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Amazonas deve registrar cheias severas em 2021, diz serviço geológico

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As chuvas acima da média que atingem o estado do Amazonas desde o início do ano devem provocar grandes inundações ao longo das bacias dos rios Negro e Solimões, segundo boletim divulgado pelo Serviço Geológico do Brasil. A capital Manaus e os municípios de Manacapuru e Itacoatiara estão em alerta para cheias entre junho e julho.

De acordo com o boletim, o Rio Negro pode atingir, este ano, a cota máxima de 29,45 metros (m) no Porto de Manaus. “A probabilidade de que esteja em curso uma cheia tão grande quanto a de 2012, ano da máxima histórica, existe, mas é de aproximadamente 17%, informou o serviço geológico.

Em Manacapuru, o nível do Rio Solimões já está acima do esperado para o período atual – próximo ao observado em 2015, quando a cota máxima de toda a série histórica (dados desde 1902) foi observada no município. A previsão é que o rio atinja uma média de 20,27m, podendo chegar a 21,20m.

Já na região de Itacoatiara, as medições indicam que o rio está acima da média desde fevereiro e pode chegar a 15,60m. O limite de inundação no município é de apenas 14m. O nível mais alto já registrado no município foi 16,04m, em 2009. O evento, segundo o boletim, tem 10% de chance de ser registrado novamente em 2021.

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Defesa civil

De acordo com o Departamento de Resposta ao Desastre e Suporte da Defesa Civil do Amazonas, todos os municípios da calha do Juruá já estão com situação de emergência decretada. Na calha do Purus, cinco dos sete municípios estão em situação de emergência.

Em resposta e proteção à população, equipes da defesa civil estadual tem oferecido aos moradores da região unidades móveis de tratamento de água.

La Niña

Dados do Sistema de Proteção da Amazônia indicam que o final de 2020 teve um déficit de precipitação em grande parte da Bacia Amazônica Ocidental. No princípio de 2021 esse padrão se inverteu e já em fevereiro de 2021, as chuvas foram muito acima do esperado na bacia como um todo, causando inclusive transbordamentos no Acre.

“Como está em curso o fenômeno La Niña, de resfriamento das águas, ele altera a formação de nuvens sobre o oceano e elas passam a se concentrar na Oceania. O resultado têm sido chuvas mais concentradas e em maior quantidade do que o normal na Amazônia, o que tende a se agravar”, destacou o serviço geológico.

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*Sob supervisão de Paula Laboissière.

Edição: Paula Laboissière

Fonte: EBC Geral

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Inpe cria plataforma gratuita de dados do solo brasileiro

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O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) prepara-se para disponibilizar ao público uma plataforma com um grande volume de dados de imagens de sensoriamento remoto, organizadas como cubo de dados que podem ser usados para extrair informações de uso e cobertura do solo brasileiro. 

O chamado Brazil Data Cube – Cubo de Dados Brasil, em tradução livre – reúne imagens de diversos satélites e é capaz de mostrar, ao longo do tempo, como o solo brasileiro é utilizado. O projeto, iniciado em 2019, deverá ser concluído em 2022, mas já é possível acessar e processar algumas dessas informações.

Cubos de dados são uma série de imagens de satélites organizadas no tempo de determinadas regiões brasileiras. O projeto cria esses cubos para todo o Brasil. Assim, com o sistema desenvolvido pelo Inpe é possível selecionar uma parte do território e usar métodos de inteligência artificial para extrair informações de como o espaço é ocupado, por exemplo, por florestas ou agricultura e como foi essa ocupação ao longo do tempo.  

“Dado de uso e de cobertura do solo é muito importante para definir políticas públicas e a preservação do meio ambiente”, disse a pesquisadora do Inpe, Karine Ferreira. “É importante para a sociedade e para o país conseguir processar esse grande volume de dados de imagens de satélites hoje disponíveis e extrair informações desses dados de maneira integrada”, acrescentou.

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Parcerias

Os dados começaram a ser disponibilizados e o Inpe está firmando parcerias para o uso deles com entidades como o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). Segundo pesquisadores, o Brasil também deverá ampliar a utilização da tecnologia e gerar cubos de dados semelhantes para o Uruguai.

“Como tudo é público, a gente vai ter que seguir as regras de como oferecer isso para as pessoas usarem e, obviamente, será livre de custo”, disse o também pesquisador do Inpe, Gilberto Queiroz. A plataforma desenvolvida para processar esses dados é composta por software livre. Softwares livres são aqueles que permitem que usuários acessem, executem, distribuam e façam modificações na estrutura do programa.

Os pesquisadores participaram esta semana do evento AWS Public Sector Summit Online. A AWS é uma plataforma de serviços de computação em nuvem oferecida pela empresa multinacional Amazon. Desde meados de 2019, o Inpe utiliza os serviços da AWS para processar grandes volumes de dados.

“O nosso desafio é o grande acervo de imagens de observação da Terra que a gente tem atualmente. Esse é o maior desafio, por isso a gente está produzindo cubos de dados e evoluindo em técnicas de machine learning [aprendizagem de máquina] para classificação automática ou semiautomática desses cubos”, afirmou Karine Ferreira.

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De acordo com Queiroz, a intenção é que o Inpe disponibilize, até 2022, um grande volume de dados que podem ser processados na própria plataforma do instituto, sem a necessidade que os pesquisadores baixem os dados para os próprios computadores, uma vez que são grandes volumes de dados que exigem muito espaço de armazenamento.

“[Queremos] oferecer principalmente para as instituições públicas e para a sociedade uma forma de utilizar esses dados sem a necessidade de fazer download, porque estamos falando de big data [grandes volumes de dados]. Uma forma de fazer isso será na estrutura do Inpe. Desenvolvemos também ferramentas para as pessoas fazerem isso nas próprias estruturas. Parte também foi montada para funcionar na AWS. Se a empresa baixar o software, consegue fazer o processamento por lá também”, disse o pesquisador.

O Brazil Data Cube é um subprojeto do programa Monitoramento Ambiental dos Biomas Brasileiros, financiado com recursos do Fundo Amazônia, por meio da colaboração financeira do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e Fundação de Ciência, Aplicações e Tecnologia Espaciais (Funcate).

Edição: Kleber Sampaio

Fonte: EBC Geral

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