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12 de dezembro de 2017

A crise política/econômica e o campo


Hospital de Olhos

Os números falam por si e contra fatos não há argumentos. Em situação recorrente, imerso em uma crise de credibilidade política e econômica com consequências catastróficas internas e externas, o Brasil tem o setor agropecuário como o único que ainda mantém crescimento. Com o Produto Interno Bruto (PIB) mais baixo da série histórica do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) desde 1996, a retração nacional de 2015 foi de 3,8%, em comparação ao ano anterior. Enquanto isso, o agro respondeu com 1,8% de aumento.

Reflexo das circunstâncias de decréscimo, a quantidade de empregos gerados também foi menor do que as demissões ocorridas no primeiro mês de 2016. Porém, mais uma vez, o setor do agronegócio foi um dos poucos responsáveis por criar oportunidades à massa desempregada: só em Mato Grosso, foram 5,8 mil novos postos gerados no campo durante janeiro, do total de 6,9 mil.

Não é possível que a concretude desta realidade ainda deixe dúvidas de que as oportunidades para virar esse jogo, com muito trabalho, compromisso e empenho para atingir o desenvolvimento neste país, estão preponderantemente no campo. As atividades agropecuárias mostram-se, na atualidade, como aquelas que podem garantir dignidade a quem está sem perspectiva. Há vagas no campo, há incremento de renda no campo para quem aposta neste setor, há qualidade de vida no campo.

Não é simples estabelecer essa consciência em um país onde o agronegócio ainda é encarado como um vilão por uma parte da sociedade – em virtude de ideias erroneamente cristalizadas de que polui, escraviza e explora. Dono de uma conduta cada vez mais sustentável, o setor, pelo contrário, gera riqueza para quem produz claro, mas também para toda a nação, como demonstram os dados. O cenário só não está pior porque o sucesso da agropecuária está consolidado no Brasil.

Fazer o casamento de interesses entre aqueles que estão sem emprego, sem perspectiva, sejam eles da cidade ou do campo, com as oportunidades do meio rural é o desafio. Para ser atingido, é necessário fomento, e o setor está preparado para isso, pois, além de oferecer as vagas, prepara as pessoas para preenchê-las.

Qualificação é palavra de ordem quando se pensa em um posto de trabalho na agropecuária, pois a roça, ainda presente no imaginário de alguns, deixou de ser realidade. Falta gente para trabalhar, isso é reclamação contumaz de proprietários rurais, mas falta, sobretudo, mão de obra capacitada. O universo tecnológico aplicado ao agronegócio é cada vez maior e o produtor brasileiro, dono de uma pujança que surpreende o mundo, emprega-o.

Enquanto o incremento da formação para o trabalho no campo ainda não é uma questão de política pública – a despeito da enorme necessidade -, o próprio setor se encarrega de qualificar seu trabalhador com as qualificações oferecidas pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Rural país afora. Garantindo formação profissional rural, o setor está pensando na sua necessidade diretamente. Mas o ganho da iniciativa vai muito além, pois oferecer, gratuitamente, qualificação a quem não tem perspectiva é dar a chance de mudar a história de sua vida.

Pessoas qualificadas conquistam postos de trabalho, angariam renda e, com eles, todos os benefícios de uma vida de qualidade: educação de qualidade para os seus, além de mais saúde, mais segurança, mais lazer. O conhecimento muda a vida das pessoas e promove a consciência de que o Brasil tem saída de forma concreta, e ela está no campo.

Para dar o salto que precisa, é necessário, a princípio, migrar o pensamento nesse sentido, de volta à zona rural. Pois todo o incremento ocorrido nesse setor irá reverberar nos demais da economia nacional, assim como no social. Não tenho dúvidas.

 

José Augusto S. de Oliveira (Cabeça)

Técnico Agrícola

Esp. Irrigação e Drenagem

Filiado ABID

Membro Inovagri

Colaborador Greenpeace Brasil

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