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Cia Dança eficiente de Teresina se apresenta na 1ª Mostra de Arte Sensorial e Inclusiva em Brasília

Edição e postagem: Denison Duarte, em 11-01-2014 20:29 | Última modificação: 22-01-2014 19:39
Cia Dança eficiente de Teresina se apresenta na 1ª Mostra de Arte Sensorial e Inclusiva em Brasília

Hospital de Olhos

O Centro Cultural Banco do Brasil recebe entre os dias 21 e 26 de janeiro a primeira Mostra de Arte Sensorial e Inclusiva que convida companhias e artistas que assumem o desafio de propor outras formas de construção da arte por meio de obras e espetáculos que cruzam a fronteira das formas convencionais de expressão, apresentando outras perspectivas e propondo novas alternativas de vivenciar a arte. A mostra interage com diferentes linguagens e públicos, demonstrando como é possível potencializar o sistema sensorial, quebrando a lógica dominante de que todos os sentidos são sempre necessários para perceber e participar do processo de produção e fruição artística.
A iniciativa oferece oficinas, palestras, intervenções e espetáculos cênicos nacionais, direcionados para todos os públicos, produzidos na iminência do corpo e das experiências diversas (por pessoas com deficiência ou não). Espetáculos que rompem com a linearidade que se estabelece entre as formas convencionais de produzir e experimentar a arte.
O foco do projeto é demonstrar as várias possibilidades de a arte ser fruída por todos, não apenas no que se refere ao espaço físico do local onde será realizada, mas nas possibilidades que a arte sensorial cria para os processos de inclusão social desde a produção até a forma de se perceber o produto artístico.
A mostra também tem como objetivos apresentar obras e espetáculos que rompem com a linearidade que se estabelece entre as formas convencionais de produzir e experimentar a arte; divulgar obras e espetáculos que dialoguem com os diferentes sentidos (sensorialidade humana) e  produza efeito de criticidade nos espectadores quanto ao caráter multissensorial da experiência, mostrando que há outras formas além das convencionais de produzir arte; demonstrar como as pessoas com deficiência (o outro extremo do cordão da sensorialidade) constroem e podem se incluir no processo criativo da arte e na formação de plateia.
A ideia também é demonstrar como, com a variedade das formas de fazer artístico, a arte se torna possível para todos, independente das limitações físicas ou sensoriais vividas para incentivar a formação de uma plateia reflexiva em relação às barreiras sócioculturais impostas para as pessoas com deficiência (ou aquelas que experimentam e vivenciam o mundo com outras sensorialidades), especialmente as constituídas no campo artístico (seja na produção, execução ou público);
Outro objetivo da Mostra é contribuir para consolidar a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, principalmente no que toca às disposições do artigo 30 aprovadas em 2008 pelo Congresso Nacional.
A Mostra de Arte Sensorial e Inclusiva tem o patrocínio do FAC (Fundo de Apoio à Cultura) e apoio da Secretaria Nacional de Promoção dos Direitos da Pessoa com Deficiência (SNPD).

Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB-DF)
 
Programação:

