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Petrobras tem maior queda diária na Bolsa desde junho de 2012

Edição e postagem: Denison Duarte, em 26-11-2013 23:52 | Última modificação: 26-11-2013 23:52
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Diante da notícia de que o governo da presidente Dilma Rousseff resiste a uma fórmula de reajuste automático de preços dos combustíveis, as ações mais negociadas da Petrobras fecharam esta terça-feira (26) em forte queda de 6,29%, a R$ 19,08. Foi a maior desvalorização diária desses papéis desde 25 de junho de 2012, quando perderam 8,95%.

 O desempenho negativo da empresa pressionou o Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, que fechou o dia em baixa de 1,56%, a 51.446 pontos –menor pontuação de fechamento desde 30 de agosto, quando ficou em 50.011 pontos. Já as ações ordinárias da Petrobras, menos negociadas e com direito a voto, terminaram o dia com desvalorização de 6,43% –a maior desde 5 de fevereiro deste ano, quando caíram 8,29%.

 O conselho de administração da Petrobras vai se reunir na sexta-feira (29) para chegar a uma solução sobre o reajuste da gasolina. Atualmente, a estatal é obrigada a comprar derivados de petróleo no exterior por um preço maior do que o valor de venda no Brasil para não ferir a política de controle da inflação do governo.

 A proposta da diretoria da empresa de uma nova fórmula para o ajuste da gasolina e do diesel funcionaria como um gatilho que dispararia automaticamente uma ou duas vezes por ano, equalizando os preços internos com externos.

Contudo, segundo especialistas, a fala do ministro da Fazenda, Guido Mantega, nesta terça-feira, afastou a possibilidade que reajustes automáticos nos preços dos combustíveis.

 “Os investidores tinham expectativa de que o governo pudesse ceder à proposta de nova metodologia de preços da Petrobras, mas as declarações de Mantega jogaram um balde de água fria sobre esse cenário”, diz Marcio Cardoso, sócio-diretor da Easynvest Título Corretora.

 O analista Marcelo Torto, da Ativa Corretora, não descarta que pode haver novo reajuste nos preços da gasolina do diesel até o final deste ano, mas a definição sobre a nova metodologia de preços da Petrobras deve ficar para 2014.

 “O governo sinalizou que a estatal terá de definir outra maneira, que não seja através de ‘ajustes automáticos’, para reduzir a diferença de preços praticados dentro do país e no exterior”, acrescenta.

 Para Leandro Ruschel, diretor da Leandro & Stormer, a interferência do governo em diversos setores afasta os investidores externos do país.

 “O governo tem agido contra os interesses do mercado, e esse jogo, além de perigoso, não tem funcionado. É o caso da Petrobras: a resistência ao reajuste nos preços dos combustíveis visa conter a inflação, mas, mesmo assim, o índice oficial de preços no país continua em patamar elevado”, avalia Ruschel.

VALE E BANCOS

 Também pressionou a Bolsa brasileira hoje a queda das ações mais negociadas da Vale, que representam mais de 8% do Ibovespa. Esses papéis tiveram perda de 3,44%, a R$ 30,87.

 O Superior Tribunal da Justiça (STJ) suspendeu nesta terça-feira o julgamento da tributação de lucros de subsidiárias da mineradora no exterior, três dias antes do prazo que a Vale tem para decidir se adere ou não ao programa especial da Receita Federal para pagar as dívidas em parcelas e com descontos de multa e juros.

 Analistas consultados pela Folha dizem que a Vale só deve aceitar o programa da Receita caso o governo apresente alternativas mais atraentes para que a empresa pague o débito cobrado. O governo diz que ela deve R$ 30 bilhões em tributos sobre o lucro de suas subsidiárias no exterior, mas a Vale mantém posicionamento de que a cobrança é indevida.

 Em sentido oposto, o bom desempenho dos bancos compensou parte das perdas de Petrobras e Vale no dia, depois que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Marco Aurélio Mello avaliou que deveria ficar para o próximo ano a análise das ações que tratam de perdas nas cadernetas de poupança nos planos econômicos dos anos 1980 e 1990 –Bresser (1987), Verão (1989), Collor 1 (1990) e Collor 2 (1991).

 Os papéis do Banco do Brasil subiram 3,13%, enquanto o Santander teve alta de 0,69% e o Itaú, de 0,50%.

 “Os bancos com maior número de poupadores são os públicos, ou seja, o Banco do Brasil e a Caixa seriam os mais prejudicados pela cobrança de R$ 150 bilhões como correção das cadernetas de poupança de planos econômicos antigos. A aprovação é difícil porque, se a conta cair sobre os bancos privados, eles devem jogar isso de volta para o governo, alegando que eram obrigados a cumprir as determinações políticas nas épocas em questão”, diz Ruschel.

 CÂMBIO

 No câmbio, o dólar à vista, referência no mercado financeiro, fechou em alta de 0,58% em relação ao real, cotado em R$ 2,296 na venda. Já o dólar comercial, usado no comércio exterior, avançou 0,34%, também a R$ 2,296.

 O Banco Central deu continuidade pela manhã ao seu programa de intervenções diárias no câmbio para aumentar a liquidez do mercado e segurar a alta da moeda americana. A autoridade também promoveu pela tarde o nono leilão de swap cambial tradicional (que equivale à venda de dólares no mercado futuro) para rolar contratos que venceriam em 2 de dezembro.

FONTE: Folha de São Paulo