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Líder do Hamas pede fim do bloqueio e a libertação de presos como condição para cessar-fogo

Edição e postagem: Denison Duarte, em 21-07-2014 18:20 | Última modificação: 21-07-2014 18:20
Líder do Hamas pede fim do bloqueio e a libertação de presos como condição para cessar-fogo

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O líder do movimento islamita Hamas em Gaza, Ismail Haniyeh, pediu nesta segunda-feira (21) o fim do bloqueio israelense à faixa de Gaza e a libertação dos presos detidos na Cisjordânia como condição para pactuar um cessar-fogo com Israel.

No entanto, tentativas anteriores de cessar-fogo, intermediada pelo Egito, foram descumpridas pelo grupo radical.

“O povo decidiu acabar com o bloqueio e a ocupação e isto será alcançado em breve”, manifestou Haniyeh em discurso divulgado na tarde desta segunda-feira pela televisão Al-Aqsa, vinculada ao grupo islamita.

21.jul.2014 – Um palestino resgata colchão de cratera aberta por bombas israelenses onde havia uma casa, em Khan Younis, sul da faixa de Gaza. Após o dia mais sangrento desde o início da ofensiva israelense sobre a faixa de Gaza, o Hamas afirmou ter capturado um soldado israelense. Os mortos do lado palestino passam de 500 desde 8 de julho, a maioria civis.
Arte UOL

Mapa mostra localização de Israel, Cisjordânia e Gaza

“Nossas exigências são claras, verdadeiras e justas. É hora desta guerra e do bloqueio de oito anos acabar de uma vez por todas, e que os prisioneiros detidos na Cisjordânia sejam libertados. Essas são nossas reivindicações e nunca renunciaremos”, manifestou Haniyeh com um cartaz das grandes mesquitas de Jerusalém de fundo.

Haniyeh assinalou que a atual disputa “continuará até que se cumpram nossas exigências”, ao mesmo tempo que chamou “o mundo a adotar nossas exigências e a se posicionar do lado da faixa de Gaza”.

Além disso, o líder deu as boas-vindas a “todo esforço para conseguir as reivindicações” palestinas e responsabilizou a comunidade internacional e o mundo árabe de observar em silêncio o que ocorre.

“Esta agressão tem que acabar de uma vez e nunca mais se repetir. Queremos que o bloqueio de oito anos acabe completamente. Há casas que não têm água potável, os cruzamentos estão fechados, não temos eletricidade ou só temos umas poucas horas ao dia, os índices de pobreza e do desemprego são os mais elevados, os graduados em universidades não têm trabalho, não há salários”, disse.

“Pescadores, agricultores, comerciantes, industriais e homens de negócios não podem trabalhar e todo mundo apenas olha”, ressaltou.

Haniyeh também advertiu que as facções palestinas não cessarão suas operações enquanto não forem cumpridas suas exigências. “Nossa resistência armada nunca se deterá até que se cumpram estas exigências. O bloqueio deve acabar atualmente”.

O líder islamita disse que as forças israelenses estão sendo derrotadas pela resistência palestina na fronteira de Gaza.

“O sacrifício de nosso povo está encaminhado ao triunfo”, assinalou.

Em um dia no qual os esforços diplomáticos foram retomados em várias frentes para avançar no caminho de um cessar-fogo, as declarações de Haniyeh coincidiram com as expressadas durante o dia por Ihab al Ghusein, ex-vice-ministro de Informação do movimento islamita.

Nas redes sociais, internautas pedem cessar-fogo entre Israel e Hamas25 fotos

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Uma proposta de cessar-fogo chegou a ser apresentada pelo Egito, mas durou apenas 30 minutos. Israel chegou a aceitar a proposta, mas o Hamas considerou-a uma espécie de “rendição” e prosseguiu com os disparos de foguete.

Em declarações à Agência Efe, Ghusein enfatizou que todas as milícias seguirão com a luta o tempo que for necessário porque “os palestinos não temos já nada que perder”.a

“Estamos oito anos sob assédio, estamos morrendo lentamente, se o povo está sofrendo, nós também sofremos, nossas famílias estão aqui, estão morrendo ou ficando feridas, talvez eu seja o seguinte”, afirmou.

“Mas não vamos nos render, temos dignidade e buscamos nossa liberdade e seguiremos lutando por esta dignidade e por nossa liberdade, inclusive se matarem todos”, acrescentou.

Ghusein acrescentou que o Hamas lidera a negociação com diversos mediadores internacionais e que a decisão que adotar será aceita pelo resto de grupos e milícias palestinas.