21/01/2014 às 21h no Teatro I –  Corpo sobre tela – Marcos Abranches (SP) – Inspirado na vida e obra do pintor irlandês Francis Bacon, Corpo sobre Tela é um solo primoroso, criado pelo bailarino Marcos Abranches, em parceria com Rogério Ortiz, que assina a direção artística. Neste espetáculo de Abranches, da Cia. Vidança, os gestos singulares do bailarino expressam dramaticidade e movimentos pulsantes, impregnados de cores e sentimentos inquietantes. Autonomia, singularidade e intrepidez são algumas das questões que emergem da obra.
22/01/2014 às 21h no Teatro I – Cia Dança Eficiente (PI)– Meu corpo não é mudo – Atualmente a Cia. de Dança Eficiente (Corpo Inclusivo), é mantida pela Organização Ponto de Equilíbrio – OPEQ em parceria com a Associação dos Cadeirantes do Município de Teresina – ASC AMTE. O trabalho do grupo tem como objetivo principal propiciar as pessoas com deficiência o desenvolvimento e exposição dos seus potenciais artísticos, elevando a auto-estima e oferecendo ao público um trabalho original, criativo e pioneiro no Estado do Piauí.
23/01/2014 às 21h no Teatro I –  Expressividade Cênica para deficientes visuais (Londrina- PR) –Olhares Guardados. – O próprio nome do grupo londrinense traz uma particularidade que normalmente chama a atenção do público: Projeto Expressividade Cênica para Pessoas com Deficiência Visual. Todos os atores da peça são cegos. Os atores usam todo um processo que vai desde a cenografia, adereços de cena e sonorização. Como são deficientes visuais, automaticamente têm o tato, a audição e o olfato muito mais desenvolvidos e trabalham muito com o tato na peça. Entre as estratégias usadas está um piso de borracha que liga vários pontos do cenário, fazendo ao mesmo tempo parte da cenografia e servindo de referência de localização para os atores. Eles também atuam muito com a audição usando vários sinais sonoros. A história mostra um fotógrafo que desembarca de trem num pequeno vilarejo. Na estação, ele encontra um grupo de pessoas instigantes: um músico, uma costureira, um escritor e um comerciante de antiguidades. Ao fazer fotos de cada um, o fotógrafo estabelece relações com suas histórias pessoais.
24/01/2014 – Sessões às 18h e 21h na Galeria 3  – Grupo Sensus (SP) – Kinesis é uma performance “ambulante”. O público é convidado a entrar numa instalação e percorrer um trajeto conduzido pelos atores que, além de guiá-los, interpretam textos, e os estimulam sensorialmente através do tato, olfato, audição e paladar. Como é característico do Grupo Sensus em seus sete anos de existência, o espectador é vendado na entrada. Nessa performance, é acompanhado por vários “atores-guias”, num trajeto, e percorre a instalação se deliciando com a obra literária de vários autores consagrados. Um espetáculo que permanece “acontecendo” por várias horas, permitindo que o público tenha liberdade de entrar na hora que desejar e também repetir o trajeto quantas vezes quiser.
25/01/2014 às 21h no Teatro I –  Signatores (RS)  – Através do teatro, utilizando a poesia e jogos de improviso, seis atores surdos contam suas histórias de vida no espetáculo Memória na ponta dos dedos. A peça é uma realização do Grupo de Pesquisa Teatral Signatores, formado por pesquisadores ligados a Universidade Federal do Rio Grande do Sul que buscam investigar o teatro e a educação com pessoas surdas. A montagem foi construída dentro da Oficina de Teatro para surdos. Por meio de entrevistas realizadas com os atores, o grupo criou um espetáculo dividido em três eixos: infância, primeiro contato com a Língua Brasileira de Sinais (Libras) e desejos para o futuro. Em cada um desses momentos, são abordadas questões marcantes na vida dos surdos, como idas ao médico, incompreensão de familiares e amigos, escolha entre escola inclusiva ou escola para surdos, uso de aparelho de surdez, a construção de uma identidade dentro de um grupo, entre outras temáticas. A atração é encenada em Libras e terá o apoio de um narrador-personagem, que acompanhará os ouvintes pela narrativa. Riso, drama, sátira e crítica são alguns dos elementos que se compõem a peça Memória na ponta dos dedos, um convite para compreender o mundo a partir da percepção daqueles que escutam com o olhar e expressam suas identidades através do corpo e da alma.
26/01/2014 às 20h na Galeria 3 –  Teatro Cego (SP) – O grande viúvo – é um espetáculo inédito no Brasil em que a apresentação acontece em um local completamente escuro, fazendo com que os espectadores, sem poderem contar com a visão, tenham que se valer de todos os seus outros sentidos (olfato, tato, paladar e audição) para compreenderem o conteúdo da peça. Um espetáculo com forte apelo social que conta com deficientes visuais no elenco e na produção.

