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Total de corpos resgatados em naufrágio na Coreia do Sul chega a 64

Edição e postagem: Denison Duarte, em 20-04-2014 23:47 | Última modificação: 20-04-2014 23:47
Total de corpos resgatados em naufrágio na Coreia do Sul chega a 64

Hospital de Olhos

O número de mortos no naufrágio da balsa sul-coreana Sewol aumentou neste domingo (20) para 64 depois de serem recuperados os corpos de outros cinco passageiros. As operações de busca de 238 desaparecidos continuam.

O acidente ocorreu perto da ilha de Byungpoong, apenas duas horas após o envio do primeiro sinal de socorro, às 9h da quarta-feira (16) na Coreia do Sul, que corresponde às 21h de terça-feira (15) em Brasília.

Os últimos cadáveres recuperados do interior da embarcação, que ainda não foram identificados, foram localizados no quarto andar onde viajavam a maioria dos 325 estudantes de bacharelado, informou a rede de televisão Arirang.

As operações de resgate continuam nesta segunda-feira (21), depois que os mergulhadores trabalharam toda a noite para tentar encontrar dentro da embarcação os desaparecidos, enquanto as esperanças de achar alguém com vida praticamente desapareceram.

Espera-se que aconteçam mais avanços nas operações de resgate, já que o tempo é propício e as ondas são suaves.

A maioria dos passageiro era formada por estudantes que fariam uma viagem de feriado, estão desaparecidas. Há apenas 174 sobreviventes identificados – havia mais de 470 a bordo. O capitão e outros dois membros da tripulação foram presos na madrugada deste sábado – sexta-feira (18) no horário de Brasília. Lee Joon-Seok, o capitão, enfrenta cinco acusações, incluindo negligência e violação do direito marítimo.

Os três primeiros corpos foram resgatados logo após a meia-noite (hora local), marcando o início do difícil processo de recuperar os restos mortais das supostas centenas de pessoas que ficaram presas quando a balsa “Sewol” de 6.825 toneladas adernou e naufragou.

Os três corpos estavam com coletes salva-vidas e dois eram de homens, segundo a Guarda Costeira.

“Os mergulhadores viram três corpos através de uma janela”, anunciou Choi Sang-Hwan, subdiretor da Guarda Costeira.

“Tentaram recuperar os corpos quebrando o vidro, mas era muito difícil”, completou durante uma reunião com os parentes dos desaparecidos.

Os parentes assistiram um vídeo com imagens gravadas por um mergulhador, mas apesar da lanterna potente utilizada, a visibilidade era muito reduzida.

mapa naufrágio coreia do sul (Foto: Arte/G1)

DNA
Também neste sábado, autoridades da Coreia do Sul começaram a solicitar amostras de DNA dos parentes das vítimas do naufrágio, para que os corpos resgatados possam ser identificados. O pedido não foi bem aceito por alguns dos familiares, que se negaram a ajudar ao considerar que o processo não seria de utilidade para salvar seus entes queridos.

Os parentes protagonizaram cenas de angústia e desconsolo ao observar como o último fragmento do casco da balsa que estava visível afundou.

Apesar disso, muitos ainda mantêm as esperanças, e pedem maiores esforços no resgate ao considerar que talvez seus filhos, irmãos ou netos ainda estejam respirando em uma bolsa de ar formada dentro da nave.

Vários monges budistas, por sua vez, se reuniram para orar pelos desaparecidos no porto de Jindo, onde está a base dos serviços de resgate.

Capitão da balsa que naufragou, Lee Joon-Seok, é visto ao chegar à corte de Mokpo nesta sexta-feira (18) (Foto: Reuters/Yonhap)
Capitão da balsa que naufragou, Lee Joon-Seok
(Foto: Reuters/Yonhap)

Prisão
Promotores acreditam que tanto o capitão como os dois tripulantes infringiram a lei ao saírem da Sewol no início do resgate, sem levar em conta a segurança da maioria dos passageiros. Um suboficial, e não o capitão, pilotava a balsa no momento da tragédia em águas sul-coreanas.

“Era o terceiro-tenente que estava no comando no momento do acidente”, declarou o procurador-geral Park Jae-eok, em entrevista coletiva. “O capitão não estava no leme”, revelou.

Violentamente criticado pelas famílias dos desaparecidos por abandonar a embarcação quando centenas de passageiros estavam presos, o capitão Lee Joon-seok estava “na popa”, acrescentou o procurador.

As causas do acidente ainda são desconhecidas. Vários passageiros disseram ter ouvido um forte ruído, quando a balsa parou de repente. Isso pode significar que o barco encalhou, batendo no fundo, ou que se chocou contra algum objeto submerso.

Alguns especialistas também sugerem que a carga da balsa , que transportava 150 veículos, tenha se deslocado e desequilibrado a embarcação. O capitão garantiu que não bateu em rocha alguma.

Cercado pela imprensa na sede da Guarda Costeira, ele pediu desculpas nesta quinta. “‘Sinto muito, de verdade, pelos passageiros, pelas vítimas e pelas famílias”, declarou.

As investigações sobre o naufrágio, o pior acidente marítimo da Coreia do Sul em 21 anos com base em possíveis vítimas, têm-se centrado sobre a possível negligência da tripulação, problemas com a estiva da carga e defeitos estruturais do navio, embora a embarcação tenha passado todas as suas verificações de segurança e de seguros.

Equipes de resgate trabalham nas buscas de sobreviventes ao naufrágio na Coreia do Sul (Foto: Issei Kato/Reuters)
Equipes trabalham nas buscas de sobreviventes
de naufrágio (Foto: Issei Kato/Reuters)

Vice-diretor se suicida
O vice-diretor da escola sul-coreana Danwon, que acompanhava os alunos do ensino médio na viagem do barco que naufragou cometeu suicídio, disse a polícia na sexta-feira (18). Kang Min-Gyu, de 52 anos, foi encontrado morto enforcado pelo cinto em uma árvore que fica do lado de fora do ginásio da cidade portuária de Jindo, onde parentes dos alunos desaparecidos estão reunidos.

A polícia disse que Kang não deixou uma nota de suicídio e que eles começaram a procurá-lo depois que ele foi dado como desaparecido por um professor. Ele havia sido resgatado da balsa naufragada. “Quando eu soube do acidente ainda tinha esperança”, disse Cho Kyung-mi, que espera por notícias de seu sobrinho de 16 anos. “Agora está tudo acabado.”

Nas salas de aula dos desaparecidos, os colegas não deixaram mensagens em mesas, quadros e janelas, pedindo o retorno seguro de seus amigos desaparecidos. “Se eu te ver de novo, vou te dizer que eu te amo, porque eu não disse a você o suficiente”, diz uma das mensagens.