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18 de dezembro de 2017

Dólar perde força após bater R$ 3,81 com preocupação econômica


Hospital de Olhos

Dúvidas em torno da permanência do ministro Joaquim Levy à frente da Fazenda e preocupações econômicas levaram o dólar a ultrapassar R$ 3,80 na abertura das negociações nesta quinta-feira (3), mas a alta da moeda americana perdeu força no início da tarde.

Reportagem publicada pela Folha revelou que o ministro procurou na véspera a presidente Dilma Rousseff e seu vice, Michel Temer, para reclamar de isolamento e falta de apoio no governo, pondo em dúvida sua permanência no cargo se a situação não mudar.

Ainda na quarta-feira, depois de falar com Levy por telefone, a presidente Dilma fez uma defesa pública do ministro, dizendo que ele “não está desgastado” nem “isolado” no governo.

Às 13h15 (de Brasília), o dólar à vista, referência no mercado financeiro, tinha valorização de 0,41% sobre o real, cotado em R$ 3,762 na venda.

Por ora, este é o maior valor desde 12 de dezembro de 2002, quando valia R$ 3,791 (ou R$ 6,23 hoje, após correção inflacionária). Mais cedo, a moeda chegou a atingir a máxima de R$ 3,818.

Já o dólar comercial, utilizado em transações no comércio exterior, tinha ligeira alta de 0,02%, para R$ 3,763 –é também, por ora, o maior valor desde 12 de dezembro de 2002, quando fechou em R$ 3,790 (ou R$ 6,23 hoje).

Mais cedo, a cotação chegou até R$ 3,818. Preocupações em torno das contas públicas brasileiras ajudam a pressionar a cotação do dólar para cima. A avaliação de analistas é que o quadro piorou depois que o governo entregou ao Congresso nesta semana uma proposta de Orçamento para 2016 prevendo deficit primário de R$ 30,5 bilhões.

A medida elevou o temor de que o país perca seu selo de bom pagador atestado por agências internacionais de classificação de risco.

A perda forçaria grandes fundos a retirar investimentos que possuem no país, agravando ainda mais o cenário econômico. “Não é questão de especulação, é fundamento”, disse Eduardo Velho, economista-chefe da gestora Invx Global. “O cenário é muito ruim, e não há perspectiva de melhora.

O mercado já considera a perda do selo de bom pagador do país. A questão agora é saber quando isso vai acontecer. Não tem por que as agências [de classificação de risco] não rebaixarem a nota do país.”

“É uma crise profunda, de longo prazo. É interno e estrutural, diferente das últimas turbulências econômicas que foram motivadas por fatores no exterior. É preciso discutir como vamos pagar o rombo da previdência no futuro, bancar pensões, aposentadorias, seguro-desemprego, FGTS etc, e tomar medidas. Este é o grande ponto, reduzir as despesas obrigatórias do governo”, completou Velho.

No exterior, o dólar subia sobre 17 das 24 principais moedas emergentes do mundo, segundo dados da agência internacional Bloomberg.

O movimento lá fora é reflexo do desaquecimento da economia chinesa e sinais de fortalecimento dos Estados Unidos, o que pressiona por uma alta de juros naquele país –quando isso ocorrer, haverá uma saída de recursos do Brasil e demais emergentes, encarecendo o dólar.

Fonte: Folha de S.Paulo


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