Atividades paralelas

Mesa 01:  Arte e inclusão: deficiência, corpo e diferença
Data: 22/01/2013, das 14h30min às 17h30min.
O objetivo da mesa de discussão é problematizar as formas hegemônicas de fazer arte, que apontam um corpo “ideal” como protótipo da construção dos espetáculos. Rompendo com os limites da homogeneidade dos sentidos, a mesa trará uma discussão sobre outras noções de corpo e diferença, andentrando assim para o conceito de deficiência para além das limitações corporais. Com um outro olhar sobre os processos que historicamente construíram a deficiência com base nas “limitações corporais”, a mesa abordará a temática sob o prisma da diferença e, a partir disso, realizará proposições das formas possíveis de inclusão pela arte. Ou seja, a mesa possui uma dupla tarefa: a primeira, de desconstruir a noção de deficiência e corpo a partir da quebra do conceito hegemônico de sentidos; segundo, de refletir sobre as possibilidades e limites da arte na tarefa da inclusão das pessoas com deficiência.
Para isso, convidará atores que estão participando da Mostra e outros acadêmicos e artistas envolvidos com a temática para, em um debate entre aspectos teóricos conceituais e práticos, produzir elementos para repensar as formas como a arte pode servir como ferramenta de inclusão e transformação social.
Panorama: sabemos da capacidade (ou da possibilidade) da arte em transformar a sociedade ou, em pelo menos, propor outros olhares sobre as diversas facetas da vida social. Porém, temos visto que ela ainda está centrada em certos padrões de construção de sua “cena” que não levam em consideração as diversidades das experiências e das vivências corporais. Ainda, notamos a importância da inclusão das pessoas com deficiência, seja como espectadoras de espetáculos, seja como protagonistas deles, no setor de arte e cultura. A 1a. Mostra de Arte Sensorial e Inclusiva do DF também tem esse desafio e reuniu grupos e companhias que dialogam com a temática e rompem com os padrões de “corpo perfeito” e a mesa pretende utilizar esse conhecimento acumulado para levantar a discussão na sociedade em geral.
Público alvo: estudantes (especialmente de artes) do DF e entorno; profissionais da arte e cultura do DF; gestores de políticas públicas; militantes de movimentos sociais; população em geral.Valdemar Santos – Cia Dança Eficiente (PI)
Paulo Braz – Expressividade cênica para deficientes visuais de Londrina (PR)
Éverton Pereira – doutor em antropologia (UnB)Mesa 02: Políticas de Inclusão
Data da mesa: 24/01/2013, das 14h30min às 17h30min.
O objetivo da mesa de discussão é apontar as várias formas como o Estado brasileiro vem trabalhando com a questão da diversidade corporal e das experiências da deficiência, especialmente no que tange o acesso à arte e a vida em sociedade. Propomos, com essa mesa, instrumentalizar a plateia quanto as políticas em curso e promover um debate frutífero entre as várias instâncias da organização democrática sobre futuros das ações de integração de pessoas com deficiência. Especificamente, o objetivo é construir um panorama atual das políticas de inclusão e projetar perspectivas e desafios futuros, tendo como panorama o debate entre as experiências bem sucedidas e as inúmeras possibilidades inerentes da vida plena das pessoas com deficiência aos direitos sociais, especialmente ao acesso à arte e a cultura.
Panorama: sabemos das mudanças paradigmáticas trazidas pela Convenção dos Direitos das Pessoas com Deficiência no que tange à garantia de direitos dessa população e temos dimensão dos avanços promovidos pela implamentação do Plano Nacional Viver Sem Limites. Ao mesmo tempo, temos conhecimento dos imensos desafios de tornar realidade que estes dois documentos apontam na transformação da qualidade de vida da população com deficiência no Brasil. Também, temos consciência da importância de ações no campo da arte e da cultura na garantia dos direitos das pessoas com deficiência e apostamos que a descontrução de algumas categorias são essenciais para que possamos construir uma sociedade mais inclusiva e menos limitadora das potencialidades individuais. A proposta da 1a. Mostra de Arte Sensorial e Inclusiva do DF é uma iniciativa que visa contribuir nessa questão questão e a mesa aqui proposta é uma das etapas da reflexão.
 CIA. DANÇA EFICIENTE DE TERESINA SE APRESENTA NA 1ª MOSTRA DE ARTE SENSORIAL E INCLUSIVA QUE ACONTECE EM BRASÍLIA
Público alvo: população em geral, especialmente sujeitos envolvidos com políticas públicas no DF (gestores e produtores culturais, gestores de outras políticas), estudantes universitários e integrantes de movimentos sociais.
 Segundo o idelaizador e diretor do grup valdemar santos a proposta do grupo é Trabalhar pessoas com e sem deficiência para que através da através dos elementos da dança, possam desenvolver e estimulando as habilidades que explorem suas competências corporais, espaciais e criativas. Proporcionando um estudo onde cada indivíduo conheça seus limites e tenha uma consciência corporal necessária para o aprimoramento de suas habilidades motoras. Motivando o fazer artístico e possibilitando a multiplicação de experiências artísticas através de criações e exibição dos produtos cênicos elaborados nas aulas. Pra nós foi um grande prazer ser convidado para esse festival que envolve grupos de São Paulo, Rio GRande do Sul, Distrito Federal e nós do Piauí, pra mim foi uma foma de percebemos que o projeto é forte e isso nos possibilita contao com outros grupos e produtores.