, com 98. Ou seja, entre os três mais finalizadores, o melhor aproveitamento.

O Brasil é conhecido pela habilidade individual de seus principais astros. Pelé, Garrincha, são tantos… Dizem até que Romário ganhou “sozinho ” a Copa de 1994. Pois bem: quem aparece no top 3 de jogadas individuais que acabaram na área rival? A Alemanha. Foram 28, perdendo apenas para a Argentina, de Messi, e para a Holanda, de Robben – dois dos jogadores mais incisivos do mundo.

A seleção tetracampeã do mundo pela Alemanha não será considerada a melhor de todos os tempos – e não é. Talvez não apareça nem entre as 10 melhores – o futuro trará discussões sobre. Mas é inovadora. Resultado de um projeto pensado, que chegou ao auge neste domingo.

Juntou o melhor futebol de todos os tempos com o melhor da atualidade. Isso, mais o carisma, a alegria, a conquista dos corações brasileiros, fez com que a Alemanha fosse campeã e, tirando os derrotados na final, ninguém contestasse.

Bem, talvez Gana. A seleção que soube parar a Alemanha na primeira fase, e que ficou a minutos de uma vitória. Bom, o Brasil levou a Copa por três vezes sem ser 100%. A Espanha, em 2010, perdeu um jogo. Acontece. E a Alemanha sabia disso.

Radar Financeira

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