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Apesar das chuvas, estiagem afeta barragens e lavouras de agricultores do semiárido piauiense

Edição e postagem: Denison Duarte, em 26-03-2017 10:35 | Última modificação: 27-03-2017 09:22
Hospital de Olhos

ESTIAGEM NO SEMIÁRIDO – As chuvas regulares que caíram sobre o Piauí este ano não chegaram a todos os municípios do estado, a exemplo de Inhuma, Pio IX e São Julião onde há agricultores que estão sofrendo a perda da lavoura por causa da estiagem.

Enquanto espalhava, sob a luz do sol, a pequena quantidade de feijão que colheu na lavoura, a agricultora Francimar Ferreira, garante que “foram poucas as chuvas e que muita gente não conseguiu colher porque o inverno foi muito rápido”

O esposo da lavradora, Waldemiro Nascimento, afirmou que a falta de chuvas é a ocasião propícia para que os insetos acabem com o plantio. “O mosquito se acaba com a chuva. Como a chuva não veio, ele aproveita para destruir a lavoura”.

Apesar do plantio de milho ainda verde, os pequenos açudes de Inhuma não receberam a quantidade de chuvas necessária para aumentar o volume d’água.

O técnico do Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (DNOCS), Francisco Alves Teixeira, faz um comparativo da situação da barragem do município entre 2016 e 2017. “Ano passado, quando terminou o período do inverno, havia 19 milhões de m³, este ano há apenas 5 milhões.”

Em São Julião, a Barragem dos Piaus, projetada para grandes quantidades de água, está apenas com 5% da sua capacidade. As chuvas que caíram sobre o reservatório não fizeram diferença no volume d’água.

A situação nos últimos quatro anos, segundo o representante do Sindicato dos Trabalhadores Rurais – Francisco Sousa, nunca chegou a níveis tão críticos. As dificuldades com a escassez “chegam a prejudicar as pessoas em geral, tanto do campo quanto da cidade”.

O nível mais alto do reservatório chegou historicamente a 60% da capacidade em 2009. Os projetos de produção de peixes e fruticultura que haviam nas proximidades da barragem já não existem mais desde 2016.

A adutora é também responsável pelo abastecimento d’água a aproximadamente 40 mil pessoas nos municípios de São Julião, Fronteiras, Vila Nova, Alagoinha, Pio IX e Campo Grande.

A aposentada Júlia Rocha compra água mineral para beber. O comércio de água se tornou lucrativo na cidade por ser necessário à população.

Em Pio IX, não possui água na barragem Cajazeira. Agricultores e pescadores, dependiam dela para o sustento. Se faltar o fornecimento de água da Barragem de Piaus, a vida dos moradores de Pio IX vai se tornar mais difícil.

Os programas sociais têm sido a única alternativa para parte da população do município, é o que afirma o tesoureiro do STR de Pio IX, Naldo Andrade. “O plantio de hortas, macaxeira, abóboras e a pescaria já não existem mais. Todos estão sobrevivendo dos programas sociais do Governo Federal e pequenos criatórios de ovinos e caprinos.”

Estiagem no semiárido | os carros-pipa como alternativa

O consumo de água na zona rural a quase 1500 moradores da região tem se mostrado um problema. Carros-pipa fazem a entrega em escolas, já que o único poço tubular não funciona mais. De acordo com a prefeitura, uma licitação está em andamento para a retirada da bomba que literalmente caiu no fundo do poço e, em seguida, consertar o equipamento.

O morador Jociê Rodrigues tem uma cisterna que abastece três famílias. Ele conta que, porque mora próximo ao poço que não serve mais, os carros-pipa cadastrados pelo Exército não podem parar na sua residência para lhe entregarem água.

A solução é comprar água ao preço de R$ 30,00. “A medida que a distância aumenta [para o carro-pipa], o valor[da água] sobe também”.

 

Com informações do Clube Rural