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Alta comissária da ONU critica EUA por armar Israel

Edição e postagem: Denison Duarte, em 31-07-2014 13:54 | Última modificação: 31-07-2014 13:54
Hospital de Olhos

A alta comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Navi Pillay, denunciou nesta quinta-feira (31) os Estados Unidos por proporcionar armamento ao Exército israelense e não fazer o suficiente para deter a ofensiva contra a Faixa de Gaza.

“Os Estados Unidos têm influência sobre Israel e deveriam fazer mais para parar as mortes, para que as partes em conflito dialoguem”, disse Pillay em entrevista coletiva, na qual falou da ajuda financeira e a entrega de armas dos EUA a Israel.

Destruição causada por bombardeios na faixa de Gaza21 fotos

O palestino Ismail Radwan, 45, inspeciona os danos do apartamento da família causados pela queda de uma das torres da mesquita Al-Sousi, que foi destruída em um ataque israelense, no campo de refugiados de Shati, no norte da faixa de Gaza. Aviões israelenses bombardearam diversos pontos em Gaza, incluindo cinco mesquitas que estavam sendo usados por militantes, enquanto outras áreas foram atingidas por ataques terrestres Lefteris Pitarakis/AP

A venda de munição é estabelecida para casos de emergência no chamado Inventário de Reservas de Munição de Guerra de Israel, que permite aos israelenses dispor de armamento de maneira urgente.

Entre esse material há partes necessárias para lança-granadas e peças de morteiro de 120 milímetros, como o que provocou ontem a morte de 19 pessoas refugiadas em uma escola das Nações Unidas.

Protestos pelo mundo contra ofensiva de Israel sobre Gaza102 fotos

Pillay informou sobre esta entrega de munição e sobre a ajuda que os EUA prestam a Israel para manter em funcionamento o sistema antifoguetes israelense “Cúpula de Ferro”, que protege o território israelense dos foguetes lançados a partir da Faixa de Gaza.

“Os Estados Unidos não só fornecem a Israel artilharia pesada usada em Gaza, mas gastou quase US$ 1 bilhão para proteger o país contra os foguetes palestinos. Uma proteção que os civis de Gaza não têm”, denunciou Pillay.

A alta comissária insistiu no fato de que os EUA não só ajudem incondicionalmente Israel em tempos de guerra, mas também o faça em tempos de paz, nos quais no entanto Tel Aviv continua violando a lei internacional expandindo seus assentamentos e mantendo um bloqueio à Faixa de Gaza, que é ilegal.

“Os Estados Unidos também deveriam fazer mais para acabar com o bloqueio aos territórios ocupados. Deveria fazer mais para acabar com os assentamentos. Lembremos que os Estados Unidos votam contra, tanto no Conselho de Direitos Humanos como no Conselho de Segurança, todas as resoluções que condenam o bloqueio e os assentamentos”.

Crianças sofrem com ataques israelenses à faixa de Gaza48 fotos

Criança palestina ferida em ataque israelense a uma escola da ONU em Beit Lahia, no norte da faixa de Gaza, recebe tratamento no hospital Kamal Edwan, em Beit Lahia, na manhã desta quarta-feira (30). Um bombardeio de Israel sobre uma escola da agência da ONU para refugiados palestinos deixou entre 15 e 20 mortos, a maioria civis. Trata-se do segundo ataque a escolas da entidade, usadas como abrigo de refugiados.

Crimes de guerra

Pillay se referiu às dezenas de resoluções, relatórios de relatores especiais e conclusões de comissões de investigação internacional nas quais são identificadas flagrantes violações dos direitos humanos e da lei internacional por parte de Israel.

“Parece que há um desafio deliberado de Israel a não cumprir com suas obrigações internacionais. Não deveríamos permitir este tipo de impunidade. Não deveríamos permitir que não se averiguem nem se persigam flagrantes violações”, opinou Pillay.

A comissária da ONU lamentou que Israel não tenha estabelecido nenhum mecanismo de prestação de contas e lembrou que onde o sistema interno falha tem que ser aplicado o internacional.

Pilay também acusou Hamas de cometer crimes de guerra ao colocar e disparar foguetes de dentro de uma área altamente povoada.

A representante da ONU assinalou que, segundo os últimos dados com os quais conta, desde que começou a ofensiva morreram 1.263 palestinos e 59 israelenses.

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